Conheça o Festival de curtas do Vale do Jacuípe – Cabine Cultural
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Conheça o Festival de curtas do Vale do Jacuípe

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Curta Vale

O primeiro Festival de curtas do Vale do Jacuípe acontecerá em setembro, na cidade de Riachão do Jacuípe, terra do grande cineasta baiano Olney São Paulo. Para falar mais sobre o evento, entrevistamos o responsável pela direção do festival, Georgio Rios. Nesta ótima conversa, ele fala sobre a história desta edição e conta tudo sobre o processo de inscrição e também sobre como será os dias do evento. Confira.

Fernando Pereira – Essa é a primeira edição do festival de curtas do Vale do Jacuípe. Como surgiu a ideia de criar um festival de cinema na região?
Georgio Rios – Sim, esta é a primeira edição do festival. E a inquietação em realizar este é calcada na premissa de que a cidade, além de ter um filho cineasta, que foi um dos marcos do cinema na Bahia, e no Brasil, este (Olney São Paulo) esteve envolvido em um episódio emblemático, com o filme Manhã Cinzenta, onde supostamente foi exibido em um avião sequestrado e desviado para Cuba por membros do MR-8, e assim lhe rendeu prisão, tortura e a situação de ter sido o único cineasta processado pela Ditadura. A cidade também foi palco de algumas produções cinematográficas a exemplo de O Caipora do diretor e roteirista Oscar Santana, bem como: Coronel Delmiro Gouveia, filme de Geraldo Sarno, além de outras produções, entre elas Sob o ditame do rude Almajesto, documentário de Olney, que trata das questões de como o sertanejo lida com os sinais do tempo para prever a chuvas na região. Ligando tudo isso com a necessidade de retomada de uma cultura cinematográfica na cidade é que nasce a necessidade do festival como uma das ações de retomada. Desta motivação que é uma inquietação coletiva, posto que coubesse a mim a direção do festival bem como a ideia do festival em si, mais há uma equipe de 12 pessoas empenhadas em tornar este festival uma realidade, para que abramos o precedente de envolver a comunidade com o que há de cinema produzido na região, na Bahia e no Brasil, bem como a falta de eventos desta natureza nas proximidades.

Cena de Manhã Cinzenta, de Olney São Paulo

FP – Queria que falasse um pouco da escolha do formato. O festival só aceita curta-metragem…
GR – Sobre a questão de ser um festival de curtas é simples, há de um modo geral, além de um gosto crescente pelo curta, uma falta de eventos em nosso entorno, e em muitos lugares, que comtemplem a dinâmica do curta-metragem; temos bons eventos, mas que ainda são poucos para a demanda de produção dos novos realizadores que, com o advento do digital, tiveram a oportunidade de transformar suas ideias em imagens a 24 quadros por segundo. Estamos sendo parabenizados a todo tempo pela iniciativa pioneira, quando em estados como a Paraíba, por exemplo, já há um calendário bem estabelecido de festivais de curtas que envolve os realizadores, colaboradores e as comunidades das cidades onde estes festivais acontecem. E isso é muito bom. Agora mesmo Coremas na Paraíba, está sediando o III CURTACOREMAS. No calendário deles ha o CINE CIPÓ, O COMUNICURTAS, CINECONGO, e outros tantos eventos dedicados ao curta, e não só isso, há no estado uma dinâmica de realização, com laboratórios de roteiro a exemplo do JABRE, as oficinas, e os coletivos de produção de baixo orçamento como: O Filmes a Granel, o Cozinha de Produção, enfim há uma dinâmica para a circulação do curta que devemos fazer valer também em nosso estado, que é bem representado em nível de coletivo cinematográfico com o CUAL, coletivo urgente de audiovisual, tem o pessoal da +1Filmes. Enfim precisamos tornar eventos como estes calendarizados como acontece, sobretudo em outros estados do Nordeste.

FP – Qual seria o objetivo do festival? Ajudar na construção de um público de cinema, na construção de fazedores de cinema ou outro qualquer?
GR – Acho que é isso mesmo de inquietar, de trazer o cinema pros confins do Sertão, fazer chegar a uma gente acostumada com o puramente televisivo que há outros olhares, há outras formas de ver e ouvir, sem ser o massivo. Em nosso caso particular pouco ou muito uma geração que está na casa dos 50, 60 já se envolveu com cinema, seja como figurante em uma produção, seja como curioso nos sets de filmagem que aqui aportaram, ou mesmo os espectadores do cinema de Manezinho Paraibano, que exibia seus filmes no Mercado Municipal, e que perderam este contato com o cinema. Além de motivar uma leva de realizadores que vem nascendo aqui na cidade.

CUAL, coletivo urgente de audiovisual

FP – O processo de inscrição já começou… queria que falasse sobre o cronograma do festival a partir de agora…
GR – As inscrições já estão a todo vapor, começou dia 11 de julho e vai até dia 13 de agosto, podendo ser prorrogado caso haja a necessidade. Têm chegado filmes de vários estados e de vários realizadores. Está previsto para que dia 24 de agosto divulguemos os filmes selecionados para as três mostras do festival: Uma nacional, uma em nível de estado e outra em nível de região. Podem se inscrever: ficções, documentários, experimentais e animações. Também estamos fechando parcerias com entidades ligadas ao cinema no estado e fora dele, algo que divulgaremos no blog do festival em breve. Também serão divulgadas em breve as oficinas que estarão disponíveis para os interessados. O festival acontecerá entre os dias 19 a 21 de setembro em Riachão do Jacuípe-Ba, na Praça da Matriz. Vale lembra que as inscrições são gratuitas. Mais informações podem ser encontradas aqui. E pelo e-mail: jacuipecultural@gmail.com

FP – E para o evento, já tem algum detalhe que nos possa passar? A produção pretende levar os diretores dos filmes selecionados, ou fazer alguma homenagem?
GR – Sobre a dinâmica do festival estamos fechando os últimos detalhes, a programação completa estará no blog do festival em breve. Mais os filmes selecionados poderão enviar um representante que terá direito a hospedagem e alimentação durante os três dias do festival, desde que se comprometam a estar na cerimonia de premiação que ocorrerá dia 21 à noite. Há algumas surpresas que estamos preparando. O homenageado será o cineasta Olney São Paulo. Pode ser que haja outras homenagens, mais ainda estamos aguardando confirmações de algumas das instituições com que estamos firmando parcerias.

 


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