Teatros de Salvador: especial história da Bahia | Cabine Cultural
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Teatros de Salvador: especial história da Bahia

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Teatro Vila Velha

Teatro Vila Velha

Pequeno histórico dos principais teatros da cidade de Salvador. Confira!

A cidade de Salvador, uma das mais culturais do país, possui um número relativamente grande de teatros. Não chega a se comparar com as maiores cidades do eixo sul-sudeste, mas também não deixa tanto a desejar. São alguns bons teatros e outros que foram (e são) relevantes culturalmente. A seguir mostraremos um pequeno histórico de alguns dos principais espaços teatrais da cidade, e com o tempo faremos uma segunda parte, com outros que não entraram neste post.

Teatro Castro Alves
A história do Teatro Castro Alves começa no dia 2 de julho de 1948, com um projeto de lei encaminhado à Assembléia Legislativa da Bahia. As obras começaram no dia 2 de julho de 1957, com projeto de autoria dos arquitetos Bina Fonyat e Humberto Lopes, que recebeu uma menção honrosa na 1ª Bienal de Artes Plásticas de Teatro, em São Paulo. A construção ficou a cargo da companhia Norberto Odebrecht e foi entregue um ano depois. A inauguração do complexo foi adiada em nove anos após um incêndio. O TCA foi inauguração em 4 de março de 1967 e teve a presença do então Presidente da República Castelo Branco e do Governador Lomanto Júnior.

Nos anos seguintes o TCA foi palco de espetáculos que marcaram época, como o memorável show com Caetano Veloso e Chico Buarque, que resultou na gravação de um disco ao vivo. Também entrou para a história a emocionante apresentação de despedida do Brasil de Caetano e Gilberto Gil, antes de irem para o exílio na Inglaterra, durante os anos 70. Em julho de 1989 o TCA fechou suas portas para uma reforma, mas não sem antes ter uma despedida em grande estilo: um concerto da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) com o Afoxé Filhos de Gandhy. A reinauguração do complexo em 1993 também foi marcante, com concerto da OSBA e show de três grandes estrelas baianas: João Gilberto, Maria Bethânia e Gal Costa.

Teatro Gamboa Nova
As cortinas avermelhadas do Teatro Gamboa Nova se abriram pela primeira vez em 13 de junho de 1974, com a apresentação do espetáculo No Mundo do Faz de Conta. Após essa noite, o teatro voltou a receber inúmeras peças, coreografias e shows que agitam a cena artística baiana. A história do teatro pode ser contada por meio dos espetáculos encenados e dos artistas que passaram pelo seu palco. Apresentaram-se no Gamboa Nova Álvaro Guimarães (As Criadas), Nonatho Freire (Spiritvalisom), Rita Assemany (Oficina Condessada), Marcio Meirelles, Fernando Guerreiro e Zizi Possi. Em julho de 2007, o espaço iniciou uma nova fase, com um olhar para o futuro, mas respeitando seu passado. Assim, o espaço cultural passou a se manter na categoria de teatro transgressor, sendo um local democrático que oferece programação diversificada e acesso a preços populares.

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Teatro Castro Alves por dentro.

Teatro Jorge Amado
Em 9 de Agosto de 1997 o Curso de Inglês UEC entregou à Cidade da Bahia dois espaços para realização de eventos artístico-culturais: o Teatro Jorge Amado e o Espaço Calazans Neto. O primeiro, um teatro completo, pensado e construído com as condições exemplares para abrigar as mais diversas linguagens artísticas, eventos educacionais, culturais e festivos. O segundo, o foyer do teatro, um espaço democrático para mostras de artes plásticas e lançamento de livros. Em 2010 o UEC fechou suas portas e o Teatro Jorge Amado se viu na eminência de deixar de existir. Imediatamente os artistas, a imprensa e o público soteropolitano engajaram-se em um movimento que reverteu este quadro e impediu o leilão do imóvel, contando com a sensibilidade da Desenbahia, do Governo do Estado e finalmente do Tribunal de Justiça da Bahia, que hoje ocupa o prédio e permite a continuidade das atividades do Teatro Jorge Amado.

Foram 4.450 apresentações realizadas de 1997 a 2012, um público estimado em 1.250.000 pessoas.  Uma história de muita luta e de muito sucesso. Espaço Calazans Neto – Foram realizadas 75 exposições de artes plásticas e mostras fotográficas, onde inúmeros artistas tiveram a oportunidade de realizar suas primeiras exposições individuais. Através da produção de 05 editais para ocupação de pautas, 15 novos artistas foram escolhidos para receber prêmios e viabilizar seus projetos.

Teatro Martim Gonçalves
Em 1958 foi inaugurado o Teatro Santo Antônio ( no aniversário de 40 anos da Escola este foi rebatizado para Teatro Martim Gonçalves), fazendo parte do complexo arquitetônico do casarão. Na época, este teatro era uma construção provisória para que futuramente fosse realizada a construção definitiva. Hoje, após 50 anos, o antigo Teatro Santo Antônio (atual Teatro Martim Gonçalves) foi reinaugurado em 01 de outubro de 2007, tendo como base a concepção inicial de palco italiano, com plena caixa cênica que permite aos estudantes e professores uma infra-estrutura física para ensino e produções teatrais em condições compatíveis com as necessidades de uma Escola de Teatro que é referência nacional e que tem no teatro seu principal laboratório de ensino, pesquisa e extensão. O antigo teatro foi demolido e reconstruído, elevando-se a altura do mesmo para que fosse colocada o piso da sofita de iluminação e cenotecnia (estrutura de aço, com passarelas para colocação de refletores e subida/descida de cenários); o palco italiano foi ampliado, assim como seus palco giratório, fosso, coxias laterais; foram construídos dois amplos camarins laterais; a platéia também foi ampliada em aclive para 194 lugares, assim como o foyer; foram construídos novos sanitários masculino/feminino e para deficientes físicos, cabine de som e luz; foi construída a casa de ar condicionado, sala de dimmers, e sub-estação abrigada. As instalações elétricas, climatização, sonorização, cenotecnia, iluminação cênica, foram também realizadas. Foi necessária a realização da drenagem/urbanização da área externa, envolta do teatro, para que futuramente o mesmo mantenha-se sem umidade.

