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Salvador e as manifestações no Brasil

Brasil

Foram anos, décadas, séculos engolindo aquele amargo sentimento de revolta, de indignação, ódio até, para com o Estado, contra o status quo. Isso porque, apesar de existir em ideia, o conceito de soberania popular, de fato, nunca foi levado em consideração no Brasil. O povo passou (depois de vencer algumas duras ditaduras) a ter o significativo direito de escolher seus representantes, seja para a câmera de vereadores, seja para a presidência da República.

Essa vitória – grandiosa – no entanto se mostrou insuficiente para garantir o desenvolvimento igualitário da nação e o envolvimento do povo nas principais decisões que levariam a este desenvolvimento. A soberania, tão primordial para uma democracia como a nossa, ainda não era popular. Ainda não é.

Porém, lá no fundo de algum túnel paulistano encontraram algum feixe de luz, que se bem trabalhado, poderá – a curto, médio e longo prazo – se apresentar como o possível nascedouro de uma nova ordem social, de uma nova estrutura de governo, de um novo modelo de gestão, de um novo sistema que funcione sob a égide da tão sonhada soberania do povo.

20 de Junho
Neste sentido, o dia 20 de junho é histórico. Não éramos mais centenas, nem dezenas de milhares. Foram milhões de cidadãos e cidadãs que largaram o sofá, deixaram a TV em stand by, saíram das redes sociais e foram às ruas começar a construção de um novo país.

Pode-se até dizer que é apenas mais uma tentativa, ainda. Certamente este discurso será expresso por quem não participou da onda de protestos, por quem, por seus diversos motivos, não saiu de suas casas, ainda.

Para quem estava em alguma das manifestações organizadas Brasil afora, seja numa megalópole como o Rio de Janeiro, seja na capital federal, seja na longínqua (para nós, baianos) Manaus, não havia dúvida nenhuma de que há algo diferente neste precioso momento que nossa ainda jovem e complexa democracia vivencia.

Repressão Policial

Salvador
Em Salvador, nossa cidade sede, algo assim não acontecia em grande escala desde a chamada Revolta do Buzú, mobilização de jovens secundaristas (dentre outros) que visavam impedir o reajuste do transporte público.

Sim, apesar de reconhecermos que saúde e educação possuem (também) uma importância estratégica vital para qualquer nação, coube mais uma vez ao reajuste tarifário do transporte público o elemento encenador – incitador – iniciador – da revolta popular. Mas desta vez era algo maior. Bem maior.

Foram mais de 20 mil pessoas, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia. A sensação dos que estavam lá, entretanto, indicavam um número bem maior.

Um número incontável, até. Era a segunda manifestação da semana, a primeira, na região do Shopping Iguatemi, aconteceu pacificamente, sem nenhum tipo de confrontamento com a Polícia Militar.

Professor Wilson Gomes (UFBA) fala das manifestações em Salvador

Afinas de contas, acredita-se seriamente que os anseios da classe policial se enquadram muito mais aos anseios e desejos dos protestantes que dos anseios das classes políticas, principais alvos dos protestos. Policiais, como outros milhares de cidadãos, também sofrem, e muito, com as consequências de (des)governos corruptos e mal intencionados com a ideia sagrada de soberania popular.

Manifestações em São Paulo

Assim, sempre há a esperança de que a Polícia Militar – estrutura que ainda traz resquícios da Ditadura Militar – cumpra somente sua função social de proteger seus cidadãos, seus chefes, afinal de contas, sempre vem aquela ideia comum de que é a sociedade quem paga seus salários.

Repressão
Um pena então que este desejo se mostre ainda de cunho romântico, quase que utópico. Evidente que em uma multidão de 30, 40 mil pessoas, haveria um, dez, cem até, que queriam extravasar suas frustrações pessoais, sociais, psicológicas… Isto até é compreensível. É uma minoria tão insignificante que poderia tranquilamente passar despercebida perante a grande maioria que queria somente externar sua revolta com o Estado, com o já dito status quo.

Mas graças a AÇÃO – REAÇÃO – AÇÃO de uma estrutura policial ineficiente, são estas ações que mais vem à tona na mídia. Claro que em um estado ideal, qualquer espécie de vandalismo ou ação depreciativa com o patrimônio público é odiável, censurável.

Mas os acontecimentos – todos eles – da tarde/noite do dia 20 de junho de 2013 acabam fazendo sentido, pois traça um exato raio x de nossa atual sociedade: milhares de cidadãos esperançosos, outros frustrados, uma polícia repressora, violenta, despreparada, e um Estado omisso.

Seguiremos acompanhando tudo e esperamos que nossas próximas considerações sirvam para comemorar vitórias, não as da Copa das Confederações, mas sim as vitórias de uma sociedade que clama para ser ouvida.

Cristiana de Oliveira
“A inércia de um Governo que diz não saber por quais razões se tem ido às ruas, quando se exige de forma autoritária que fotografias sejam apagadas de máquinas, quando algo estoura perto de você de forma injusta e quando a sociedade de junta em um único grito e desejo, isso traz ainda mais força para lutar! Para continuar! Tenho esperança de que algo nesse pais mude!

Que nas próximas eleições façamos ainda mais diferença! Tenho esperança de que o Governo acorde! Que projetos sem sentido sejam aprovados ou colocados em pauta sem que a sociedade seja levada em conta! Que os gastos com a Copa sejam apurados! Que os desvios sejam punidos! Que tenhamos pessoas íntegras dirigindo nosso país! Que projetos sem sentido NÃO sejam aprovados”.

Manifestações em Salvador (20 de junho de 2013). Por Cristiana de Oliveira

Protestos em Salvador Protestos em Salvador Protestos em Salvador Protestos em Salvador Protestos em Salvador Protestos em Salvador Protestos em Salvador Protestos em Salvador

 

 


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