Em show, Clarice Falcão mostra fragilidade do seu trabalho | Cabine Cultural
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Em show na Concha, Clarice Falcão deixa transparecer a fragilidade do seu trabalho

Clarice Falcão em show na Concha Acústica - Foto de Lucas Seixas

Clarice Falcão em show na Concha Acústica – Foto de Lucas Seixas

Provavelmente o momento de maior emoção foi quando uma fã invadiu o palco e tascou-lhe um beijo na boca, um movimento brusco que ninguém estava esperando em meio a tanto marasmo

Por Ana Camila

A impressão que Clarice Falcão deixou nos mais atentos ao seu show no último domingo (08/12), na Concha Acústica do TCA (Salvador) é a de que a brincadeirinha que começou no YouTube acabou indo “longe demais”. Clarice adotou uma personagem bonitinha, fofinha, esquisitinha, que compõe canções com arranjos simples, mas com uma pegada irônica, sarcástica e bastante sem noção. Difícil não dar risadas gostosas ao ouvir a moça cantar tão docemente versos como “eu queria tanto que você não fugisse de mim, mas se fosse eu, eu fugia”, ou “Só pra você saber, eu esqueci você, e se um dia eu te ligar de madrugada em desespero… é engano”, especialmente se for para ouvi-la cantar despretensiosamente em um vídeo caseiro. Clarice Falcão é a fofinha, a engraçadinha, aquela que do nada vai falar algo inesperado, mas sempre assim, espontaneamente.

Deu certo, Clarice conquistou corações dos que são apaixonados pela cultura Porta dos Fundos, que investe em um humor por vezes hiperbólico, outras vezes com base na graça pela falta de lógica, sempre se apoiando em atores/personagens que causam empatia no público. Clarice Falcão surgiu também dessa leva, e certamente muitos dos seus fãs adolescentes, presentes no show da Concha, são os mesmos consumidores de produtos afins ao Porta dos Fundos. Mas esse “deu certo” certamente não se aplica a versão “show” da moça.

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Já pelo disco, intitulado “Monomania” era possível notar que Clarice Falcão não necessariamente precisava ter lançado um disco. Afinal, convenhamos, qual a graça de ouvi-la cantar em CD as canções que conhecemos dos seus fofos vídeos no YouTube sem ser através destes? Um produto que foi todo construído com base na imagem não necessariamente precisa ser vinculado ao meio fonográfico para ter algum valor a mais. Mas Clarice foi conduzida por este caminho e, claro, quem grava disco quer tocar.

O resultado é um show que tenta o tempo inteiro reproduzir o universo cômico criado pela atriz/cantora quando seu produto começou a tomar forma. Clarice faz a esquisita, e não tem desenvoltura no palco, não sabe lidar com o público, não parece se sentir à vontade com a histérica comunidade de fãs que se aglomera diante dela, não é uma “artista da música”, por assim dizer. Acompanhada por uma banda excelente e bastante versátil (o baterista se reveza com o violonista, o baixista é também trompetista e se reveza com o tecladista, etc), as músicas ainda assim são bobinhas e curtinhas, e daí é fácil concluir que a moça nem tem repertório para um show. Mas pra fazer pelo menos uma hora de som, canta um par de “novas músicas” e faz uma gracinha com o namorado, o ator Gregório Duvivier, cantando um tema de “A Bela e a Fera”, depois uma versão “abrasileirada” insossa de “Let’s Call The Whole Thing Off”, tão banal como todas as suas canções soam ao vivo.

Clarice Falcão em show na Concha Acústica - Foto de Lucas Seixas

Clarice Falcão em show na Concha Acústica – Foto de Lucas Seixas

Talvez a escolha do palco para o show em Salvador tenha prejudicado Clarice Falcão, que de uns meses pra cá vem se apresentando em arenas em vez de teatros – onde ela fez suas primeiras experiências e onde seria bem mais adequado. Sua performance tem um quê de stand up comedy que não funciona em espaço para shows grandes e dançantes, e o seu show é justo o contrário. As pessoas queriam ver a carinha bonitinha esquisitinha da mocinha do Porta dos Fundos, da mocinha que canta as canções excêntricas com cara de espontânea, e a Concha Acústica do TCA te pede mais que isso.

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De qualquer forma, a impressão que dá é a de que Clarice Falcão não deveria ter saído da web. Não porque ela seja incapaz ou ruim, mas porque é importante que os produtos encontrem os veículos onde funcionam e por lá mesmo fiquem. No momento em que Clarice rompeu com a web e entrou em um palco de verdade, a fragilidade do seu trabalho tornou-se evidente, bem como seu desajuste naquele ambiente.

Provavelmente o momento de maior emoção foi quando uma fã invadiu o palco e tascou-lhe um beijo na boca, um movimento brusco que ninguém estava esperando em meio a tanto marasmo. Fora isso, somente um produto desajustado e frágil que se confia na lealdade de um público jovem formado pela internet e pelas novas investidas da linguagem cômica que funciona na web e na TV, mas não em um palco para uma apresentação musical de uma cantora de verdade, com um projeto consistente e com um repertório convincente. O produto Clarice Falcão não é pra tanto.

