Vanguart
Música

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Quatro anos após o bem sucedido álbum de estreia, o Vanguart, banda de folk rock matogrossense, lançou seu segundo projeto de estúdio, Boa parte de mim vai embora (2011), título que por sinal habita com certa profundidade em grande parte das faixas gravadas, trazendo um tom bem confessional ao trabalho dos rapazes, em especial ao vocalista e letrista, Helio Flanders.

Formado por Helio, David Dafré, Reginaldo Lincoln, Luiz Lazzaroto, Douglas Godoy, além da mais nova integrante, Fernanda Kostchak, o Vanguart se fez notar no cenário independente em 2006, com o single Semáforo, que já apresentava as características peculiares da banda, tais como a pegada folk rock muito bem conduzidas pelos músicos, além das letras bem construídas, que dá um tom original aos dois álbuns, além de destacá-los num cenário musical onde tal elemento artístico é pouco valorizado.

O primeiro trabalho foi apresentado em meados de 2007, trazendo composições escritas em português, inglês e espanhol, com bastante influências de folk rock e rock clássico. Percebe-se uma atmosfera que nos remete às canções de artistas como Johnny Cash, Bob Dylan, The Beatles e Neil Young, o que somente agrega qualidade ao já interessante trabalho de estreia. Vale destaque o folk rock com tons psicodélicos de Cachaça, a bela balada folk Los chicos de Ayer, e Antes que eu me esqueça, com traços do rock seiscentista inglês.    

Um ano após o debut, veio o DVD Multishow Registro Vanguart, que contou com a participação de nomes como o Maestro Arthur de Faria, Luiz Carlini, Quarteto de Cordas, entre outros. Desde então, o grupo tem passado por uma série de mudanças, valendo menção para a geográfica, já que os rapazes deixaram Cuiabá e partiram para São Paulo, maior centro do show business no Brasil. Mudanças necessárias, reflexões naturais, escolhas profissionais e pessoais, todos esses conceitos foram chaves para a construção e apresentação do novo álbum, Boa parte de mim vai embora, lançado em agosto de 2011.

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Os acordes iniciais saídos do mais recente projeto já trazem consigo a deliciosa Mi vida eres tu, que lança ao ouvinte um dos temas centrais presentes nas treze faixas: perdas, amorosas ou não. Helio aqui canta em tom emocional “e se eu sou triste, a causa é você”. Na faixa seguinte, temos a simples e bela Se tiver que ser na balada, vai, bem agradável e que traz uma batida que cresce ao longo da canção.

Em Desmentindo a despedida, melodia e letra fazem uma boa junção, trazendo o foco mais uma vez para a idéia de perda, que é intensificada na faixa Nessa cidade, onde Helio, em tom confessional, diz “e não vem me dizer que é errado, você sabe o que aconteceu, boa parte de mim vai embora, a sua parte que hoje sou eu…”. As faixas seguintes, Engole (Arde mais que brasa em pele quente), A patinha da garça e Eu vou lá trazem o melhor que o Vanguart pode oferecer: letras bem construídas, melodias folk realizadas com eficiência e vocais emotivos, mas não exagerados. Em Onde você parou, um dos destaques do álbum, a gaita, junto aos vocais e um bom trabalho de violão, traz de volta os ares da década de sessenta.

Esta atmosfera continua na canção seguinte, Das lágrimas, com vocais divididos de modo harmonioso. Na doce Amigo, vemos mais nitidamente o trabalho de violino realizado pela nova integrante da banda, Fernanda Kostchak. Morrerão e O que a gente podia fazer traz mais do tom confessional/emocional dos vocais de Helio Flandres. O álbum chega ao fim com a canção Depressa, que ao abordar idas, vindas, partidas, encontros e desencontros, acaba sintetizando tudo o que o novo álbum do Vanguart busca passar.

Boa parte de mim vai embora representa uma acertada busca pela maturação na discografia da banda e certamente podemos considerá-lo um dos grandes álbuns nacionais de 2011, cabendo tão somente ao tempo mostrar a real importância deste trabalho na biografia do Vanguart.


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