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Cinema

Projeto Clio Art

Nas aulas de História o ponto de partida se deu por meio de um Projeto Educativo chamado A IMAGEM E A PALAVRA NO ESTUDO MEDIEVAL, parte da disciplina já há alguns anos

Por Cristiana de Oliveira

Uma iniciativa da professora de História (Tereza Simões) em parceria com o professor de Artes (Adilson Trindade) de uma escola pública de Salvador vale destaque. Eles são docentes da escola Mário Augusto Teixeira de Freitas, localizada no Bairro de Nazaré, Salvador, Bahia. O Projeto criado por eles se chama CLIO ART. Alunos de 19 turmas, matutino e vespertino, numa faixa etária de 14 a 18 anos foram levados, como atividade das duas disciplinas, a produzirem curtas metragens usando mídias móveis.

Nas aulas de História o ponto de partida se deu por meio de um Projeto Educativo chamado A IMAGEM E A PALAVRA NO ESTUDO MEDIEVAL, parte da disciplina já há alguns anos. Eles estabelecem um elo entre o Cinema e a história no período medieval. Vêem filmes como: As Brumas de Avalon (dirigido por Uli Edel), Em nome de Deus (dirigido por Clive Donner),  O Sétimo Selo (do Ingmar Bergman), dentre outros. Depois dessas leituras eles se dividem em temáticas diversas, surgidas a princípio a partir desses filmes e depois culminando nas temáticas também atuais.

É nesse segundo momento que a parceria com o Professor de Artes se dá de maneira mais forte. Nas aulas de Artes eles se aproximam da linguagem cinematográfica, onde as possibilidades mais práticas de construção dos Curtas acontecem. Nessas aulas eles estudaram um pouco da história do Cinema, tiveram noções de como elaborar um Roteiro (fazendo leituras críticas de alguns já existentes), tiveram noções de fotografia, de figurino, de Argumento, etc.

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Em paralelo a isso, numa parceria com a VIVO, os alunos assistiram filmes do Circuito Sala de Arte (no Cine Vivo), para se familiarizarem com o estilo  mais alternativo e viram vários curtas do site www.portacurtas.com.br. Os alunos tiveram três semanas para construírem os roteiros, de cinco, sete e/ou dez minutos, e aproximadamente um mês para filmarem.

O resultado final foram mais de 50 vídeos produzidos e repassados para um Júri composto de três professores, desses vídeos, 6 foram selecionados. A culminância do Projeto se deu ontem, dia 06 de dezembro de 2011, na própria escola. Os seis vídeos selecionados receberam o Troféu Edgard Navarro (cineasta baiano que dirigiu filmes como Eu me Lembro e Super Outro). Os filmes foram exibidos aleatoriamente e no final foram anunciados na Ordem de Classificação:

lugar – Layd Laura. Que conta a história de uma adolescente, moradora do Alto do Cabrito, que ao invés de ir para a escola engana a mãe e vai cometer pequenos furtos com uma amiga que também não tem dinheiro, para curtir como desejam. Ao final, quando pegas em flagrante roubando a bolsa de uma vizinha, a amiga é presa e Layd Laura leva um tiro e morre.

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lugar – O Lado Certo da Vida Errada. Conta a história do envolvimento de um adolescente com o consumo e venda de drogas. Um curta bem interessante que mostra que as mães são sempre as últimas a saberem do envolvimento dos filmes, toca no fato de jovens serem usados como força de trabalho pelos traficantes, dessa falta de perdão quando o assunto é o tráfico e do quanto é cruel tudo o que gira em torno disso.

lugar – Vestido Azul. O Curta de terror que toca na questão do Bullyng. Uma menina que ia sempre com a mesma roupa para a escola e que aparentemente era bem estranha. Sofre várias gracinhas dos amigos até que um dia eles batem nela e a assassinam. Um deles a coloca num saco e joga no lixo. Depois da morte, o menino que a jogou no lixo começa, ou a ter alucinações ou a ver o fantasma da falecida.

lugar – Documentário. Relatos diversos também sobre Bullyng. Faz referência ao caso de Realengo. “O Bullyng acontece por cumplicidades de alguns, tolerância de outros e omissão de muitos.”

lugar – O Grande Amigo. Conta a trajetória na escola de um menino que sofre preconceito, tem o lanche roubado, apanha, etc. Um amigo percebe o quanto o garoto sofre com isso e se movimenta para que alguma coisa seja feita. Depois de um trabalho feito por um psicólogo que pede para descobrirem qualidades nos amigos há uma socialização do garoto que sofria bullyng com os outros. No final saem abraçados viram grandes amigos. É baseado numa história real acontecida dentro da escola.

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lugar – Menino de Rua. Um grupo de meninos de rua que viviam no Centro da Cidade e que ficavam do lado de fora da escola querendo entrar. Eles tiveram a oportunidade de estudar por meio de um professor de Sociologia chamado Marlon, que os encaminharam para o Projeto ECA vai à escola.

É bem verdade que a qualidade dos vídeos, sobretudo, de som e imagem, não é das melhores, por vários fatores: falta de recursos, imaturidade natural por conta da idade, inexperiência, etc. Mas o que vale destaque é a iniciativa, o fato de jovens de uma escola pública visitarem um Circuito Alternativo de Cinema e terem acesso à informações que normalmente não teriam na escola, onde pouco são levados em conta como agentes de transformação e seres socialmente importantes, na maioria das vezes.

Ações como estas merecem sempre serem divulgadas, bem como incentivadas.

Cristiana de Oliveira

Cristiana de Oliveira é professora universitária, crítica cultural e editora do site

2 respostas para “Projeto Clio Art”

  1. Tereza Simões é a melhor professora de História que se pode ter.
    Um dos motivos é a incorporação que sua disciplina passa a ter na nossa vida durante suas aulas.
    Prof.ª Teresa ensina que a história é feita de pessoas comuns para pessoas comuns. Portanto, ela não pode ser exterior ao nosso cotidiano.
    Parabéns!

  2. Grandes Mestres! grande Adilson ! parabens pelo projeto! `São projetos como este que merecem visibilidade e destaque na mídia A escola publica precisa de mestres com esse comprometimento na constução de uma educação de qualidade

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