Festival de Cinema Universitário da Bahia - Debates – Cabine Cultural
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Festival de Cinema Universitário da Bahia – Debates

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Hoje no “Catarse.me” existem 45 projetos no ar, a maioria de São Paulo e do Rio de Janeiro, alguns de Porto Alegre (já que um dos idealizadores do site é de lá) e nenhum projeto do Norte/Nordeste

Por Cristiana de Oliveira

Na maioria das vezes um dos pontos fortes dos festivais são as mesas redondas. No 2º Festival de Cinema Universitário da Bahia aconteceu no sábado, dia 17 de março, o debate em torno dos Processos Colaborativos de Captação de Recursos. Estiveram presentes Luís Otávio Ribeiro, um dos idealizados do “Catarse.me” (site de captação de recursos para projetos independentes), Daniel Lisboa, realizador aqui da Bahia e que lançou recentemente uma campanha via redes sociais e André D’Élia, realizador de São Paulo que fez uso do “Catarse.me” numa de suas campanhas muito bem sucedidas. A mesa foi intermediada por Fernanda Bezerra, representante do Festival. A primeira reflexão se deu em torno do surgimento quase que necessário de uma ferramenta de captação de recursos mesmo numa população que não tem o hábito de contribuir com cultura, já que a princípio entende-se que essa é uma responsabilidade dos gestores públicos.

A discussão foi bem interessante e levou-se em conta essas três principais formas de captação: os editais, o cartarse.me e os projetos ainda mais independentes, sem vinculação alguma, como é o Tesourada, de Daniel Lisboa. O primeiro a ter a palavra foi Luís Otávio, falando um pouco de como funciona o “Catarse.me”. Algumas coisas são importantes, diz, define-se uma meta e um prazo, se o projeto não se efetivar e não der certo nesse prazo há a devolução de dinheiro para todas as pessoas que contribuíram. É importante ressaltar que o planejamento bem feito e bem pensado é uma das chaves de um bom projeto. É preciso também estabelecer algumas recompensas, ou seja, o que vai ser oferecido em troca para as pessoas que colaborarem com alguma quantia. E o mais importante, o vídeo, que será veiculado nas redes sociais como um cartão de visita para o projeto dar certo. O projeto normalmente é orçado em cima do valor mínimo necessário e começa com a iniciativa de amigos e depois se expande. Hoje no “Catarse.me” existem 45 projetos no ar, a maioria de São Paulo e do Rio de Janeiro, alguns de Porto Alegre (já que um dos idealizadores do site é de lá) e nenhum projeto do Norte/Nordeste. Nos Estados Unidos, que serviu como exemplo, já foram financiados mais de 100.000 projetos, mais de 1000 milhões de dólares.

O segundo a falar foi André, que fez o Vida sobre Rodas e usou o “Catarse.me” para o Projeto Belo Monte, anúncio de uma guerra que foi orçado em R$ 114.000,00 (cento e quatorze mil reais) e conseguiu arrecadar cerca de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais) com um apoio a cada três minutos. André conta que procurou o site já no último momento de desespero e de como foi importante a ferramenta do financiamento coletivo como projeto incentivado. Lembrou que 90% dos acessos aos vídeos são feitos pelo facebook, daí a importância das redes sociais nesse momento de surgimento de uma nova forma de apoio. E por fim, quem teve a palavra foi Daniel Lisboa (foto), da produtora Cavalo do Cão. Conta que tinha em mente três opções: os editais, onde tem-se todo o processo de espera e também a possibilidade de não ganhar, o que desamina em algum sentido porque fica-se refém de uma verba que nem sempre aparece, apesar do conforto. Tinha o “Catarse.me”, onde já existia vários projetos bem sucedidos e teve vontade de arriscar num projeto ainda mais autônomo.

O Tesourada surgiu com essa vontade de ver o que ia acontecer. É interessante como o projeto ganha força e isso agrada como forma de crença no nosso trabalho. O Tesourada é o primeiro e isso pode abrir uma brecha de forma bem positiva. Levantar a bandeira de protesto contra as políticas públicas, dessa coisa que às vezes é falsa de edital todo ano e o mais essencial é fazer o que se quer sem vinculação nenhuma, sem nenhum tipo de sensura, sem estar prezo ou ligado a ninguém.

Cristiana de Oliveira

Cristiana de Oliveira é professora universitária, crítica cultural e editora do site


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