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Ana Camila é jornalista cultural, assessora de comunicação, produtora cultural e mestre em Cinema pela Universidade Federal da Bahia.

66 respostas para “Em show na Concha, Clarice Falcão deixa transparecer a fragilidade do seu trabalho”

  1. Gosto dela.
    Faz jus a uma frase de Los Hermanos.

    “Se não podemos rir um do outro meu bem,então o que resta é chorar”

    O amor é uma coisa simples então a música não precisa fugir disso.

    Sem contar que o som da clarice é uma coisa autêntica.
    Não é mpb nem nada,é clarice.

  2. Se você quer ver um trabalho consistente e monótono, com um quê de turnê, você não pode procurar isso em trabalhos novos e experimentais. Procurar em alguém que acaba de sair do sofá de casa para palcos em todo o Brasil, as características de artistas com anos e anos de palco e público… Atitude inválida. Tentar se promover por uma crítica pseudo construtiva contra alguém que tem um público que cada dia mais cresce de forma totalmente espontânea e sem tanto apelo da mídia, pode ser ligeiramente uma atitude sorrateira de criar uma pequena “polêmica”. Porém trabalhos como estes, independentes e inexperientes, não tem o que os críticos de palco procuram. Na minha opinião, um show bem humorado, com um quê de improvisado e de “eu não sei como eu vim parar aqui” não demonstra fragilidade, mostra o estilo da cantora, que tinha seus vídeos no youtube sem edição, sem um cenário magnífico, e com nada mais que um violão e uma cara de “ahm”. Um trabalho condizente com o estilo de quem faz, e com o estilo de quem ouve.

  3. Primeiro existe uma informação que não é verídica: a fã histérica não tascou-lhe um beijo na boca. Ela a beijou no rosto – com muita brutalidade, diga-se de passagem – e em seguida tentou, em vão, roubar um beijo na boca. Para quem não estava lá, é possível comprovar essa versão nos vídeos disponíveis no YouTube, em que a mesma afirma que “SE ela consegue me beijar na boca, eu não saberia o que fazer”. No mais, concordo com o Klewerton Cunha:o trabalho da Clarice é direcionado a um público no qual a jornalista Ana Camila não se encaixa.

  4. Bom, achei a critica cheia de argumentos, mas nenhum argumenta, pelo menos não pra mim. Vamos lá: Clarice não lançou um CD, as músicas foram lançadas no iTunes, ou seja, nada saiu do meio digital, e hoje em dia, isso é cultura, musicas bem humoradas e com letras bonitinhas é o melhor pra hoje em dia, se não for isso, ouviremos músicas cheias de palavrões, asneiras e outros milhões fatores de “não cultura”. Bom, acho que o jovem hoje em dia (o público, de forma geral, que mais ouve Clarice) colocam o humor em tudo, inclusive na música, e o amor também, e a Clarice encaixa isso perfeitamente nas músicas dela, passou a época amores sérios: “Mais humor pro amor” e ela encaixa isso nas músicas dela tão bem que dá vontade se ser o personagem da tal música, mesmo ele se jogando da janela de um prédio, ou quem sabe quem eu gosto fugindo de mim, dá vontade de viver a música da Clarice, isso me faz gostar tanto dela.
    PS: tenho apenas 14 anos.

  5. Saudações.

    Se a Concha acústica é tanto, se o artista é tanto, não importa.
    Já está tudo pago.
    A Concha não vem ao artista, o artista vai a Concha por convite ou contrato com alguém. Assim como quem critica, critica para, e por alguém.
    Analisemos a repercussão do show e dá crítica, antes de formar qualquer opinião.
    Muitos artistas lotariam o Maracanã apenas para autografar discos.

  6. Realmente não me agradou nada a sua crítica.
    Primeiramente, eu estava no show da Clarice e percebi que ela estava meio sem jeito, mais realmente eu acho que ela não foi falsa nenhum momento simplesmente foi ela mesmo e agradou a todos que estava presente. Sou fã dela há quase dois anos e pelo o que venho acompanhando realmente as músicas dela, o jeito dela e o modo que ela trata o público não muda a personalidade dela. Realmente antes de criticar a Clarice Falcão acompanhe o trabalho dela, é melhor ela ser essa pessoa meiga, doce e sem jeito que é do que ser um artista que só quer chamar atenção para os público e para a mídia.

  7. Tantas palavras para uma pessoa chegar e falar pra você: Mas eu gosto. Seja Clarice Falcão, Maluu Magalhães Mr. Catra, Anitta, Titãs ou Noel Rosa. Como debater ou rebater um simples: “Eu gosto”?