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Com a conclusão da reconstrução do Teatro Martim Gonçalves, a Escola de Teatro da UFBA voltou a proporcionar ao desenvolvimento da cultura na Bahia, um teatro com equipamentos adequados às novas tecnologias de sonorização, iluminação, cenotecnia, climatização e acústica. Assegurando, também, aos seus professores, alunos, técnicos e a comunidade em geral, uma estrutura moderna de formação artística e técnica para a produção cênica nas próximas décadas. O público tem um Teatro em condições compatíveis com os teatros atuais existentes no país.

Teatro Martim Gonçalves.

Teatro Martim Gonçalves.

Teatro Módulo
Inaugurado em 1997, possui palco italiano, varas móveis e pé direito com mais de 10m. 418 lugares em duas platéias: térrea e balcão. No foyer, o Espaço Calasans Neto recebe exposições de artes visuais. O Teatro Módulo foi construído há mais de 10 anos, a partir de uma iniciativa pioneira e inovadora do Colégio Módulo, com o objetivo de incentivar a Cultura e as Artes. Com uma infra-estrutura moderna, conforto e segurança para seu público, aliado ao profissionalismo da sua equipe técnica, o Teatro possibilita abrigar os mais diversos tipos de espetáculo, produções e eventos. Localizado na Av. Magalhães Neto, 1177- Pituba o Módulo dispõe,tecnicamente, do que há de melhor para uma casa de espetáculo. Com capacidade para 282 lugares, podendo chegar, confortavelmente, até 300 lugares, acesso para deficiente físico, 3 camarins, ar-condicionado central, vagas para estacionamento, além de contar com a Sala Carlos Bastos, anexa ao Teatro, onde podem ser realizadas exposições, palestras, seminários, etc.

Teatro Vila Velha
Verão de 1959. Alguns alunos da primeira turma a ser graduada pela Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia resolvem esquentar a temperatura teatral baiana: rompem com a direção da escola, recusam a graduação e, liderados pelo professor João Augusto, também dissidente, formam a primeira companhia teatral profissional da Bahia: a Companhia Teatro dos Novos. Os Novos logo compreenderam que somente poderiam manter suas atividades se investissem na construção de uma sede própria. Imediatamente o grupo partiu para uma campanha popular visando a construção de um teatro que, arquitetonicamente, refletisse o pensamento inovador da companhia. Enquanto isso não se realizava, o grupo trabalhava em vários espaços improvisados.

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Naquela época, casas de espetáculos eram escassas. Salvador contava apenas com o Teatro Santo Antônio. O intenso trabalho cultural do Teatro dos Novos levou o Governo do Estado a ceder, a título precário, um espaço no Passeio Público, atrás do Palácio da Aclamação para a construção da sua sede. Assim, em 1964, no dia 31 de julho, depois de uma maratona em busca de financiamentos para aquele arrojado projeto junto aos Governos Estadual e Municipal, empresários e toda a sociedade baiana – muitos bingos e livros de ouro depois – finalmente é inaugurado o Teatro Vila Velha. O projeto arquitetônico de Sílvio Robato, que transformou um galpão em teatro, adequando-o ao espaço cedido pelo governo do Estado no Passeio Público, era a concretização do sonho daqueles jovens: o primeiro teatro independente da Bahia. Já no primeiro dia de sua abertura oficial, o espaço reuniu artistas, intelectuais, políticos e amigos num coquetel onde discursou o então governador Juracy Magalhães, reconhecendo-o como de utilidade pública, segundo a Lei N. 2346/62. Dias depois da inauguração, entrava em pauta a exibição do antológico show Nós, Por Exemplo, que revelou Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé, entre outros. A primeira peça teatral levada à cena no palco do Vila Velha foi Eles Não Usam Bleque Tai, montagem de João Augusto da peça de Gianfrancesco Guarnieri.

A reforma pela qual passou o Teatro Vila Velha finalmente o capacitou fisicamente para abrigar o ousado projeto original dos Novos. A partir de dezembro de 1995, o teatro passou a ser inteiramente reconstruído, restando de pé, do velho prédio, apenas uma parede e meia. Mas do projeto original o teatro conservou intacto e renovado o espírito. Nesta nova fase do Teatro Vila Velha – o Novo Vila – outros grupos passaram a residir na casa: a partir de 1998, a Companhia Viladança, em 2001, a Companhia Novos Novos e o Grupo Vilavox e em 2004, A Outra Companhia de Teatro. Ao todo, são mais de 100 pessoas, entre artistas e funcionários, fazendo mantendo viva uma verdadeira usina de cultura que é o Teatro Vila Velha.



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