Invocação do Mal | Cabine Cultural
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Invocação do Mal

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Demonologia é um assunto que sempre me chamou atenção, sobretudo quando abordada no cinema. Desde muito cedo que vejo filmes de terror baseados em histórias envolvendo demônios e fantasmas, e eles sempre me fascinaram. Quando assisti O Exorcista pela primeira vez, tive alguns problemas para dormir, claro, mas também fiquei em êxtase com a macabra história da Reagan, tanto que logo depois me vi lendo o livro bem rapidamente. O mesmo aconteceu posteriormente com Poltergeist e depois com O Terror de Amityville, O Chamado, O Grito, O Último Exorcismo, Sobrenatural e muitos outros que acabei assistindo durante todos esses anos.

Sendo assim, nada mais natural a minha curiosidade a respeito de Invocação do Mal, novo grande hit do momento no gênero e que estreou esta semana nos cinemas do Brasil. A história do filme gira em torno da família Perron, que comprou nos anos 70 (o filme é todo – exceto a introdução – passado em flashback) uma casa afastada da civilização. Eles não possuíam muito dinheiro e pensaram que a oferta daquela casa seria um meio de recomeçar suas vidas fora da grande cidade. Porém, logo nas primeiras horas vivendo no local que coisas estranhas passaram a acontecer.

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De início eram pequenas aparições para as crianças, puxões de lençóis no meio da noite, nada muito agressivo. Mas não demorou muito para chegar neste estágio e ai Carolyn, a matriarca, busca então a ajuda dos maiores especialista em demônios dos Estados Unidos, o casal Ed e Lorraine Warren, que logo numa primeira visita detectam a existência de seres demoníacos que viveram lá tempos atrás e que desejam matar todos aqueles que tomaram sua propriedade ao longo da história. Ed e Lorraine terão então que trabalhar na purificação, não da família, mas da casa, no caso que é tido por eles como o mais perturbador de suas vidas como profissionais. A história foi inspirada em caso e personagens reais. As famílias Perron e Warren realmente existem (alguns vivos) e foi através de seus depoimentos que a história (utilizando-se de licença poética, evidente) foi construída.

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Muitos dos elementos técnicos do filme me chamaram a atenção, mas não poderia começar os elogios de outro modo senão rasgando seda para o casal de protagonistas. Ed e Lorraine, vividos aqui pelos atores Patrick Wilson e Vera Farmiga, impõem um teor de veracidade nos personagens admiráveis, fazendo-nos até mesmo crer que eles eram realmente o casal verdadeiro. Vera Farmiga, diga-se de passagem, trabalha bem a personalidade da clarividente que demonstra ao mesmo tempo ser destemida, mas também frágil em algumas situações. E não é somente o casal central que trabalha bem no filme, o elenco todo é muito bom e a primeira razão para o sucesso que o projeto vem obtendo nos cinemas é justamente esse, a qualidade do seu elenco.

Invocação do Mal

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Mas o filme não se sustenta somente nas atuações. Ele possui também alguns elementos técnicos que ajudam muito no clima proposto, que é o de assustar como poucos filmes de terror já assustaram. Um dos mais interessantes é a fotografia, que recria bem a atmosfera, não somente dos anos 70, mas também de uma típica fazenda americana. Todo esse ar antigo contribui muito para a sensação de que os acontecimentos realmente ocorreram. E junto com a fotografia, vem a direção de arte, que ambienta de modo perfeito a história e o figurino, que deixa bem claro que a história não é atual.

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Por fim, a direção do filme merece todos os elogios. O trabalho de câmera realizado em muitas das sequências prova indiscutivelmente o quão acima da média se encontra Invocação do Mal. Esse é, diga-se de passagem, o primeiro trabalho de James Wan (o diretor) sem o seu parceiro, Leigh Whannell. Mais conhecido por seu trabalho em Jogos Mortais, o tema envolvendo demônios e assombrações não é novidade para ele, vide o ótimo Sobrenatural, um de seus trabalhos mais notáveis, que só perde em qualidades para este novo clássico do gênero que acaba de entrar nos cinemas. Nem preciso dizer que o filme é indispensável para os amantes do bom terror.




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