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Nos bastidores de Ferrugem e Osso

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Ferrugem e Osso

Confira tudo sobre o filme Ferrugem e Osso, protagonizado pela atriz francesa Marion Cotillard.

O FILME – De repente, ALI (Matthias Schoenaerts) se vê tendo que cuidar sozinho de uma criança de cinco anos. Ele mal conhece o seu filho SAM (Armand Verdure). Sem casa, sem dinheiro e sem amigos, Ali vai morar com sua irmã ANNA (Corinne Masiero) em Antibes, no sul da França. Tudo começa a melhorar imediatamente. A irmã hospeda os dois na garagem, ela cuida do sobrinho e a temperatura é magnífica. Ali, um homem alto e forte, vai trabalhar como leão de chácara em uma boate. Durante uma briga, ele ajuda Stéphanie (Marion Cotillard). Distante e linda, Stéphanie parece inatingível, mas Ali, franco e direto, consegue deixar o seu número de telefone com ela. Stéphanie é treinadora de baleias orca, em Marineland.

Quando uma apresentação termina em tragédia, um telefonema os junta mais uma vez. Quando Ali volta a se encontrar com Stéphanie, ela está presa a uma cadeira de rodas, por ter perdido ambas as pernas e algumas ilusões. Stéphanie passa a depender da força física de Ali e ele, por sua vez, passa a admirar a força de vontade de Stéphanie. E Stéphanie volta a querer viver. À medida que a história de vida dos dois começa a se encontrar e a se separar, eles entram em um universo onde a beleza, a juventude e o sangue são considerados produtos, mas no qual a confiança, a verdade, a lealdade e o amor não podem ser comprados ou vendidos e a coragem aparece de várias formas.

REVENDO A HISTÓRIA DE AMORFerrugem e Osso começou revendo totalmente o material de base. Segundo Jacques Audiard, “Eu li o conto Ferrugem e Osso de Craig Davidson com imenso prazer. Davidson é um autor da Crise. Ele retrata brutalmente o mundo moderno desequilibrado. Os personagens ficam às margens, fora da sociedade. Depois de O Profeta (A Prophet), um filme sobre confinamento, um mundo masculino, sem muita luz. Thomas Bidegain e eu queríamos fazer um filme que seria o oposto. Uma história de amor, iluminada, que mostrava uma mulher e um homem. Também queríamos explorar o caos contemporâneo e a barbárie, sem, entretanto, enfrentá-los diretamente. Os contrastes nos fascinavam – mas como não havia uma história de amor nos contos de Craig Davidson, nós a inventamos”. Mas, antes do amor nessa história, chega a dor. À medida que Ali e Stéphanie voltam à vida, eles navegam em um mundo de violência e perturbadas emoções. Jacques Audiard trabalhou com os atores para retratar a relação com poderosa ressonância.

NA CAMA – A química sexual entre Ali e Stéphanie vai além da sua deficiência. Segundo Audiard, “Eu rapidamente percebi a natureza erótica da situação. Em outras palavras, existem dois problemas nos filmes de ficção, duas áreas que não são bem tratadas: a violência que leva à morte, porque o público sabe que não vão matar o ator e o sexo, porque também todo mundo sabe que os gritos e sussurros são de mentira – além do fato de que a filmagem é bem constrangedora. Durante muito tempo, pensei no problema da representação do amor físico. Esta história me permite evitar o problema da representação do ato sexual. Quando Ali carrega Stéphanie nas costas, tem tudo a ver com sexo. Assim, quando estão na cama, não tenho que fixar no rosto, acreditar no rosto deles. Acredito o que a mulher está revelando de si mesma, da sua enfermidade e é como se ela estivesse ainda mais nua”.

Ferrugem e Osso

A PRINCESA E O LUTADOR – Segundo Jacques Audiard, “Não consigo pensar em outra pessoa para interpretar Stéphanie, da mesma forma que somente ela poderia ter interpretado Edith Piaf em Um Hino ao Amor (La Vie en rose)”. “Há uma espécie de autoridade viril na forma como ela interpreta e, ao mesmo, ela exala sexualidade. Ela é muito sedutora. Além disso, ela é muito famosa. Essa fama aumenta a ficção. Quando as pernas são amputadas, trata-se de uma convenção cinemática, pois todos sabem que se trata de uma atriz famosa interpretando um papel. Ela é uma princesa que cai da torre”. Jacques Audiard continua: “Quando eu vi Bullhead, imediatamente quis conhecer Matthias Schoenaerts. Não tínhamos muito tempo de preparação. Marion concentrou seu trabalho na sua deficiência e no treinamento da baleia orca e Mathias concentrou o seu trabalho nas lutas. Para ela, era difícil, porém bastante claro, pois se trata de alguém que está no caminho da cura.

No caso de Mathias, tínhamos que trabalhar mais no seu personagem, pois no roteiro, Ali era uma pessoa dura. Ele não podia ser fraco demais, pois tinha que atrair a atenção de Stéphanie, para que houvesse uma base para a sedução e, depois, para o amor”. O final, aparentemente positivo, com Ali triunfando no boxe, com Stéphanie ao lado dele, é mitigado pelo voice-over que fala da dor que Ali sente em suas mãos despedaçadas. Como diz Matthias Schoenaerts, “Acabamos de assistir a um filme durante uma hora e meia, no qual vimos o que são esses dois seres humanos e tudo aquilo pelo que passaram. Mas, não acabou. Eles ainda têm muito a enfrentar. Eles ainda sentem dor, ainda têm uma criança para criar e ela ainda tem que lidar com a sua deficiência física. Mas, eles podem compartilhar o que têm e ser um ponto de apoio um para o outro. É um final bom, mas não diria que se trata de final feliz clássico”.

Ferrugem e Osso

Jacques Audiard nasceu em 30 de abril de 1952 e é filho do roteirista e diretor Michel Audiard. Ele começou a sua carreira no cinema não como diretor ou roteirista, mas na sala de montagem. Foi a partir de 1980 que Audiard começou a participar da criação de roteiros para diretores como Georges Lautner (O Profissional – The Professional), Denys Granier-Deferre (Réveillon With Bobsled), Claude Miller (Mortal Hike), Jérôme Boivin (Baxter), Elisabeth Rappeneau (Frequency Murder) e Ariel Zeitoun (Saxo).

Embora pareçam muito diferentes, esses filmes têm uma característica em comum: uma atmosfera noire, um humor cáustico e deslocado e uma visão pessimista da condição humana. Audiard manteve esse olhar pessimista ao dirigir o seu primeiro filme em 1994, O Declínio dos Homens (Regarde les Hommes tomber’) , com Mathieu Kassovitz e Jean-Louis Trintignant. Seu terceiro filme, Sobre Meus Lábios (Sur Mes lèvres), recebeu 10 indicações ao César, das quais ganhou 8 em 2001. Em seguida De Tanto Bater, Meu Coração Parou (De battre mon coeur s’est ’arrêté) em 2005. Em seguida, Um Profeta (Un Prophète), lançado em Cannes em 2009. Em 2012, Ferrugem e Osso participou da competição em Cannes.


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