Ismos – Para Entender o Cinema – Cabine Cultural
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Ismos – Para Entender o Cinema

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Ismos – Para Entender o Cinema

“Ismos – Para Entender o Cinema” (Ed. Globo, 160 págs.), de Ronald Bergan.

Ronald Bergan, colaborador do jornal britânico The Guardian, é o autor deste interessante guia de cinema, que trabalha basicamente dentro da perspectiva dos ‘ismos’, onde os filmes são categorizados de acordo com crenças, atitudes ou estéticas que possuam em comum.

Logo em sua introdução, Bergan identifica os quatro tipos de ‘ismos’ que permeará essa sua obra: os relacionados ao gênero (gangsterismo…), conceito criado durante o período em que Hollywood se estabeleceu como um aglomerado de estúdios produtores de filmes. Servia para facilitar as decisões de produções e também a comercialização dos filmes. O espectador rapidamente se adaptou com esta divisão, que permanece até os dias de hoje bem forte, fazendo o espectador criar preferências por este ou aquele gênero cinematográfico específico.

Temos também os ‘ismos’ relacionados aos subgêneros, que existem sob o âmbito mais amplo de um gênero e possui seus próprios e diferenciados assuntos, estilos e iconografias. Temos como exemplo o pastelão, subgênero da comédia. O terceiro tipo de ‘ismo’ refere-se aos movimentos artísticos, sendo esta divisão um reflexo da característica plural que o cinema possui, dialogando com diversas outras artes. Como diria o grande cineasta russo Eisenstein, o cinema “é a síntese de todas as artes”. Exemplos são os filmes expressionistas alemães e surrealistas franceses realizados na década de 1920.

E o último tipo de ‘ismo’ utilizado por Ronald é relacionado aos períodos específicos, como o construtivismo e o neorrealismo italiano. Essa divisão comporta fases curtas que algum movimento tenha vivido.

Vejamos agora alguns trechos interessantes do livro:

Expressionismo
“Em A tela Demoníaca (1974), influente livro sobre o Expressionismo, a historiadora Lotte Eisner defende que a técnica moderna do cinema apenas deu forma visível às fantasias do romantismo alemão do século XIX”.

Documentarismo
“O termo foi aplicado pela primeira vez por John Grierson para definir Moama (1926), de Robert Flaherty. Principal força por trás do movimento documentarista britânico da década de 1930, Grierson definia o gênero como o tratamento criativo da realidade”.

Surrealismo
“Jean Cocteau descreveu o cinema como um sonho que não é contado, mas sonhado por todos nós ao mesmo tempo, juntos. Ou seja, tudo a ver com o conceito surrealista de arte como automático psíquico: um jogo livre da mente e do subconsciente, expressando o irracional, o caótico, a neurose”.

Melodrama
“O Melodrama é uma tradição cinematográfica que remonta aos tempos de D.W. Griffith, cujo filme As Duas Tormentas (1920), com Lillian Gish como menina órfã abandonada no frio, evoca os drama do teatro vitoriano.”

Ismos – Para Entender o Cinema

Resumindo, o livro cumpre bem o papel de apresentar aos iniciantes do cinema todas as divisões possíveis que a sétima arte pode apresentar. Com boa qualidade de escrita, Ronald caracteriza bem os gêneros cinematográficos, sugerindo sempre interessantes e relevantes filmes para o leitor adentrar nos universos que ele mostra.



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