Festival do Júri Popular – Programa Dois – Cabine Cultural
Cinema

Festival do Júri Popular – Programa Dois

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Estamos de volta com os comentários do programa dois do Festival do Júri Popular edição de 2012. Originalmente marcada para o inicio do mês de fevereiro, a edição teve que ser reapresentada por conta da greve que assolou a capital baiana na época. O Festival do Júri Popular é um evento onde cerca de 30 filmes de vídeos concorrem em 8 categorias e quem escolhe os vencedores é o público.

Ele aconteceu nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Vitória, Belo Horizonte, Recife, Goiânia, Aracaju, Fortaleza, São Luís, João Pessoa, Teresina, Belém e também em Salvador.

Vamos ao programa número dois.
Acercadacana, de Felipe Peres Calheiros, PE
[Fernando] Nos anos 90, com a valorização do etanol e a expansão do latifúndio canavieiro, 15 mil famílias foram expulsas dos seus sítios na zona da mata de Pernambuco. Maria Francisca decidiu resistir. Assim, Felipe Peres construiu um trabalho que alia o prazer de ver um interessante filme com a obrigação de tomar conhecimento de um tema dos mais relevantes socialmente. O curta-metragem é tenso, pois por vezes chega a entrar em embate com representantes do latifundiário. A câmera na mão ajuda a criar esta atmosfera, que no fim das contas se mostra como um importante trabalho de denúncia social.

Dona Sonia pediu uma arma para seu vizinho Alcides, de Gabriel Martins, MG
[Fernando] A vingança de Dona Sônia, uma dona de casa. Ela encontra em Alcides, seu vizinho, e em André, o realizador do documentário, a oportunidade de vingar a morte de seu filho. Mais um curta-metragem que Gabriel Martins trabalha com um roteiro engenhoso. Aqui, tal como em Contagem, há momentos de se pensar no que está acontecendo, se o entendimento que se tem da história é mesmo este e não aquele. Esse é mais uma vez o grande trunfo de Gabriel como cineasta. A história é bem interessante, primeiro por conta de seu desenvolvimento narrativo e depois por todos os elementos de metalinguagem incluídos na trama.

Fica, de João Toledo, MG
[Fernando] Vídeo experimental bem curto, com cerca de 4 minutos de duração. Trabalho um tanto estranho, imagens escurecidas que remetem a ideia de partida, como se alguém ali estivesse se despedindo e a câmera captasse este momento.

Irmãs, de Gian Orsini, PB
[Fernando] O documentário As irmãs relata uma série de eventos que ocorreram na segunda guerra mundial numa cidadezinha da Paraíba (Areia, se não me engano). São histórias bem interessantes e curiosas, como a de um possível túnel que ligava a cidade com a Alemanha. Incrível. E tudo isso tendo como fio condutor a chegada e permanência das irmãs que dá título ao documentário. Bem produzido, merecedor de elogios.

Náufragos, de Matheus Rocha e Gabriela Amaral Almeida, BA
[Fernando] Náufragos é mais um trabalho bem produzido da baiana (radicada em São Paulo) Gabriela Amaral. Só que agora ela divide as responsabilidades com Matheus Rocha e cria uma história cheia de simbolismos e metáforas. Toda a jornada que a senhorinha do curta-metragem passa é muito bonita (e um tanto estranha). Possui elementos de suspense – tal como Uma Primavera, seu outro trabalho – e mais uma vez este elemento serve como auxilio para uma história com referências mais amplas. Um bom trabalho de montagem, que culmina num desfecho dos mais bacanas deste festival.    

Ovos de dinossauro na sala de estar, de Rafael Urban, PR
[Fernando] O curta-metragem mostra a história de Nhild Borgomanero, 77 anos, que estudou fotografia digital e fez cursos de Photoshop para manter viva a memória de seu falecido esposo. A ambientação e o uso que a produção do projeto faz dela é um dos pontos mais fortes do filme. Com um trabalho de direção de arte admirável, o curta agrega qualidades ao tratar de uma história interessante para se ouvir. O carisma da senhora do filme salta os olhos e ajuda e muito no processo de empatia do espectador para com o documentário.

Vó Maria, de Tomás von der Osten, PR
[Fernando] Em Vó Maria Tomás von der Osten volta a exercitar a arte de contar para todos um pouco mais da história de uma avó (a dele, talvez). Ele já havia feito isso em Miragem, onde cola o áudio de uma conversa com a avó com imagens do céu, numa interessante junção de formatos. Aqui o trabalho é mais documental, e para isso ele utiliza-se de uma fotografia bem antiga de uma mulher que já foi avó, bisavó… tal fotografia vai sendo mostrada aos poucos, e assim histórias vão sendo contadas. O curta-metragem te prende pelo sentimento que todos temos em relação com as nossas avós. Uma temática bonita e uma história bem contada, produzida e dirigida. Trabalho bem simpático.


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