Prometheus – A Tragédia do Fogo – Cabine Cultural
Teatro

Prometheus – A Tragédia do Fogo

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Prometheus

A mitologia grega desde sempre se configurou como um dos maiores legados da civilização ocidental para com a humanidade. Sua importância é de entendimento complexo, afinal, como explicar que perspectivas tão díspares do racional pensamento humano pode ter sido em muitos momentos levados tão a sério por algumas culturas. Mas com o desenvolvimento do homem enquanto ser pensante essa mesma mitologia transpassou-se para tão somente grande companheira de pensadores, escritores e poetas. Por seu conteúdo então passaram nomes como Hesíodo, Ésquilo, Platão, Goethe, Franz Kafka, Camões… Foram muitos que se utilizaram dos mitos gregos para contar e recontar histórias que mais para frente entrariam para os cânones da literatura. E dessas abordagens iniciais surgiram outras abordagens, e dessas, mais outras, e outras…

E eis que chegamos a fins dos anos 2000 na cidade de São Paulo. Lá a Companhia Teatro Balagan começa um trabalho de pesquisa que resultaria alguns anos após no rico espetáculo Prometheus – A Tragédia do Fogo. Seu principal personagem, Prometheus, teria roubado o fogo de Zeus. Como vingança, o líder dos deuses do Olimpo acorrentou o titã a um rochedo e fez com que ele fosse flagelado por uma águia durante milhares de anos. O espetáculo trata deste mito que tenta explicar a origem dos humanos.

Prometheus

As vozes dos atores (também narradores), das personagens que o mito apresenta e do coro se justapõem no relato dos acontecimentos que permeiam a história. A montagem do espetáculo é engenhosa, porém simples, sem muitos adereços e pirotecnias. A começar pelo espaço cenográfico, a cargo de Márcio Medina, que apresenta cortinas que, ao serem manejadas pelo coro de atores, modificam os espaços de atuação no desenvolver do espetáculo, fazendo com que o espectador adquira uma visão completa da cena ou tão somente uma perspectiva parcial do que pretende ser contado. Essa proposta permite que quem assista possua uma visão bem particular do espetáculo, e que a distinguirá de outro grupo de espectadores, que verão outras perspectivas da mesma peça. Essa multiplicidade de pontos de vista une-se com a simultaneidade dos eventos que fazem a história andar. Essa sucessão de elementos – deve-se destacar – nem sempre estarão passíveis de entendimento fácil, até mesmo porque muito do que o espetáculo oferece habita no campo das sensações, e não da compreensão. Deve ser muito mais sentido que compreendido.

Os figurinos dão ideia de unidade, são produzidas com o objetivo de fornecer uma visão genérica, sem que forneça elementos que os diferenciem uns dos outros. Ao menos no início dos acontecimentos da peça. O destaque fica para o trabalho de arte nos corpos dos personagens que desde o princípio apresenta-os como seres vindos do barro.

Prometheus

A encenação, como já foi dito antes, valoriza não somente a palavra como meio de comunicação, mas também outras formas de expressão, como o canto e a dança. Essa junção de múltiplas formas narrativas pede que o espectador muitas vezes não se apegue ao didatismo comum em espetáculos lineares, com estruturas mais tradicionais. A dramaturgia, arquitetada por Leonardo Moreira, recebe influências das mais diversas para a concepção do espetáculo, tais como: Prometeu Cadeeiro (em grego arcaico e sua tradução para o português) e os fragmentos das duas outras tragédias da trilogia – Prometeu Portador de Fogo e Prometeu Liberto – de Ésquilo, A Libertação de Prometeu de H. Müller, além de poemas e trechos de obras de autores como Goethe, Franz Kafka, Pirandello, André Gide, Kazantzakis, entre outros, sobre o mito, bem como outras obras que com ele dialogam.

Por fim, fica a menção do espaço utilizado para a apresentação do espetáculo, de grande importância para uma melhor experiência. No caso de Salvador, o Teatro Vila Velha proporcionou uma experiência completa da narrativa, já que sua estrutura permitiu que facilmente fosse montada uma espécie de arena, saindo do formato tradicional do teatro contemporâneo. Essa estrutura proporcionou que a história fosse contada com base nas ideias de multiplicidade de perspectivas e simultaneidade de acontecimentos, que desde já se apresentam como elementos diferenciais deste belíssimo espetáculo.

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