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Entrevista – Falsos Modernos

Falsos Modernos

Uma das mais interessantes novidades da cena musical de Salvador, a banda Falsos Modernos acaba de lançar seu primeiro álbum, intitulado Perfil de Cena.

Formado por Boni (vocal e guitarra), Bruno Carvalho (guitarra e vocais), Leo Abreu (bateria) e Dudare (baixo), a banda Falsos Modernos tem pouco mais de um ano de vida, mas seus integrantes são já bem conhecidos no circuito musical de Salvador.

Nesta entrevista – exclusiva – o guitarrista Bruno fala do início do grupo e de como surgiu o conceito de falsos modernos. Fala também do cenário musical de Salvador e de bônus ainda dá dicas de novos artistas que estão surgindo na nossa terra. Está muito legal. Confiram!

Escute o álbum Perfil de Cena

Fernando Pereira – Queria começar falando da origem – e do próprio nome de vocês – que diferente de muitos outros nomes de bandas, possui um conceito por detrás. Como foi que surgiu esse projeto de juntar elementos do rock clássico, da jovem guarda, com essa pegada mais contemporânea, pop, e também alternativa?

Bruno Carvalho – Eu e Leo Abreu (baterista) ensaiamos pela primeira vez em junho de 2011, com outro baixista. Não demorou pra sacarmos que precisaríamos de um vocalista. Chamei Boni, que eu já conhecia já há um tempo, e funcionou. Passamos a compor juntos e estamos ai até agora.

Falsos Modernos (foto de Carla Galrão)

No início tivemos muita dificuldade em conseguir um nome legal pra banda, mas depois de um infindável brainstorm (e vários nomes ruins cogitados) chegamos a Falsos Modernos. Tem ligação com a própria sonoridade da gente, que tem um pezinho no vintage e outro no moderno.

A maneira como compomos ou soamos não foi muito pensada. As músicas soaram nessa pegada meio jovem guarda e afins por que gostamos muito de artistas como o Roberto Carlos, Erasmo, da fase psicodélica do Ronnie Von, ao mesmo tempo em que ouvimos coisas mais atuais tipo Black Keys. A única coisa premeditada é que queríamos fazer um som que fosse dançante. Mas não temos um compromisso com a estética vintage ou moderna. O próximo disco pode soar totalmente diferente desse, ou não. O que a gente quer mesmo é fazer música, e que esse processo seja o mais divertido e honesto possível.

Perfil de Cena

FP – Pouco mais de um ano de vida e vocês já lançaram um EP – bem produzido – agora um álbum completo (Perfil de Cena) e ainda fazem uma quantidade significativa de shows. Isso há algum tempo atrás era inimaginável na cena alternativa de Salvador. Já dá para pensar num cenário ideal ou ainda é cedo?

BC – Ainda é cedo, eu acho que estamos vivendo um momento de ressurgimento da cena rock de Salvador. Tem muita banda nova tocando, aparecendo, começando a fazer algum barulho. Estamos no momento de juntar público, divulgar a banda. Hoje já temos mais casas de shows, mais locais pra se tocar, então por consequência, toca-se mais.

Vamos esperar um pouco mais para sacar como as coisas vão acontecer, como essa dita cena vai se desenvolver, mas as perspectivas são boas.

FP – Bruno, você vem de duas das bandas mais bacanas da história recente de Salvador, a The Honkers e a Vendo 147. Todos os outros também vêm de outros bons projetos. Queria saber como é o processo de ter que recomeçar tudo do zero. Vocês curtem ou não veem a hora de permanecer por décadas numa banda?

BC – Recomeçar é difícil sempre, mas eu gosto muito de compor, tocar com gente nova, me sentir estimulado, criativo. Essa é a melhor coisa do recomeço. O importante pra mim não é quanto tempo a banda existe, mas sim se ela se mantém na ativa, criando coisas novas sempre. Não vejo sentido em passar muito tempo tocando o mesmo repertório.

