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Jingobel

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Comédia teatral de sucesso, Jingobel ganha texto no Cabine Cultural.

Bem, que rir é o melhor remédio, todo mundo está cansado de saber, mas, rir de uma comédia que lhe traz algumas reflexões a cerca de pontos tão comuns do nosso cotidiano, é melhor ainda, pois, eles são vistos por uma abordagem hilária e, pelo menos ali – no palco – viram apenas piada, de alguma forma agridem menos.

Sentados à plateia, pelo menos – eu – me indaguei: “Nossa, do que estamos rindo?! Das excelentes atuações dando vida às “tragédias” do dia a dia?! Dos vários preconceitos apontados em um texto leve, mas, ao mesmo tempo tão real e visceral?! Ou simplesmente, rindo daquilo que na vida real nos causa tristeza, asno e indignação, mas que no palco se torna a graça da vida como ela é?

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Enfim, a essa indagação não consegui responder, mas, sai do teatro com a frase: “A vida imita a arte ou a arte imita a vida?” muito mais fortalecida em minhas convicções e, com certeza, acreditando que há uma verdade absoluta nas duas afirmativas.

Jingobel é um daqueles espetáculos que supostamente teria tudo para ser um besteirol, mas, não no sentido pejorativo da palavra, apenas, na concepção da estrutura exposta, dos casos, acontecimentos que são conduzidos no palco. Contudo, ele nos faz rir e refletir sobre vários preconceitos usando os próprios preconceitos como carro chefe condutor da trama.

Faz-nos pensar de que forma a solidão, a infelicidade mascarada e as farsas que vivenciamos diariamente podem nos enlouquecer em surtos psicóticos e agressivos. Em carências tão excessivas que se faz necessário à força física para se conseguir “amigos” para amenizar o vazio.

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O espetáculo, em suas quase 2h nos faz rir não só por seu contexto existencialista escrachado, sua trilha sonora brega que remete a nostalgia daqueles que passam por desilusões amorosas, vivem na solidão ou sem muitas opções de diversão na vida, mas, também, pelos atores que conseguiram transformar o texto em uma saborosa diversão cênica que nos contagia e nos faz “viver” um pouco daquelas histórias entrelaçadas, como se fôssemos a quarta “amiga” no palco.

Não sendo crítica teatral, não me foquei a observar as falhas – naturais e comuns a qualquer espetáculo, em especial em uma estreia – bem como, a pontuar erros, lacunas e afins, mas, me ative a curti-lo, gargalhar muito e reflexionar sobre todos os pontos abordados. Pontos esses que vão da infelicidade na vida aos preconceitos religiosos, homofobia, estética, farsas e camuflagens pessoais, aceitação, carência afetiva e vários outros.

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Por isso, o que posso dizer para finalizar esse texto é que vale a pena assistir. Claro que cada um terá uma abordagem diferente do que verá, uma sensação, um conceito pré-formado ou formará ao assisti-lo e que pode divergir do meu, mas, de tudo acima descrito a única certeza desse espetáculo para todos que posso garantir é que vocês rirão bastante, e só isso já será maravilhoso, pois rir faz bem a saúde, alivia as tensões e torna você alguém mais feliz e apto a enfrentar os desafios desse nosso dia a dia tão cheio de obstáculos a serem superados, sejam eles externos ou internos a nós.

Fica a dica. Vá ao Teatro, o poder da arte é transformador.

Angel Marques é atriz, escritora, colaboradora do Cabine Cultural e possui o blog O Exercício do Amor Próprio.


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