Considerações sobre o Oscar 2013 | Cabine Cultural
Cinema

Considerações sobre o Oscar 2013

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Oscar 2013

Esse é o primeiro texto que escrevo para o Cabine Cultural.

E, espero, o primeiro de muitos. Passo a ser, além de leitor do site, um parceiro. Com muito orgulho, diga-se de passagem! E uma doce angústia (porque há angústias doces) se apoderou de mim, nos últimos dias, quando soube que escreveria para o site: sobre o que, ou sobre quem escrever?

Críticas de filmes? Discorrer sobre meus artistas favoritos? Escrever sobre festivais? Sobre filmes raros, pouco vistos pelo grande público? São vastas as possibilidades quando o assunto é cinema.

E como todos nós que respiramos cinema estamos a bem poucos dias da maior (tanto pro bem quanto pro mal) premiação de cinema do mundo – O OSCAR – então, decidi pelo óbvio: falar do OSCAR, inaugurando, assim, minhas contribuições para o site.

Porém, não escreverei sobre os grandes favoritos, aqueles que, acertadamente ou não, sairão, no próximo domingo, do Dolby Theatre, em Los Angeles, lindos e felizes, levando, primeiro, para a festa pós-premiação, e depois, para casa, a sua tão desejada estatueta dourada. Escreverei, especificamente, sobre alguns diretores que, com certeza, não sairão da festa com uma estatueta de melhor diretor, por uma razão bem simples: eles não foram indicados ao Oscar, esse ano, na categoria direção! São eles: Ben Affleck, Kathryn Bigelow, Tom Hooper e Quentin Tarantino.

Sim, todos eles já ganharam um Oscar: Ben Affleck de melhor roteirista por GÊNIO INDOMÀVEL (em parceria com Matt Damon), Kathryn Bigelow melhor diretora por THE HURT LOCKER (GUERRA AO TERROR), Tom Hooper melhor diretor por O DISCURSO DO REI e, evidentemente, Tarantino, que já saiu do Oscar vitorioso pelo roteiro de PULP FICTION, sendo que é quase certa a sua vitória, novamente, como melhor roteirista por DJANGO LIVRE.

O que é mais intrigante, nesse ano, é que todos esses citados diretores tiveram seus filmes indicados à categoria MELHOR FILME. Então, vem aquela pergunta que, há anos de existência do Oscar, sempre fazemos: como pode um melhor filme não ter o seu diretor vencedor ou, sequer, indicado? É incoerente, sim! Mas é, antes de qualquer coisa, injusto, afinal o diretor é o grande maestro que conduz toda uma produção de um filme, muitas vezes desde o roteiro até à edição. E é também histórico: Barbra Streisand, em 1991, teve seu filme O PRINCIPE DAS MARÉS indicado a melhor filme e ela não foi, sequer, indicada à melhor diretora. E, quanto a esse ano, temos algo ainda mais gritante do ponto de vista das indicações: é quase certa a vitória de ARGO como melhor filme (afinal, tem vencido em quase todas as premiações), porém, seu diretor, Ben Affleck, não foi indicado a melhor diretor!

Sei que são, apenas, cinco vagas à melhor direção, apesar de ter aumentado, de alguns anos pra cá, a quantidade de vagas para melhor filme. Antes, também cinco; esse ano, nove. E concordo plenamente que todos os indicados deste ano mereceram ter sido indicados. Hum… Talvez não concorde muito com a indicação de Benh Zeitlin… Mas todos fizeram, de fato, um excelente trabalho de direção. Assim como esses quatro diretores não indicados ao Oscar 2013 também o fizeram.

Diretora de um mega sucesso do início dos anos 90, POINT BREAK, com o inesquecível (não pelo talento como ator nem pelos dotes vocais, e sim, pelo charme e beleza) Patrick Swayze, Kathryn Bigelow só teve seu talento reconhecido quando realizou o premiadíssimo GUERRA AO TERROR e, com A HORA MAIS ESCURA, nos prova que consegue conduzir um filme de suspense mesmo quando o mundo todo já sabe como vai acabar aquela história. Analisando o trabalho que Kathryn já havia feito em GUERRA AO TERROR e analisando o seu trabalho de diretora em A HORA MAIS ESCURA, fica a pergunta: como ela levou tantos anos fazendo filmes desprovidos de uma maior personalidade? Nesse caso, ter se separado de James Cameron deve ter sido algo gratificante, cinematograficamente falando, para ela.