Inclusive já estou compondo pro Falsos Modernos. O segundo disco já tá prontinho aqui na minha cabeça!

Falsos Modernos

FP – Quem de vocês estava naquela noite do Placebo no Festival Claro que é Rock? Lembro da Los Canos, Ronei Jorge, Canto dos Malditos na Terra do Nunca, Brinde e Theatro de Séraphin. Foi um momento bem memorável para a cena rock da cidade, não? Acham que faltam mais eventos deste nível aqui?

BC – Eu estava na plateia, mas com amigos em todas as bandas citadas. Foi um momento legal, sim. Tivemos depois festivais legais, grandes, rolando por aqui como o Boom Bahia e o Big Bands, além de vários outros projetos patrocinados que dão espaço para novas bandas.

Acho que de modo geral os festivais ainda são importantes, principalmente para divulgar o som da banda para um público que não necessariamente frequenta os shows desse circuito alternativo local. Sempre tive um feedback ótimo depois desses shows em festivais.

FP – E o figurino? Todos os vídeos e promos que vi vocês estão de paletó, gravata também. Como surgiu essa escolha? Não incomoda estarem todos cobertos do mais puro linho numa cidade com esse calor absurdo?

BC – Boa pergunta. Olha, eu nasci com algum defeito genético por que eu quase não suo. Hehehehe! Mas o resto da banda sempre encerrou os shows encharcados de suor. Ao vivo a gente até deu uma maneira no figurino, deixando tudo um pouco mais informal, mas de modo geral tocamos bem bonitos ainda.

A ideia do figurino foi uma brincadeira com o próprio nome da banda também. Nas fotos de divulgação investimos muito nessa estética, agora para os shows estamos pensando em experimentar novas versões do figurino para que possamos ficar mais à vontade sem perder o estilo!

FP – Perfil de Cena é um trabalho todo autoral, mas nas apresentações acontecem vários covers, já vi de Madonna a Roberto Carlos, e sei que tem também Strokes, Coldplay… Como é que vocês decidem isso? Um de vocês chega com a ideia ocasionalmente ou isso é decidido coletivamente?

Falsos Modernos

BC – A gente já teve um repertório com bem mais covers mesmo. Hoje tocamos no máximo três por show, e normalmente são versões, com arranjos totalmente diferentes da original, o que é mais estimulante pra gente.

Normalmente alguém chega com a ideia, discutimos, e se soar bem a gente encaixa no set list, mas o objetivo é se manter sempre flexível e diverso.

FP – Queria que vocês falassem dos convidados do álbum. Tem muita gente bacana, como a Candice Fiais, o Irmão Carlos, tem também o Leonardo Leal, da banda Os Jonsóns… Como surgiram esses convites?

BC – Queríamos convidar pessoas que acrescentassem algo às canções, mas que fossem amigos e tivessem afinidade com o que estamos fazendo. A voz de Candice, o trompete de Leo Leal, a gaita de Luiz Rocha, a voz de Carlinhos e o teclado de Cebola fizeram total diferença e melhoraram muito as músicas. Leo, Cebola e Carlinhos estiveram conosco em diferentes fases da concepção não só do disco, mas da banda em si. Candice e Luiz chegaram depois e deram um toque diferente à algumas das nossas canções, e o resultado foi muito impressionante pra gente, ficamos muito satisfeitos.

FP – Queria saber o que vocês estão ouvindo de novidade da cena musical daqui da Bahia. E o que vocês acham dela, por sinal?

BC – Tem muita coisa legal rolando na cidade, a Bahia está começando a ser referência na música independente e há muito esperamos por isso. Casas de shows novas, mas sinto falta também de um público que consuma mais a cena local. Esse público existe, mas ele precisa ser conquistado, e cabe a gente estabelecer estratégias pra conquistar esse pessoal. Das mais novas, as minhas favoritas são Os Jonsóns, Callangazoo e Tentrio, mas poderia citar mil outras.

UCI OrientCinemas



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