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Críticas

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Há algum tempo me bati com uma curiosidade bem grande acerca do média-metragem Afônica, trabalho de conclusão de curso – Graduação na UFBA – do cineasta baiano Maurício Lídio. Tudo no projeto chamava atenção, desde a interessante premissa, passando pela estrutura do filme propriamente e terminando no trabalho posterior de divulgação, bem cuidado, sempre levando em consideração todos os detalhes, como a criação de cartazes atraentes, wallpapers, evento de lançamento, trilha sonora…

Assim, antes de assistir ele já era merecedor de muitos elogios, e cabia agora, ao ver o filme pela primeira vez, saber se este julgamento permaneceria intacto, melhoraria ainda mais ou sofreria alguma queda (brusca ou não), por conta da expectativa grandiosa criada ou da falta de qualidades técnicas.

Pode-se dizer ao fim da sessão que Afônica continua sendo um filme bem peculiar na cinematografia baiana, que traz elementos inovadores e um desenvolvimento narrativo bem consistente. Começando pela proposta inicial, que é contar a história de Carla, garota muda (perdeu a voz em um acidente), mas não surda, que resolve cantar em um evento musical. Assim o projeto já consegue externalizar esse desafio bem inovador, que é criar um “musical mudo”. Obviamente que tudo iria para o ralo se o diretor não se utilizasse de licença poética e ludicidade para desenvolver esta importante parte da história.

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Desta forma, o filme – produzido em preto e branco – ganha cores sempre que a protagonista se imagina cantando. Sim, o musical ganha sua forma através da imaginação de Carla, que produz em sua mente algumas das sequências mais interessantes do filme, como na canção com número de dança coreografada em meio a uma praça pública (quem vive em Salvador sabe bem que trata-se da região do Campo Grande). Esta sequência já mostra duas boas características de Afônica: sua fotografia, que ao trabalhar nesta contraposição do preto e branco com o colorido se mostra parte essencial para se entender a proposta; e a trilha sonora, original que traz a tiracolo um belo exercício de dança coreografada. Claro que comparado aos musicais americanos, soa um tanto simples, mas pensando unicamente na história, diria que ela cumpre muito bem seu papel de ampliar ao máximo o que de mais belo sai da imaginação da protagonista. Há de salientar que a trilha sonora do filme foi composta por André Dias, que também escreveu três das cinco canções do filme.

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O elenco está bem, e a dupla principal da história, composta por Lorena Blanes (Carla) e seu melhor amigo (Dan Hudson) não compromete em nada o bom desenvolvimento do roteiro. Lorena esbanja simpatia em sua expressão facial, criando rapidamente uma conexão com o espectador. Todos devem saber que o principal objetivo de um filme é fazer com que o público se interesse pelos personagens, se preocupem com eles e torçam (seja para o bem ou para o mal). Se conseguir isso, pode-se dizer que é meio caminho andado para o seu sucesso. Afônica consegue sim criar uma boa conexão do espectador com a protagonista, mais este sentimento poderia ser ainda mais intenso se as sequências cantadas fossem mais bem trabalhadas e finalizadas. A voz da protagonista (dublada pela cantora Carol Lima) acaba ficando um pouco aquém do necessário para a construção dessa relação com o público.

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Assim, após trinta minutos de uma interessante história, podemos dizer com tranquilidade que Afônica continua merecendo todos os elogios iniciais. Maurício Lídio conseguiu trazer para o cenário baiano novidades (narrativas e de produção) que certamente preencherão algum dos vazios que nossa cinematografia apresenta. Sua proposta inicial – que é ótima e inovadora no papel – ao ser colocado em prática continuou interessante, e mesmo com suas falhas, bastante compreensíveis num projeto com tamanha ousadia, o filme ao seu final segue encantador.


3 respostas para “Afônica”

  1. Vi esse curta no Quartas Baianas e achei muito bom. Não conhecia o trabalho desse rapaz. Vejo um futuro bacana aí. Parabéns pelo blog, sempre acompanho.

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