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Django Livre

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O sangue que jorra lindamente das cabeças brancas, os planos cinematográficos, todos estrategicamente pensados fazem de Django uma grande experiência cinéfila.

Depois de explodir miolos nazistas em Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino volta à sua terra natal com tudo para contar a mitológica história de um negro escravo que é resgatado no meio da noite por um – curiosamente – alemão caçador de recompensas e que juntos irão subverter as regras americanas de meados do século XIX – período pré-guerra civil nos Estados Unidos – onde os negros do sul nem sequer podiam andar em cavalos, quanto mais pensar na ideia etimológica da palavra liberdade.

É com esta premissa que o diretor estrutura seu mais novo projeto, Django Livre, trazendo a história de Django Freeman, vivido por Jamie Foxx, (ex) escravo que é contratado pelo caçador de recompensas Dr. Schultz (Christoph Waltz) para ajudar-lhe em um específico caso e logo após é convidado a fazer-lhe companhia em outros trabalhos; em troca o ajudaria a reencontrar sua esposa Brunhilda (Kerry Williams), levada como escrava por uma tradicional família branca. A partir do acordo feito, inicia-se uma épica jornada da dupla pelo oeste americano em busca de alguns dos rostos estampados naqueles famosos panfletos que expressavam em letras garrafais a icônica frase WANTED DEAD OR ALIVE (Procurado morto ou vivo).

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Tarantino, que volta e meia é premiado por seus originais e criativos roteiros, mostra com Django que continua em ótima forma neste quesito. Todo o percurso que se inicia no encontro do então escravo Django com o Dr. Schultz é eficientemente desenvolvido, recheado de brincadeiras acidamente críticas e que circundaram a história americana, sobretudo o que de pior essa história proporcionou para a sociedade daquele país. A sequência envolvendo a Ku Klux Klan exemplifica muito bem esta linha de raciocínio.

A interessante – digamos assim – jornada do herói que o personagem título vivencia é bem construída, e vê-lo absorver aos poucos os ensinamentos de seu ‘guia’ é bastante prazeiroso. Django entra na narrativa todo maltrapilho e com limitado entendimento das palavras. Com o passar do tempo ele transforma-se, não somente pelas vestimentas – estilosas – mas principalmente pelo modo de ver o mundo. Sem pensar duas vezes antes de puxar o gatinho, o herói passa a colecionar cadáveres e sua busca pela esposa, ponto central da história – chega ao clímax no encontro com o personagem Calvin Candie, vivido pelo astro hollywoodiano Leonardo Di Caprio. Toda esta sequência, enorme, cheia de diálogos grandiosos, de frases de efeito moral e com a atmosfera de tensão contínua oferece o que de melhor o cinema de Tarantino possui.

Django

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Mesmo não contando com novidade alguma, o modo Tarantino de fazer cinema continua divertido de se ver e gostoso de ouvir. Suas constantes homenagens à sétima arte – no caso de Django ao cinema western – trazem um sentimento todo especial ao espectador. As atuações, carregadas de sotaques e trejeitos, dão um tom exagerado e delicioso aos personagens brancos, típicos sulistas americanos. Christoph Waltz brinda o público com um personagem que alia sarcasmo, inteligência e frieza.

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O sangue que jorra lindamente das cabeças brancas, os planos cinematográficos, todos estrategicamente pensados, a trilha sonora, que continua sendo a cereja do bolo de seus filmes, a participação mais que especial de Samuel L. Jackson, os diálogos, ponto forte deste modo Tarantino de fazer filmes, e o argumento (um dos mais criativos dos últimos anos), fazem de Django uma grande experiência cinéfila e fazem de Quentin Tarantino um tremendo gênio insano possuidor de uma das vagas na restrita Academia de Grandes Cineastas da História.

 


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