Eu e Meu Guarda Chuva | Cabine Cultural
Cinema

Eu e meu Guarda-Chuva

Eu e Meu Guarda Chuva

Inicialmente, o que afirmo sobre esse filme de Toni Vanzolini é a sua principal e melhor característica, enquanto obra cinematográfica: EU E MEU GUARDA-CHUVA não é um filme sobre crianças, pré-adolescentes ou adolescentes. Ele é, exatamente, o que ainda é muito pouco produzido no cinema brasileiro: um filme para esse público infanto-juvenil, e não um filme sobre esse mesmo público.

Temos vários exemplos de filmes brasileiros que falam sobre infância e adolescência, desde os considerados não tão bons, até os ótimos, como OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, aos excelentes, como AS MELHORES COISAS DO MUNDO.

Adaptado do romance de Branco Mello, Hugo Possolo e Ciro Pessoa, o filme conta a história de três jovens amigos – Eugênio, Frida e Cebola – na faixa etária dos onze anos de idade, que estão no último dia de férias. Eles entrarão no sexto ano e, o pior de tudo, numa escola nova.

Eu e Meu Guarda Chuva

Com esse medo comum a qualquer criança (quem nunca teve medo, enquanto criança, de mudar de escola, de se deparar com uma escola nova, professores novos e, o mais terrível de tudo: colegas novos?), os três jovens têm a ideia de conhecer a escola antes do tal primeiro dia de aula e, dispostos a pichar a escola, a fim de garantir serem respeitados pelos colegas novos, eles partem para o prédio onde funciona o colégio, colégio este fundado pelo terrível Barão de Von Staffen. Diz a lenda que o fantasma do Barão ronda, até hoje, as dependências do colégio, disposto a fazer tudo o que ele fazia enquanto vivo: prender crianças, fazer várias perguntas a essas crianças, e torturá-las, caso elas não respondam corretamente a todas as questões impostas por ele.

Logo a pichação torna-se um elemento secundário nos objetivos daquelas crianças, e elas decidem invadir a escola. E então, como era de se esperar em qualquer história que tenha essa premissa inicial, os meninos Eugênio e Cebola e a menina Frida se deparam com o fantasma do Barão e passam a ser perseguidos por esse fantasma. Dá-se início a uma sucessão de aventuras e desventuras desse simpático trio de amigos, o que garante bons momentos ao filme, momentos estes que, muito provavelmente, agradarão bem mais às crianças do que, propriamente, aos adultos. E eu afirmo isso porque EU E MEU GUARDA-CHIUVA é um filme de fantasia que sabe, de uma maneira simples e eficaz, dialogar com o público infanto-juvenil sem, contudo, tratá-lo como idiota.

Por isso ser necessário dar parabéns ao estreante em longa-metragem Toni Vanzolini, pois são raros os cineastas, sejam da nacionalidade que for, que conseguem esse feito: fazer uma obra infanto-juvenil simples – que dialogue com crianças e pré-adolescentes, com uma história de fantasia também simples, comum – que não cai na mesmice de ser um filme bobo.

Entretanto, apesar da boa atuação dos jovens atores principais (em especial, Lucas Cotrin, que faz Eugênio, de longe, o melhor ator), das bem vindas participações especiais, como a Frida já adulta feita por Paola Oliveira e o gerente de um estranho Achados e Perdidos, feito pelo ex-titã Arnaldo Antunes, ao ótimo vilão de Daniel Dantas, o que de fato é obrigatório destacar, num texto que fale sobre esse filme, é a impecável direção de arte, assinada por Frederico Pinto.

Eu e Meu Guarda Chuva

Não só impecável, como criativa. Frederico Pinto nos brinda com uma direção de arte que consegue traduzir para a tela toda uma sensação gótica, toda uma mistura de sonho e realidade que perdura durante quase todo o filme, desde o cenário do quarto de Eugênio ao principal cenário da obra, que é o colégio Von Staffen, passando pelas maravilhosas cenas em Praga.

Aliás, as cenas em Praga é um capítulo à parte nesse filme do Vanzolini. São belíssimas cenas que, acopladas à bela fotografia de Paulo Vainer, dão toda essa atmosfera fantasmagórica e fantasiosa, às vezes, sombria, ao filme. E a trilha sonora, assinada por Branco Mello e por Emerson Villani, é bem legal, bem pra cima, cumprindo também seu papel não só nos momentos de aventura, como também nas cenas de maior suspense, de maior tensão, na narrativa.

Creio que EU E MEU GUARDA-CHUVA poderia ter desenvolvido, com mais ênfase, a relação entre Eugênio e seu avô – já falecido -, o dono do guarda-chuva. Percebemos, sim, a íntima relação que havia entre avô e neto. Inclusive, há uma bela cena em que Eugênio chora vendo alguns pertences do avô, entre eles, uma foto, na qual ele e o avô brincam com o guarda-chuva, como se o guarda-chuva fosse uma espada. Entretanto, uma profundidade maior, dessa relação, na narrativa, seria algo bem vindo ao filme. Assim como uma sutil crítica ao sistema educacional, aquele sistema em que os alunos são cobrados para darem respostas exatas, respostas estas desprovidas de qualquer raciocínio crítico, mais elaborado. A crítica a esse ensino arcaico (mas que, inacreditavelmente, ainda faz parte do cotidiano de muitas escolas, Brasil à fora) existe no filme mas, assim como a relação neto-avô, fica na superficialidade.

Porem, nada disso tira o grande mérito dessa obra de Vanzolini – que foi lançada em 2010 – ser um filme mágico, leve, um típico filme de fantasia, tecnicamente e dramaturgicamente muito bem feito. Um filme simpático, agradável, necessário à filmografia brasileira. Um filme legal de se ver.

Mauricio Amorim é professor de Linguistica e Produção Textual da Universidade do Estado da Bahia, Cineasta e Colaborador do Cabine Cultural.

 


6 respostas para “Eu e meu Guarda-Chuva”

  1. Ola eu sou davi e tenho 15 anos ok e tenho uma pergunta sobre esse filme sou muito fã por que as perguntas e as respostas sao apresentadas com destaques diferentes

  2. Oiee eu sou sua fã eu adoro esse filme e como vcs vão heim. Nossa vcs são muito maneiros eu achei lindo um amigo se arriscar por outra amiga e vcs são lindos. beijos frida, beijos eugênio lindo e bejos cebola.

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