Noite de Ano Novo – Cabine Cultural
Críticas

Noite de Ano Novo

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Noite de Ano Novo

Noite de Ano Novo

Gary Marshall é definitivamente um grande mestre na arte em que se propõe. Ele pode não ser dos diretores mais relevantes do atual cinema, nem dos mais complexos, mas a sua habilidade em produzir no espectador um gradativo desejo de adentrar em suas histórias é mais do que admirável.

E esse seu poder já foi posto à prova em filmes como Amigas Para Sempre, Noiva em Fuga, Idas e Vindas do Amor e até mesmo em Uma Linda Mulher. Muitas mulheres certamente já desejaram vivenciar a experiência pela qual a personagem interpretada pela Julia Roberts (Vivian) viveu, e o fato da atriz ter projetado neste filme uma garota de programa pouco importava, todas queriam um Richard Gere (Edward) em suas vidas. Com Noite de Ano Novo não é de modo algum diferente. A história, recheada de pseudo importantes personagens, não chama tanto a atenção pela sua sofisticação narrativa, nem pela sua engenhosidade em oferecer desfechos para os seus motes, mas ao final da exibição há aquela atmosfera mágica hollywoodiana, que faz por alguns segundos (ou mais) o espectador sentir plenamente a história contada, e querer também vivê-la de alguma forma. Esta atmosfera, que possui centenas de modelos pré-existentes, é representada na trama pelo intenso (e nada original) período de reveillon nova-iorquino.

A primeira história apresentada é a de Claire (Hilary Swank), responsável pela organização da festa de Ano Novo da Times Square. Seu trabalho acaba sendo atrapalhado por uma falha na famosa e gigante bola do reveillon de Nova York. O único que pode ajudá-la é Kominsky (Hector Elizondo), um antigo funcionário demitido há pouco tempo. Paralelo a isso acontece a badalada festa de máscaras, que conta com a presença do cantor Jensen (Jon Bon Jovi). Ele aproveita a ocasião para rever a antiga namorada Laura (Katherine Heigl), responsável pelo bufê do evento. Um dos anfitriões da festa é Sam (Josh Duhamel), que enfrenta problemas para chegar à cidade após ir ao casamento de amigos fora da cidade… Esses são apenas alguns dos micros-motes mostrados no filme, há muitos outros.

Como já é notório, é bem difícil desenvolver de modo mais adequado personalidades em um projeto com tantos personagens centrais. Neste sentido, algumas histórias acabaram sendo prejudicadas no resultado final obtido. A que envolve a personagem Ingrid, interpretada por Michelle Pfeiffer, é um bom exemplo desta escolha arriscada. Ela é uma secretária-executiva frustrada que decide em um único dia enfrentar suas resoluções não cumpridas. O que se observa a partir disso é uma série de situações que, além de nada plausíveis, soam tolas e superficiais demais.

E neste grande balaio de importantes atores, alguns se destacaram por apresentar atuações dignas e mais verossímeis (Hilary Swank) e outros por conseguirem a proeza de incitar o espectador a sentir aquilo que denomina-se vergonha alheia. O caso do ator/músico Jon Bon Jovi é bem interessante, pois é visível sua incapacidade de interpretar, na narrativa, um astro do rock, função esta que curiosamente ele vem exercendo há mais de 20 anos na sua vida real.

Também incomoda bastante a reprodução quase integral que alguns dos personagens de Noite de Ano Novo realizaram, comparando-se aos trabalhos que eles exercem em séries de televisão. Observa-se Sofia Vergara interpretando uma personagem bem semelhante à que ela encena na série Modern Family, Lea Michele reproduzindo seu papel em Glee e o Ashton Kutcher sendo mais do mesmo em relação ao que já fez anteriormente no cinema e também no seu trabalho mais atual, na série Two and a half men.

Mas no fim das contas, mesmo com esses problemas mais que perceptíveis, Feliz Ano Novo apresenta-se como uma pedida até interessante para estas próximas semanas, pois chega um momento em que o ser humano sente-se intensamente necessitado a possuir a esperança de que as coisas podem ao seu desfecho dar certo, mesmo que os caminhos que levem para isso sejam tortuosos.

Afinal, a felicidade pode até demorar para chegar, mas que ela chega em algum momento, ah… chega. Nem que seja tão somente numa tela projetada no cinema.


  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe uma resposta