Festival do Júri Popular – Programa Três – Cabine Cultural
Cinema

Festival do Júri Popular – Programa Três

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Foto Jirka Holan

Foto Jirka Holan

Estamos de volta com os comentários do programa três do Festival do Júri Popularedição de 2012. Originalmente marcada para o inicio do mês de fevereiro, a edição teve que ser reapresentada por conta da greve que assolou a capital baiana na época. O Festival do Júri Popular é um evento onde cerca de 30 filmes de vídeos concorrem em 8 categorias e quem escolhe os vencedores é o público.

Ele aconteceu nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Vitória, Belo Horizonte, Recife, Goiânia, Aracaju, Fortaleza, São Luís, João Pessoa, Teresina, Belém e também em Salvador.

Vamos ao programa número três.
A poeira e o vento, de Marcos Pimentel, MG
[Fernando] Documentário sobre o cotidiano de um pequeno vilarejo rural, de difícil acesso, no interior de Minas Gerais, nas imediações do Parque Estadual de Ibitipoca. Apesar do turismo crescente na região, a rotina das famílias que ali vivem há anos ainda não mudou. O trabalho de fotografia e a escolha dos ambientes são o ponto forte deste trabalho. Plasticamente muito bonito, com tomadas de closes nos moradores que fazem com que as imagens falem por si só. Belo trabalho.

Cachoeira, de Sergio Andrade, AM
[Fernando] Inspirado em fatos reais. Um grupo de jovens indígenas do alto Rio Negro, no Amazonas, participa de rituais em que misturam bebidas e fazem um pacto mortal e místico. Um dos grandes méritos do curta-metragem foi de fato não estereotipar a comunidade jovem indígena, trazendo elementos que dialogam com o mundo urbano e assim dando um tom mais verossímil ao projeto e ao que de fato é a vida em muitas comunidades indígenas. Trabalho de edição bem interessante, com trilha sonora que se destaca, por ser bem diferente do que qualquer um imaginaria de início.

Calma Monga, calma!, de Petrônio Lorena, PE
[Fernando] Na trama, vários homens do Recife estão sendo atacados e assassinados pela “mulher macaco”, a monga. Um trabalho que busca através de situações bizarras mostrar certos descompassos sociais apresentados na sociedade recifense. Interessante a parte onde são inseridas entrevistas com moradores locais, repercutindo os tais ataques. Mas falta algo que faça o curta-metragem engrenar, talvez o tom espalhafatoso demais prejudique o seu resultado final, mas ainda assim é um trabalho interessante. De razoável para bom. Não mais que isso.

Inquérito Policial nº 0521/09, de Vinícius Casimiro, SP
[Fernando] Por meio de evidências em vídeo, policiais tentam desvendar um misterioso caso de sequestro e assassinato. Esta história começa de modo bem arrastado, o que para um curta-metragem não conta ponto algum a favor. Mais para frente ela absorve uma atmosfera de filme de ação policial e assim dá um belo de um gás na trama. A edição é bem interessante, busca uma engenhosidade narrativa; certamente isto deve ter sido pensado com antecedência. No fim das contas, é um bom curta, mas tem momentos que chegam a irritar de tão arrastado.

Mais denso que sangue, de Ian Abé, PB
[Fernando] Um forasteiro chega a Cabaceiras e se camufla na multidão que acompanha a comemoração à semana santa. Ele está armado. Um Taurus com quatro balas ponta oca e duas normais. A partir daí vemos uma história de bang bang, perseguição e com ares de filmes de faroeste e vingança. Esses elementos deixam a história dinâmica, mas fica uma sensação de que a trama que está sendo contada não possui fio condutor algum. Tenta fazer metáforas com a santa ceia e com os simbolismos contidos no novo testamento cristão, mas essa tentativa deixa um pouco a desejar. O desfecho é interessante, não te deixa sonolento, mas empolga menos do que poderia.

Meu medo, de Murilo Hauser, PR
[Fernando] Independente de sua causa, o medo geralmente faz com que os sentidos da visão e da audição sejam despertados. O curta traz um pouco desta paranóia contemporânea, onde até mesmo em seu próprio lar você se sente amedrontado. O medo aqui é subjetivo, psicológico e quase que alucinógeno, pois vemos os móveis de uma casa criando vida. O trabalho de câmera é bem acertado ao mostrar takes diversos da casa, seja numa goteira da banheira, seja no bule fervendo e logo depois entrar propriamente no sentimento do medo. Trilha sonora casa bem com as ideias trabalhadas na história.


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