Biografia de Fernando Neves
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Biografia de Fernando Neves

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Fernando Neves em O Seminarista

Fernando Neves em O Seminarista

Biografia do grandioso e super ator Fernando Neves. Um Belenense de nascimento e soteropolitano de coração. Confira!

Fernando Neves é Belenense de nascimento. Em 1955, iniciou sua trajetória participando de um grupo de teatro amador em Belém do Pará. Após cinco anos iniciou a fase profissional, quando foi trabalhar no famoso Teatro da Paz. Em Belém, trabalhou em várias peças adultas e infantis, onde se destacam duas: Antígona de Sófocles e A Pena e a Lei de Ariano Suassuna, que em 1968, representou o Brasil no 1º Festival de Teatro de Manizales – Colômbia. Na televisão ele participou de vários teleteatros, peças de teatro televisadas, uma vez por semana. No cinema teve suas primeiras experiências com o cineasta Líbero Luxardo, tendo atuado em três dos seus longas-metragens: Marajó Barreira do Mar, Um Diamante e Cinco Balas e Brutos Inocentes.

Nesse período trabalhou no longa-metragem que se tornou um marco dentro do cinema brasileiro: Iracema – Uma Transa Amazônica, que foi dirigido por Jorge Bodanski e Orlando Senna. O filme foi produzido em 1974, mas só foi lançado oficialmente em 1981. Fernando foi também diretor de teatro infantil na UFBA durante três anos. Em Salvador, também, se destacou em várias peças: O sonho, de Strindberg, e Check-up, de Paulo Pontes, são somente algumas dessas. Seu primeiro grande prêmio como ator ocorreu em meados dos anos 2000, com sua participação no filme Eu Me Lembro, do diretor baiano Edgard Navarro. Fernando venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante no tradicional Festival de Cinema de Brasília. Com Edgard, repetiu a dose atuando também em O Homem que Não Dormia, lançado nos cinemas em 2012. O filme não recebeu tantos prêmios quanto Eu Me Lembro, mas também é visto como outra obra ímpar na filmografia de Edgard Navarro.

Fernando Neves em Réquiem por um Sorriso

Fernando Neves em Réquiem por um Sorriso

Outra dobradinha cinematográfica aconteceu com o cineasta Mauricio Amorim. Fernando protagonizou o filme de estreia do diretor baiano – O Enfermeiro – e também atuou no projeto mais recente de Mauricio, O Seminarista, em fase de pós-produção. O Seminarista teve filmagens realizadas na região da Chapada Diamantina, na Bahia, e foi rodado no mês de janeiro de 2012. Sua mais recente participação artística se deu no espetáculo teatral Réquiem por Um Sorriso ou Sobre os Palhaços na Varanda, com direção de Thiago Gomes. Ele também poderá ser visto no curta-metragem O Velho e os 3 Meninos, do cineasta Henrique Filho. E ainda este ano Fernando Neves interpretará Quincas Berro D’água nas adaptações dos alunos do curso de Produção Audiovisual da Unijorge. Este projeto possui orientação dos professores Max Bittencourt e Ceci Alves (cineasta).

Quando, em entrevista, Fernando foi questionado sobre o processo de desenvolvimento de seus personagens, ele disse: “eu sou um ator que estuda texto, não com aquela genialidade de Stanislavski, Brecht, Arthur Adamov. Então eu pego o que eles criaram de metodologia para criação do personagem e utilizo. Eu sou Stanislavskiano, mas quando preciso eu pego emprestado de Brecht, por exemplo. Eu procuro ser um observador do que acontece ao redor de mim. No teatro observo as pessoas no foyer. No cotidiano, até já segui umas pessoas e numa dessas uma mulher pensou que eu fosse louco… (risos) Eu pegava expressões dos meus filhos quando eram crianças, pessoas idosas. É como se eu tivesse um escaninho onde eu armazeno expressões faciais, tipos de andar, inflexões até mesmo de situações que vejo na televisão do tipo Zé povão.O uso das onomatopéias, o povo é teatro. Então pego isso e ponho no escaninho para usar um dia. Uma vez eu fiz o “Jardim das Cerejeiras”, e eu fui lá ao alto da ribeira fazer laboratório com alguns idosos, mas lembro que para fazer o velho eu copiei das velhas, pois o feminino é mais expressivo. Numa peça infantil da Maria Clara Machado, tinha uma cena que eu dizia “Uma delicia” copiando a forma como meu filho falava quando eu fazia o Nescau, pois eu colocava mais colheres que a mãe, e ele adorava e me dizia “Uma delicia” faltando dois dentes. É uma viagem no tempo que faço através do meu escaninho de memórias!”

Fernando Neves no FECIBA 2012 (Ilhéus, BA)

Fernando Neves no FECIBA 2012 (Ilhéus, BA)

E em outra entrevista, ao ser perguntado sobre os desafios que ainda enxerga na profissão, ele disse: “olha, pensando agora nos três últimos filmes que fiz, o Eu me lembro, O Enfermeiro e O Homem que não dormia, eu posso dizer que busquei não me apoiar nas mesmas características dos personagens, uma vez que dois deles são coronéis (tanto o personagem de O Enfermeiro quanto o de O Homem… possuem essa falsa patente do interior baiano). O primeiro eu fiz em fevereiro de 2009, já o segundo em abril do mesmo ano. Ou seja, uma diferença pequena entre ambos. Então eu tive um cuidado muito grande com eles para não deixar cair no lugar comum, sabe? Uma vez que a tendência de você ser tentado a ir pelo caminho mais fácil é normal. Eu poderia ter pego a mesma interpretação que usei com O Enfermeiro  e trazer para o coronel do filme do Edgar. Mas eles tinham uma distinção. Apesar de ambos serem ruralistas e detentores desse título de coronel, acabavam tendo, cada um, sua pujança, diferentes tipos de caráter que permitiam ao espectador não confundi-los um com o outro. Então, respondendo sua pergunta inicial, posso dizer que o trabalho do ator não se restringe só a decorar o texto. Existe uma diferença muito grande entre o ator que decora o texto e o que o estuda. Eu conheço colegas que representaram durante vários anos a mesma peça e o cara não errava nada. Ele dizia o texto na integra. Quase como um gravador. Isso é uma qualidade do ator. No entanto, não é um desmerecimento quando ele erra. Eu, por exemplo, já tive que sair de cena para confirmar uma fala que havia esquecido. Agora, o que é importante é colocar como base a palavra respeito em relação à convivência com o colega e com o diretor.

É ter a ciência de que, ali no tablado, ninguém é melhor que ninguém. A gente está ali para fazer um trabalho em conjunto. Esse é o desafio. Eu gosto de acreditar que sou, apesar de 57 anos de carreira, um eterno aprendiz. Esse negócio de se achar o mangangão, o melhor de todos, isso é uma estupidez. A palavra de ordem nessa profissão e algo que eu trago para minha vida é a humildade. Aquela do respeito pelo colega em cena”.


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