Já Tarantino é um dos melhores diretores da atualidade, porém, a Academia parece não compartilhar desta mesma constatação mundial, pois só o vê como roteirista. Ele já ganhou o Oscar na década de 90 e é o roteirista favorito para ganhar esse ano.

Tom Hooper, apesar de já ter ganhado um Oscar na categoria direção, merecia ter sido indicado por essa nova adaptação da obra OS MISERÁVEIS, pois seu musical, apesar de bastante longo, é muito bem feito, e ele consegue tirar, de absolutamente todo o seu elenco, significativas atuações, e não falo aqui dos extremamente já citados, em muitos textos sobre o filme, Anne Hathaway e Hugh Jackman. Falo de Eddie Redmayne, Helena Bonhan Carter e, claro, Sacha Baron Cohen. Teria sido, sim, uma indicação merecida para Hooper.

E, por fim, Ben Affleck, ator, roteirista, produtor, diretor. Ben começou a carreira como ator e roteirista. Alcançou o reconhecimento do público muito rápido, em filmes como o já citado GENIO INDOMÁVEL e, principalmente, com os grandes sucessos de bilheteria PEARL HARBOR, SHAKESPEARE APAIXONADO e, óbvio, ARMAGEDDON. Mas, isso, ainda lá pelos anos 1990 e 2000.

Os anos seguintes foram de sucessos medianos, atuando em filmes também medianos, muitos deles, filmes inexpressivos. Porém, em 2006, ele deu uma grande virada na sua carreira e nos presenteou com o excelente GONE BABY GONE (com o péssimo título em português MEDO DA VERDADE). Vimos, naquele momento, que estava surgindo um grande diretor de filmes, um diretor que conseguia entender, e dominar, com aparente facilidade, a linguagem cinematográfica. E, de fato, quase três anos depois, percebemos que estávamos certos, pois Ben dirigiu THE TOWN (além de também ter atuado nesse filme) e, agora, dá ao mundo o seu ARGO, comprovando que, além de bom ator (nunca foi um ótimo ator) é, também e, principalmente, um excelente diretor.

Dois parágrafos dedicados a Ben por uma razão muito clara: se há um maior injustiçado, esse ano, no Oscar, esse cara chama-se Ben Affleck!

Mas, desde que o Oscar é Oscar, é assim: indicações justas, outras injustas, algumas, até, aparentemente inexplicáveis, premiações esperadas e justas, outras nem tanto… Quando eu imagino que, em 1977, no filme REDE DE INTRIGAS, de Sidney Lumet, a atriz Beatrice Straight ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante, num ano em que tínhamos Jodie Foster concorrendo por TAXI DRIVER e a favorita Piper Laurie, excelente como a mãe da desequilibrada Carrie, em CARRIE, A ESTRANHA… E um pequeno detalhe: a personagem da vencedora Beatrice, em REDE DE INTRIGAS, só fica em cena durante parcos 5 minutos e 40 segundos!!!

Enfim, é o Oscar! O prêmio de cinema mais discutido no mundo. Prêmio que , muitas vezes, até odiamos, mas que, com certeza, acima de qualquer coisa, adoramos. E adoramos tanto, ao ponto de, todos os anos, passarmos quase quatro horas em frente à TV, vibrando e torcendo pelos nossos artistas favoritos.

Exatamente como faremos, mais uma vez, no próximo domingo, dia 24 de fevereiro.

Mauricio Amorim é professor de Linguistica e Produção Textual da Universidade do Estado da Bahia, Cineasta e Colaborador do Cabine Cultural.



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Uma resposta para “Considerações sobre o Oscar 2013”

  1. Na cerimônia de abertura do Globo de Ouro, Amy Poehler (uma das apresentadoras), ao falar sobre a Kathryn Bigelow: “… Quando o assunto é tortura, eu confio na mulher que passou três anos casada com James Cameron” – para a gargalhada e surpresa de muitos.

    E tenho uma zica eterna com Tom Hooper; não só porque ele apresenta diversas falhas em sua maneira de conduzir um filme – mas também porque o Oscar de melhor diretor e melhor filme deveriam ter ido para David Fincher e “A Rede Social”, respectivamente.

    Enfim, bom texto. Li com um pouco de pressa, mas depois retorno para uma leitura mais calma. Continue escrevendo ;)

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