Pó de Nuvens no Vivadança 2013 – Cabine Cultural
Dança

Pó de Nuvens no Vivadança 2013

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Pó de Nuvens – Foto de Joao Milet Meirelles

Espetáculo Pó de Nuvens abre o Vivadança 2013.

A abertura do Vivadança Festival Internacional 2103 foi – tal como ano passado – uma experiência multi-linguagem que dificilmente será esquecida pelo público presente nas dependências do tradicional Teatro Castro Alves. Por sinal, local mais adequado e grandioso não havia, ficando visível a acertada escolha da produção em realizar o evento por lá. E é muito interessante observar como as duas aberturas – a deste ano e a de 2012 – trazem semelhanças entre si; primeiro pelo fato de, pelo segundo ano seguido, caber a uma companhia mineira a grande responsabilidade de abrir oficialmente as atividades do festival. Ano passado a Mimulos Cia de Dança apresentou o belíssimo Por um fio, espetáculo que era baseado em escritos de Arthur Bispo do Rosário e que flertava bastante com a música brasileira (mais uma semelhança entre ambas), num valioso diálogo da dança com a música e a literatura.

Pó de Nuvens – Foto de Joao Milet Meirelles

Já para este ano a curadoria do Vivadança conseguiu ir além, trazendo para a capital baiana um espetáculo que une de modo primoroso a literatura de Guimarães Rosa com a musicalidade de Milton Nascimento, numa proposta que inclui também a teatralidade, há de se mencionar. E tudo isso acontece de maneira harmoniosa e, sobretudo inteligente. E essa inteligência se dá por um motivo: o espetáculo é uma experiência poderosa para qualquer um que se predisponha a assistir, mesmo que seu conhecimento a respeito dos homenageados seja pequeno ou nulo. Mesmo que não conheça os universos que rondam os trabalhos de Miltão (ou Bituca) e de Guimarães Rosa, ainda assim irá compreender e sentir todo o desenvolvimento do espetáculo. Porém, caso possua uma relação mais estreita com um deles, ou com ambos, então prepare-se para uma jornada das mais ricas pelos elementos que compõem, tanto a literatura de Guimarães Rosa quanto o projeto musical de Milton Nascimento. O que já era belo e intenso transforma-se em algo ainda mais grandioso.

Pó de Nuvens – Foto de Joao Milet Meirelles

O espetáculo é apresentado como um livro, dividindo seus atos em prefácio, capa e capítulos, propondo com isso uma lúdica viagem, ou utilizando-se do título de uma canção icônica de Milton, uma lúdica travessia. Assim, os contos e romances escritos por Guimarães Rosa são inspirações para a Cia brincar com o olhar sobre a tal mineiridade tão profanada no Brasil. E os dançarinos conseguem habilmente transpassar para o público esse imaginário que possuímos sobre o ‘ser mineiro’. E é pertinente neste instante dizer que as obras de Guimarães Rosa ambientam-se quase todas no sertão brasileiro e que ela destacou-se no cenário literário muito pelas inovações de linguagem, sendo bem marcada pela influência de falares populares e regionais. Uma de suas marcas era o dom da criação, do conceber o nascimento das palavras. Com isto dito, assistir o espetáculo Pó de Nuvens torna-se uma experiência artística ainda mais rica, com uma relevância didática bem perceptível.

Pó de Nuvens – Foto de Joao Milet Meirelles

Esse nascimento das palavras, que Guimarães explorou como ninguém, é um dos pontos de partida do espetáculo, que encontra nas canções de Milton Nascimento a musicalidade que faltava para apresentar perfeitamente aquela atmosfera do prosear mineiro. Pó de Nuvens exala mineiridade por todos os poros, há de se destacar. E faz isso com muito humor e poesia, mesmo quando o foco são os dramas rotineiros do nosso dia a dia.

Pó de Nuvens – Foto de Joao Milet Meirelles

Necessário então listarmos aqui os responsáveis por esta bela abertura do Vivadança 2013, e assim os créditos devem ser dados principalmente ao Grupo de Dança 1° Ato (que completou recentemente 30 anos de vida) e seus dançarinos (Ana Virginia Guimarães, Alex Dias, Danny Maia, Jonatas Raine, Lucas Resende, Marcela Rosa, Pablo Ramon, Verônica Santos, Verbena Cartaxo); aos coreógrafos Denise Namura e Michael Bugdahn, que estruturaram essa magicamente interessante travessia atemporal do tempo. E a organização do Festival, que mais uma vez mostra-se atento ao que de melhor vem sendo produzido na dança Brasil – e mundo – afora.

Veja nossa página especial sobre o Vivadança


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