Diário de Bordo - O Seminarista 30 de janeiro
Cinema

Diário de Bordo Seabra – 30 de janeiro

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O Seminarista

O Seminarista

Diário de Bordo – O Seminarista, de Mauricio Amorim – 30 de janeiro.

O dia amanheceu frio aqui na cidade. Muitos acharam que esse tempo continuaria durante todo o dia e que se chovesse (era o esperado) iria atrapalhar bastante as filmagens. Ledo engano. O sol escaldante abriu por volta do meio dia para nunca mais nos deixar. Acredito que a cor da pele de todos os envolvidos no projeto tenha mudado muito por conta deste trabalho realizado pelo sol em nossos corpos. Mas deixa pra lá.

As gravações desta segunda-feira se concentraram no povoado de Campestre (faz parte da cidade de Seabra) e duraram de 10 horas da manhã, quando a primeira equipe saiu, até quase 6 horas da tarde. A sequência que seria gravada era das mais importantes para o filme: uma procissão seguida de um ‘encontro’ crucial para o desfecho da história. Alguns temiam que as dificuldades para filmar esta parte da trama seriam bem grandes, o que se revelou o contrário, pois não houve maiores problemas.

Como a sequência era de uma procissão, a equipe necessitaria de uma quantidade razoável de figurantes. Os moradores do povoado lembraram que se esta cena fosse filmada no domingo, não haveria nenhum problema com isso, já que neste dia o local fica cheio de pessoas, que, curiosas ou não, certamente daria um jeito de participar dos trabalhos. Porém numa segunda-feira a situação se mostrava bem diferente: moradores nas lavouras, em outras cidades, em seus trabalhos… enfim, um quase vazio no povoado, fazendo da tarefa de conseguir figurantes um dos momentos mais complicados do dia. Claro que no fim das contas apareceram alguns, até mais do que a equipe imaginava no momento, mas se fosse num domingo, ah, seria diferente.

A equipe de produção trabalhou muito nesta segunda, já que todos os atores (exceto Fernando Neves e Edson Cardoso) estavam no povoado, contracenariam juntos e por isso o trabalho de figurino e maquiagem foi bem intenso. Acredito que a manhã toda foi dedicada a preparação do figurino e a elaboração da maquiagem.

Sobre o povoado
Segundo a Wikipédia: “Provavelmente, na mesma época surge a povoação de Campestre que foi a primeira Sede do município. Campestre pertencia na época ao município de Nossa Senhora do Livramento do Rio de Contas. Em 15 de Março de 1847 foi elevada à Sede de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campestre, confirmada pela Lei Providencial 899 de 15 de Maio de 1863 que criava o distrito de paz de campestre”.

O lugar era bem rústico, deserto e no meio do nada. Foram cerca de 20 minutos de viagem (de carro), passando por estradas que definitivamente não poderiam ser chamadas com esse nome de tão ruins que eram. O mais curioso foi saber que comparado com as outras estradas que a equipe já passou, essa era quase um paraíso. Chegando lá, todos foram para um canto, transformando-o rapidamente em ‘backstage’, alguns foram para a sede da associação de moradores do povoado. E assim começou o trabalho de se enturmar com os moradores para depois chamá-los para a figuração da cena. Neste processo de se enturmar acabamos descobrindo pelos moradores que o local foi locação de  um longa-metragem (ou curta) faz pouco tempo, era uma espécie de filme de guerra que mostrava acontecimentos reais do povoado tempos atrás. Vou procurar informações sobre este filme depois. Alguns senhores e senhoras começaram a nos contar histórias sobre as filmagens deste projeto, todos lembram com muito carinho e torcem para que um dia possam assistir ao filme. [O diretor havia prometido exibição para o dia 7 de dezembro]

Filmagens
Lá pelas 3 da tarde começaram para valer os trabalhos do dia. Os atores e parte da produção subiram uma ladeira (pequena) e foram nas casas procurar por moradores/figurantes. Seria lá em cima da ladeira também que a cena começaria a ser gravada. A cena consistia num cortejo, numa procissão onde todos levariam a imagem de uma santa até a porta da igreja, que ficava bem ao centro do povoado. Logo de início, as crianças se predispuseram a participar, afinal de contas, basta uma câmera para  os meninos e meninas ficarem em rebuliço. Depois de algum tempo buscando figurantes, começaram a chegar alguns, uma senhorazinha em especial, que não somente participou como também liderou toda a equipe e ainda entoou os cânticos tão tradicionais nestas ocasiões. Começa as gravações, sol infernal lá em cima, mas todos muito dispostos ao trabalho. Foram relativamente poucas tomadas, a cena acabou sendo refeita algumas vezes para a câmera fechar ora em um, ora em outro personagem. Depois desta sequência filmada a equipe preparou os dois atores (Érica Souza e Bruno Neves) para a próxima tomada, uma das mais importantes do filme, que necessitaria de muita concentração por parte de todos. Acabou que também não houve problemas maiores para a gravação dela, algumas tomadas a mais, porém nada de muito complicado. Cenas gravadas, volta para Seabra, fim do dia, filmagens agora só na tarde de terça-feira. Pela manhã (meio-dia) a equipe irá a um programa de rádio local divulgar o filme.

Até amanhã.

Nota 1 – Alguns membros da equipe de produção se despediram hoje.
Nota 2 – Teve um acidente de carro feio no domingo por aqui; hoje descobri que o motorista de um dos carros faleceu e que duas crianças estão em Salvador em estado bem grave.

* O Cabine Cultural foi convidado pela produção do filme para realizar  cobertura jornalística.


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