A Era do Gelo 4 | Cabine Cultural
Críticas

A Era do Gelo 4

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

A Era do Gelo 4

A Era do Gelo 4

A Era do Gelo 4 estreou nesta sexta-feira trazendo consigo aquela velha pergunta feita por qualquer cinéfilo que se preze: qual o momento certo para por fim em uma franquia? Claro que esta questão possui duas perspectivas diferentes, sendo desnecessário colocar no mesmo grupo franquias de animação como A Era do Gelo e franquias de cinema live action, como Missão Impossível, por exemplo. Muitos acreditam que animações (as infantis, sobretudo) não possuem esta necessidade narrativa, pois seu público alvo (prioritariamente crianças e pré-adolescentes) não se preocupa tanto com o desenvolvimento da história central, o que ele quer ver é mais do mesmo. Mas chega-se um momento que a queda de qualidade se torna algo de visibilidade muito evidente, e ai mesmo que o número de espectadores ainda seja satisfatório, torna-se um dever de todos clamar pelo seu fim. Acredito que esse momento chegou para A Era do Gelo.

Entrando na trama, temos aqui o esquilo Scrat, que em busca de sua tão sonhada noz acaba provocando a separação dos continentes. A situação provoca uma migração dos amigos Manny (Ray Romano/Diego Vilela), Diego (Denis Leary/Márcio Garcia) e Siid (John Leguizamo/Tadeu Mello). Só que um terremoto faz com que o trio fique preso em um iceberg, enquanto que Ellie (Queen Latifah/Carla Pompílio) e a pequena Amora (Keke Palmer/Bruna Laynes) permanecem no continente. Em alto mar, Manny promete que irá encontrá-las a qualquer custo, mas para tanto precisará enfrentar perigosos piratas e o canto das sereias.

Leia+  Crítica “Em Defesa de Cristo”: a passagem do ateísmo à fé aos olhos de um jornalista

O grande problema da quarta parte da história é a falta de timing nas situações que eram para ser cômicas. É uma linha bem tênue esta que faz uma cena boba ser ou não engraçada e fazer assim os espectadores rirem. Madagascar 3, por exemplo, contém muitas situações parecidas na sua estrutura narrativa, porém é mais bem sucedido que A Era do Gelo 4 no trabalho de fazer o público gargalhar.

No entanto, há bons momentos para serem destacados. Primeiro: realmente é sempre bom (para os fãs, claro) ver mais uma vez o trio Manny, Diego e Siid em ação. Eles não precisam nem se esforçar muito para deixar o espectador com um sorriso no rosto. E neste quarto episódio, a direção decidiu estreitar ainda mais os laços do trio, transformando-os de vez por todas em uma nova família.

Leia+  Crítica “Os Guardiões”: bom, ruim, ótimo ou um desastre?

Falando em família, talvez seja este o conceito chave desta jornada. O roteiro desenvolve os três principais plotes da história com esta base. No núcleo de Manny, assistimos ele lidando com sua filha Amora, uma mamute adolescente que, como qualquer outra nesta fase, deseja mais liberdade para desfrutar seus dias com os amigos e poder namorar em paz. A partir desta relação de pai protetor com filha adolescente, a história passa a criar toda uma moral que ao final proporciona um sentimento familiar bem forte.

Com a preguiça Siid a questão é outra: ele recebe a visita de sua tão aguardada família, que permanece em cena por poucos minutos. A função exercida por eles é somente inserir a avó de Siid na sua história e na vida de todos os outros personagens. Ela, bem difícil de lidar, vai construir uma interessante relação com seu neto, apresentando assim mais uma moral familiar para esta quarta parte da franquia.

Por fim temos o tigre Diego, que somente agora passou a ter uma companhia de sua espécie, por assim dizer. Sua relação com Shira começa bem confusa, mas com o passar da história percebe-se que há ali provavelmente o grande amor da vida do tigre.

Leia+  Crítica: vale a pena assistir Mãe! (Mother), nova obra de Darren Aronofsky?

Ao final, A Era do Gelo 4 mostra-se bastante inferior aos dois primeiros filmes da saga, se aproximando mais do terceiro, que já mostrava sinais de desgaste. O 3D tem uma função aqui muito mais de oferecer uma perspectiva mais aprofundada em algumas cenas, como por exemplo, a de uma grandiosa tempestade que faz o trio passar por maus bocados. Os efeitos propriamente ditos são poucos e não agregam em nada para a história. Os novos personagens não conseguem dar um novo gás para a saga e alguns até chegam a criar situações não tão agradáveis (ver a baba sair da boca da Vovó não é nada prazeroso).

Ainda assim a experiência não chega a ser desagradável, pois como disse anteriormente, ver o trio principal em ação e principalmente o lendário esquilo Scrat na sua épica batalha por uma noz traz sempre momentos agradáveis para todos.



  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe uma resposta