Ginger & Rosa | Cabine Cultural
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Ginger & Rosa

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A cineasta inglesa Sally Potter certamente utilizou de seus anseios pessoais, suas experiências, ideias, reflexões e tudo o mais na construção de seu mais novo projeto, Ginger & Rosa, um interessante drama ambientado na década de sessenta, período em que a Inglaterra ainda lutava, econômica e (sobretudo) moralmente, para se recuperar dos vestígios traumáticos da segunda grande guerra mundial.

Segunda guerra esta que ainda assolava constantemente a mente um tanto confusa e em ebulição da adolescente Ginger, interpretada brilhantemente pela garota de ouro Elle Fanning. Ginger representa o que este evento trágico trouxe de consequência imediata para as gerações seguintes, como o medo do fim do mundo, a insegurança e a incerteza em se fazer planos, seja estes para o futuro em curto, em médio ou em longo prazo. Ela consegue transmitir tudo isso potencializado ao fato de ser uma garota com seus quinze, dezesseis anos de idade, que já estaria propicia a estes dramas somente pelo fato de ser uma adolescente.

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O filme então acompanha as adolescentes que dão nome ao filme: a ruiva Ginger e a morena Rosa, interpretada aqui pela bela Alice Englert. Elas passam por todos os dilemas e aventuras naturais da fase, porém tendo como pano de fundo os anos seguintes ao fim da segunda guerra mundial, que assolou drasticamente a Inglaterra em dividas e, especialmente em perdas humanas. As duas nascem neste contexto, em famílias próximas, e crescem amigas, compartilhando de suas primeiras experiências em tudo.

Ginger & Rosa

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É muito interessante perceber a metáfora que a cineasta cria em torno da personalidade de Ginger, a verdadeira protagonista do filme. A preocupação exacerbada que ela nutre pela ideia de fim do mundo nada mais é do que o medo que possui de ver o seu mundo desabar completamente. Isso acontece por conta da relação conturbada de seus pais, em processo avançado de divórcio e principalmente na futura relação amorosa que seu pai irá envolver-se. Essa sim não somente irá marcar a vida de Ginger, como será o ponto de virada de toda a história.

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E para que isso soe verossímil, é bastante inteligente o modo como a relação de pai e filha é desenvolvida. Ginger possui uma adoração enorme pelo pai, um pacifista anarquista que representa tudo que a garota até então acredita. É essa adoração que preenche de alguma forma os vazios existenciais que a garota possui. Então quando o pai não está mais apto a preencher este espaço, o mundo de Ginger passa a não fazer sentido algum, e ai a história adentra num melodrama que só não soa falso e exagerado pelo fato do elenco mais que competente não permitir.

A direção de arte do filme é o grande destaque técnico, já que a apresentação daquela triste e cinzenta Londres da década de sessenta acaba agregando muito ao resultado final da história. Tendo como outro grande destaque o elenco (já citado) e uma atuação linda e consistente de Elle Fanning, Ginger & Rosa é um bom documento sobre os efeitos colaterais que uma guerra pode trazer aos corações e mentes adolescentes de todo o mundo. Bonito, poético e bem conduzido, é um filme para se ver e entender.

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