Panorama Internacional Coisa de Cinema – Febre do Rato | Cabine Cultural
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Panorama Internacional Coisa de Cinema – Febre do Rato

Febre do Rato, de Cláudio Assis

A sessão de Febre do Rato, do cineasta Cláudio Assis, pode e deve ser considerada desde já uma das experiências mais marcantes desta edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema. A começar pelo filme propriamente dito, um dos grandes deste ano, e terminando com a pós-exibição, um bate-papo informal e único com o cineasta. Ele, com sua personalidade forte e controversa, verdadeira e honesta, brindou o público com um depoimento engajado politicamente, mas que também teve espaço para histórias sobre o filme, sobre cinema e também sobre vida pessoal. Ele chorou, emocionado, quando alguém lhe disse que seu filme o tinha feito dirigir a palavra pela primeira vez para um cineasta; e também bradou, irritado, ao falar do contexto político da cidade de Salvador. Criou polêmicas, fez pessoas saírem da sala mais cedo, convidou o Ex-ministro da Cultura ao palco, levantou a camisa… Em suma, Cláudio é daquelas pessoas que – goste ou não – é necessária para a nossa sociedade. E qualquer cidade que se preze deveria possuir seu estoque de Cláudio Assis. Pernambuco já tem o seu, o original, diga-se de passagem.

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Sobre o filme, Febre do Rato é sobre um poeta que constrói, com base em sua ideologia (ou não-ideologia) uma comunidade de pessoas iguais nas suas diferenças, onde o sexo, as drogas e o álcool fazem constantemente parte. A história transpassa a ideia original de anarquia, de liberdade, de aversão a qualquer tipo de regra que limite o pensamento humano. Cláudio vislumbra um mundo que é ao mesmo tempo marginal e perfeito. E a perfeição se encontra justamente no fato desta não precisar existir. Está, contraditoriamente, na sua imperfeição. É tudo muito cru, sujo, visceral, espontâneo e natural. E esse é o mundo que se esconde pelos cantos mais esquecidos das grandes cidades. Talvez ele não exista tal como no filme de Cláudio, mas de certa forma a atmosfera passada é a mesma.

Febre do Rato, de Cláudio Assis

Os personagens criados são todos peculiares mas verossímeis. Eles são reflexos e consequências de um real e estranho mundo, um mundo que fabrica cada vez mais indivíduos padronizados, com pensamentos e formas de pensar parecidas, limitadas e aprisionadas, retirando de si o próprio conceito de individualidade. Neste contexto, a salvação vem sempre de onde menos se espera. No caso do filme, ela vem de um poeta agitador cultural anárquico e de sua, digamos assim, comunidade. Eles são a salvação da sociedade, não por conta de seus princípios ou de suas ações, mas por simplesmente vislumbrar um mundo que os ditos normais não mais conseguem. Um mundo de liberdade e de permissividade. É o permitir-se viver.

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No entanto, esta opção de vida não faz (nem nunca fará) bem para o status quo vigente. Febre do Rato deixa essa ideia crescer mais para o seu desfecho, que apresenta o conceito que aqui antagoniza com a liberdade: repressão. Será através dela que a história de Cláudio chegará a seu final, trazendo assim consigo um importante instrumento para se refletir o espaço em que existimos.

Febre do Rato, de Cláudio Assis

Falando sobre os elementos mais técnicos, diria que a fotografia do filme, a cargo de Walter Carvalho (como sempre sucede em muitos de seus trabalhos) cria um olhar lascivo, libertino até, sobre os personagens, mostrando de um modo extremamente belo a não beleza deles. Já o senhor Assis, como diretor, vem em uma crescente das mais significativas. Seus filmes Amarelo Manga e Baixio das Bestas seguem o padrão Cláudio Assis de contar uma história, porém Febre do Rato os supera, pois sua transgressão narrativa e visual aqui se encontra no que talvez seja seu ápice.

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Assistir Febre do Rato e logo após ouvir as palavras, não sábias, mas honestas ao extremo, de seu criador, foi uma das experiências mais peculiares e fortes da vida de qualquer um daqueles cem, duzentos espectadores do Espaço Itaú-Unibanco de Cinema.

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