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Hitchcock

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Hitchcock, filme dirigido pelo estreante Sacha Gervasi, possui como grande ponto forte a sua premissa, que é justamente contar todo o processo de produção até o lançamento de Psicose, o icônico filme que além de reerguer em absoluto a carreira do diretor, se transformou em um dos maiores clássicos do cinema mundial.

O projeto se baseia no livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, de Stephen Rebello e foca na relação entre o diretor Alfred Hitchcock e sua esposa, Alma Reville, durante as filmagens, abrangendo desde o assassino de Wisconsin Ed Gein, a inspiração real para o personagem Norman Bates, até o lançamento do inovador filme em 1960.

Pontuando o que de melhor o filme proporciona aos espectadores, temos a atuação de Helen Mirren, como a esposa de Alfred, Alma Reville, que se mostrou muito mais importante para o desenvolvimento e finalização de Psicose do que se publicava nos jornais e revistas da época. Claro que sua contribuição sempre foi entendida de forma secundária, principalmente por ter sido a esposa de Hitchcock, mas também por ser mulher numa indústria que ainda era (década de 1950) dominada e feita por homens. Assim, Helen Mirren transpassa e externaliza todo o lado conturbado e complicado de ser esposa de um dos grandes diretores da história do cinema, numa bela atuação que poderia ter lhe rendido ao menos algumas indicações nas premiações mais importantes do cinema em 2013.

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Já Anthony Hopkins apresenta um Hitchcock extremamente caricatural (muito próximo do que o próprio se apresentava na realidade, há de se notar). Claro que as semelhanças são visíveis, e essa era a intenção de Sacha Gervasi, mas o excesso de estilo acabou não fazendo tão bem ao resultado final do trabalho de Hopkins. Tudo soou um tanto exagerado, e o que inicialmente se mostrava interessante, com o desenvolvimento da narrativa ia irritando, sobretudo pelo quesito maquiagem, bastante carregado.

Este não foi o principal incômodo de Hitchcock. O que mais deixou a desejar foi a construção e desenvolvimento do roteiro, que ao misturar diversas perspectivas (a produção do filme Psicose, a relação de Hitchcock com Alma Reville e o quase triângulo amoroso que se instaurou na história) acabou não desenvolvendo tão bem nenhuma delas. No meu caso, o interesse sempre foi maior com relação aos elementos excêntricos que se inseriram na produção de Psicose, como a briga do diretor para conseguir financiamento com a produtora, a relação dele com as atrizes principais, sobretudo o caso que envolveu a atriz Vera Miles, interpretada aqui pela bela Jessica Biel.

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Mas entre alguns erros e vários acertos, Hitchcock deve ser lembrado pela interessante e bela homenagem que Sacha Gervasi fez ao grande mestre do suspense e principalmente pela válida tentativa de reprodução do processo de filmagens de um dos maiores clássicos do cinema mundial.




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