Moraes Moreira – Cabine Cultural
Música Notícias

Moraes Moreira

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Moraes Moreira

Moraes Moreira

Antônio Carlos Moreira Pires. Ou melhor, Moraes Moreira. Apresento-lhes um dos artistas mais interessantes das últimas décadas na Bahia,  no Brasil, no mundo. E o termo aqui não é aquele vago, que todos dizem quando não possuem adjetivo mais pomposo para mencionar. Moraes é um dos artistas que mais me interessou na minha fase adolescente (interesse este que perdura até hoje). Meu interesse era genuíno, via na sua música algo que não conseguia entender. De verdade. Eu era fã de The Beatles, de rock e coisas do tipo. Mas ao mesmo tempo quando o ouvia, me deparava com algo único, com uma intensidade musical e uma sonoridade original que me impressionava. Deparava-me assim com Antônio Carlos Moreira Pires. Ou melhor, Moraes Moreira. E claro que o considero um rock-star também, sua discografia não mente, ao menos quando ele fazia parte do lendário e sensacional grupo Novos Baianos. Aquilo era rock, era pop, era MPB e era tudo o mais. Era basicamente o supra-sumo da boa música pra mim, perdoe-me a redundância.

Descobri bem depois que as referências musicais de Moraes na juventude eram parecidas com as minhas: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Edu Lobo… Sem falar nos mais clássicos (já que estes citados são contemporâneos dele).

Sei também que ele lançou em 1978 a canção Pombo correio, talvez seu primeirogrande hit comercial, foi a sua porta de entrada para o show bussines, e foi certamente a canção que me fez conhecê-lo melhor. A música era simples, mas com uma energia ingênua de dar gosto. Prazeroso demais escutá-la, escutá-la…

Depois veio Grito de guerra e logo a seguir Festa do interior. Gosto muito destas duas, representa muito bem a história de Moraes Moreira.

Ninguém matava, ninguém morria. Nas trincheiras da alegria. O que explodia era o amor. E ardia aquela fogueira. Que me esquentava a vida inteira. Eterna noite sempre a primeira. Festa do interior.

Era só levantar os braços e mexê-los para lá e para cá. E com os dedos apontados para o céu.

Chegamos à década de 90 e logo no início, bem no início mesmo, surge uma parceria das mais legais para Moraes, para seus fãs e para mim especialmente. Em 1991 ele lançou o disco Cidadão, e o destaque vai para Leda, parceria com o grande e maravilhoso Paulo Leminski.

Lembro que foi nessa época, talvez um pouco antes, que Moraes Moreira começou a chatear-se com a organização do carnaval de Salvador. Assim, ele fez escolhas que alguns não entenderam (e não entendem até hoje). Talvez ele tenha sido um dos primeiros a perceber o quanto nosso carnaval estava perdendo identidade, por conta principalmente de um processo bem intenso de comercialização do mesmo, valorizando cada vez mais artistas com viés mais televisivos, em vez de fazer sobressair-se os verdadeiros comandantes desta imensa festa: o povo.

Em 1997, com o CD Estados, ele comemorava 50 anos de idade. Lançava assim o CD 50 Carnavais, com sete canções inéditas e cinco regravações de antigos sucessos. Entre suas principais composições estavam: Preta pretinha, É ferro na boneca, De Vera, Colégio de Aplicação e Felicidade no ar. Claro que existem muito mais canções, mas fico aqui com somente essas para não me alongar por demais.

Assim vou lhe chamar, assim você vai ser. Abra a porta e a janela e vem ver o sol nascer. Eu sou um pássaro que vivo avoando. Vivo avoando sem nunca mais parar…
ai, ai saudade não venha me matar.

Quem nunca ouviu essa pérola do cancioneiro popular brasileiro que levante o dedo!


  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe uma resposta