Onomollywood: versão africana para os clássicos do cinema
Fotografia

Especial fotografia – Onomollywood: versão africana para os clássicos do cinema

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Matrix/ Foto: Reprodução/Omar Victor Diop

Nascido em Dakar, aprendeu a clicar sozinho e fotografa profissionalmente há apenas um ano. Antes, trabalhava na área de comunicação

Um elegante vestido preto consolidou, no cinema, a imagem da Bonequinha de Luxo imaginada por Truman Capote em um de seus romances. Agora, o fotógrafo senegalês Omar Victor Diop inverte o sistema de cores do clássico de 1961 colocando uma modelo negra e vestida de branco para fazer as vezes de Audrey Hepburn. O filme Beleza Americana passa pelo mesmo tipo de transformação. A nudez caucasiana de Mena Suvari, destaque do filme de 1999, dá lugar a de uma mulher negra, enquanto as rosas são substituídas por uma densa folhagem. Matrix, Frida, Thelma e Louise e Blow Up — Depois Daquele Beijo também ganharam novas versões pelas lentes de Diop.

Beleza Americana/ Foto: Reprodução/Omar Victor Diop

Nascido em Dakar, aprendeu a clicar sozinho e fotografa profissionalmente há apenas um ano. Antes, trabalhava na área de comunicação de uma multinacional. Mas seu primeiro projeto conceitual, o Fashion 2112, exibido na Bienal Africana de Fotografia, em 2011, o fez abandonar a carreira corporativa. Desde então, o novato se dedica à moda, à publicidade e às belas artes, sempre retratando os aspectos da África moderna, que poucos conhecem. Seu segundo experimento, esse das cenas famosas do cinema, se chama Onomollywood e colocou o trabalho de Diop em veículos internacionais importantes. A CNN, o Daily Mail e o The Huffington Post já falaram sobre a ideia. A série foi realizada em co-autoria com o fotógrafo franco-americano Antoine Tempé a convite do Onomo Hotel Group e traz 20 fotografias feitas em Dakar e Abidjan, na Costa do Marfim. Uma exposição será realizada em novembro deste ano nas duas cidades, além de Libreville, no Gabão, locais onde a rede de hotéis funciona.

Bonequinha de Luxo/ Foto: Reprodução/Omar Victor Diop

Cultura pop sem barreira
A escolha pelo cinema nesta série tem a ver com sua capacidade de transcender barreiras geográficas, culturais e raciais. A cultura pop chegou a diversas partes do mundo, e as maiores cidades africanas não ficaram de fora, a despeito da imagem de isolamento que muitas vezes fazemos do continente. É isso que Diop e Tempé querem mostrar. “Cresci assistindo a esses filmes [retratados no projeto]. Eu me lembro de fazer vários papéis junto com os amigos quando era um garoto, personificando James Bond como se eu fosse Roger Moore e correndo pela casa em busca de espiões na cozinha da minha mãe…”, conta o fotógrafo no site do Onomollywood.

Blow Up – Depois Daquele Beijo/ Foto: Reprodução/Omar Victor Diop

À CNN ele disse ainda que a decisão de trocar um bom emprego pela carreira de fotógrafo não foi bem vista pelos pais. ”Ser um artista não é uma opção válida. Venho de uma família onde todo mundo é sênior em suas carreiras e estudei em escolas de primeira linha muito avançadas e caras. Com o dinheiro que minha família investiu em mim, você pode imaginar obviamente que minha mãe ficou desolada, mas agora tenho o total apoio deles”.

Mais fotos

Frida/ Foto: Reprodução/Omar Victor Diop


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