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Cinema

Flores Raras

Flores Raras

Flores Raras, novo longa do diretor Bruno Barreto chega aos cinemas de todo o país no dia 16 de agosto. O longa teve suas primeiras exibições na Sessão Panorama do 63º Festival de Berlim, no último mês de fevereiro, além de ter sido selecionado para o Festival de Tribeca, em Nova York.

Flores Raras é o 19º longa de Bruno Barreto. Estrelado por Glória Pires e Miranda Otto, recria o Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60 do século passado para acompanhar a real história de amor entre a poeta norte-americana Elisabeth Bishop e a arquiteta autodidata Lota de Macedo Soares. Elisabeth Bishop, emocionalmente frágil, alcoólatra e que passava a vida em viagens, sem família e residência fixa, torna-se cada vez mais forte à medida que sofre diversas perdas em sua vida. Lota de Macedo Soares, otimista, autoconfiante e empreendedora, torna-se cada vez mais fraca quando vê ameaçado o grande amor de sua vida e o controle de seu maior projeto, o Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Flores Raras – Miranda Otto – Crédito Lisa Graham

SINOPSE
A história de amor entre Elisabeth Bishop (poeta norte-americana vencedora do Prêmio Pulitzer em 1956) e Lota de Macedo Soares (arquiteta autodidata que idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro). Ambientado no Brasil dos anos 50 e 60, quando a Bossa Nova explodia e Brasília era construída e inaugurada, o longa acompanha a história dessas duas grandes mulheres e suas trajetórias inversas.

ENTREVISTA BRUNO BARRETO
O que te atraiu para o projeto de Flores Raras
?
Minha mãe (Lucy Barreto) comprou os direitos do livro (Flores Raras e Banalíssimas, de Carmen Lucia Oliveira) em 1997. Ela sempre insistia comigo para que eu lesse, mas eu não me interessei pela história de início. Terminei lendo-o pela primeira vez em 2004. Há alguns anos, eu estava escrevendo O Casamento de Romeu e Julieta (2005) com o Mário Prata. Ele me disse que a ex-mulher dele, a Marta Góes, havia escrito um monólogo que seria perfeito para a milha mulher na época, a Amy Irving. O monólogo era Um Porto para Elizabeth Bishop. Comecei a me interessar pela história quando vi a Amy no palco fazendo esse monólogo. Fui ler o livro, achei o material ótimo, mas ainda não tinha encontrado o ângulo pra contar essa história. Nesse meio tempo, eu me divorciei da Amy. Não sei se tem uma ligação aí, mas acho que tem. Quando terminei Última Parada 174, decidi pegar esse projeto; naquele momento eu queria fazer um filme sobre a perda. Por que eu queria contar essa história? Não é porque a Bishop passou 15 anos no Brasil; isso em si não dá um filme.

Flores Raras – Glória Pires e Miranda Otto Crédito Lisa Graham

Como foi o processo de adaptação do livro (Flores Raras e Banalíssimas, de Carmem Lucia Oliveira)?
Minha postura, como sempre, foi de total liberdade em relação ao material. Como eu não estava fazendo um documentário, tomaria todas as licenças que precisasse tomar. O filme não é uma biografia; Lota e Elizabeth são apenas personagens dessa história. Meu foco sempre foi a história de amor entre elas. A Carolina (Kotscho) escreveu todo o roteiro, e depois o Matthew (Chapman) entrou para colaborar porque a grande maioria das cenas é em inglês, com pouquíssimas cenas em português. Isso não foi forçação de barra; elas realmente falavam em inglês a maior parte do tempo entre elas.

Flores Raras deve causar certa polêmica pelas cenas mais íntimas entre Glória Pires e Miranda Otto. Você teve alguma preocupação especial ao filmar essas cenas?
Eu tive uma única preocupação: que o público visse as cenas de amor entre a Lota e a Elizabeth como se estivessem vendo mais uma cena de amor entre um homem e uma mulher. Espontaneidade foi o que eu mais persegui – e tenho certeza que consegui.

Houve algum detalhe em relação à época em que se passa a história – os anos 50 e o começo dos anos 60 – que você quis sublinhar na direção?
A época – os anos 50 – me foi muito útil para sublinhar o profundo interesse que a Lota e a Elizabeth tinham pelo design. Esse amor comum pela forma estética foi um dos elementos mais fortes nessa união de dois seres tão distantes e diferentes.

Flores Raras – Glória Pires e Miranda Otto – Crédito Lisa Graham

Quais foram suas influências e inspirações ao dirigir Flores Raras?
Uma de minhas grandes influências foi o pintor americano Edward Hopper, um artista que sabe equilibrar o claro e o escuro. O filme é um pouco sobre isso: coisas que escolhemos ver, outras que estão na nossa frente, mas não vemos; depois é muito tarde, deveríamos ter visto antes… É um filme sobre o tempo também.

 




Uma resposta para “Flores Raras”

  1. Adorei a entrevista, só veio completar a intenção do filme, para mim uma ótima película, sexta feira sairá no blog cine amado.

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