    • Eu particularmente, achei válidos os argumentos até certo ponto, porém não concordo, a partir do momento em que quem gosta dela e sente admiração sabe do ecletismo do jeito de Clarice e esse fator os conquista, é como se ela tivesse uma “marca própria” criada com a mistura do cômico, da arte, da música e do jeito dela que completa a obra, ela ainda está no começo da carreira, tem talento (e isso vem sendo contestado pelo número cada vez maior de ouvintes), nada a impede de melhorar sua desenvoltura no palco ou de aumentar seu repertório, e quanto o ápice de sucesso ter sido no canal da porta dos fundos, isto não impossibilita que ela realize outro tipo de trabalho, diferente do que ela realizava no youtube e que ela saia da web para inovar, acredito que ela pode sim moldar cada vez mais o seu trabalho, já que está só no início de careira, mas tem-se visto que atualmente os feitos dela já caíram no gosto de muitos. Nós somos suscetíveis a mudanças, a veia artística de Clarice vem desde antes da aparição no porta dos fundos e a artista não é a personagem, apenas tem um quê dela. Além disso, Clarice consegue trazer risos às pessoas, seu trabalho deve ser valorizado pois isso é algo muito bom nos dias atuais. Não existe um padrão para o artista, a arte se manifesta de diversas maneiras, só por ela ser diferente (até mesmo com a timidez) e apresentar obras que fogem do padrão considerado normal, ela não se aplica a carreira musical? Respeito o trabalho e opiniões da autora, porém, as impressões podem nos enganar, é bom não basear-se tanto nelas. Todos têm o direito de odiar ou gostar do trabalho dela, cabe a cada um o senso critico para absorver ou não outras opiniões e o bom senso para respeitá-las.

      Abraço!

  8. Cara autora deste texto,
    não concordo em uma sequer palavra que disse. Clarice Falcão é Clarice Falcão. Ela tem um jeito diferente para se apresentar (facilmente perceptível em seus vídeos, como atriz no Porta dos Fundos ou em seu EP). Não tive a oportunidade de vê-la ao vivo, mas por ver as musicas vejo as forma em que ela se expressa em cima do palco. A forma em que você se expressou não se passa de uma maneira pessoal de criticar o show da mesma. No começo do texto, já na 1ª frase fala mal dela. E mais, um cantor ou uma cantora não agrada a todos, Clarice não pode armar um circo para fazer um show estrondoso e ter 100% de agrado e aplausos. Agora, peço que da próxima vez que for escrever, escreva de uma maneira mais superficial e deixe que o público tire as próprias conclusões, e que não enfie minhoca e crie um preceito na cabeça dos outros.
    Obrigado.

  9. O produto ao qual tanto critica foi elogiado por muitos. Você utiliza “desajustado e fágil” para descrever tal performace, convido-lhe a ter novos angulos de tal e perceber juntamente comigo que esse é um novo tipo de pruduto e que nem tudo tem que ser como na “velha escola”. Apesar de seus comentários banais a cantora/atriz atrai um publico jovem que busca por coisas novas, e ela por sua vez tenta inovar trazendo músicas, não “sem graça”, mas que se encaixem no cotidiano de cada um que escolhe ouvi-lá. E a forma de apresetação é própria, ela prefere não ser uma artista performática e chamar atenção não com “malabares” no palco, mas sim com os dons que tem, que é, no caso, fazer as pessoas rirem. Peço-lhe por favor que como profissional faça seu trabalho com mais criticidade e não julgue o trabalho das outras pessoas pelos seus próprios gostos, baseisse em fatos e em diversos pontos de vistas, que é o que um profissional de qualidade faria. Apesar de todas as suas críticas, a grande maioria das pessoas saiu do show satisfeita e feliz, mesmo tento a menina “bonitinha, fofinha e esquisitinha” apresentando-se, afinal ela sempre vendeu esse produto e a proposta desde o início era continuar a vender esse produto independente do local. E pelo visto tem bastante gente comprando-o.

  10. (Desculpe a falta de acentuacao, nao estou no meu computador)

    Não concordo quando diz que ela nunca deveria ter saido da web. Ela é uma cantora inexperiente sim, mas ela está tentando e ganhando experiência!! Acredito que em seus próximos shows irá melhorar por meio das criticas que recebe, mas não penso que ela nunca deveria ter saido da web.

  11. Tem tanta gente por aí que não entende absolutamente nada de música e de alguma forma, consegue um público para seus shows. A pergunta é… Por que ela não? Garanto que muita gente que gosta das músicas, pagaria pra ir num show dela. Conheço várias pessoas que não conhece a “Clarice do Porta dos Fundos” mas conhece a Clarice Falcão, “aquela que canta aquela música engraçadinha…”
    Desculpa, é que esse post ficou parecendo que, traduzindo: “Ela deveria ficar no lugar dela e não tentar se aventurar em outros espaços.”

  12. O problema não é ser relacionada ao programa PF ou a qualquer coisa. O problema, e este sim é o grande problema do Brasil nos últimos tempos é querer ser bonito sendo ruim. “Cantores” só fazem fama quando são desafinados? Banda só faz sucesso com modinhas pseudo-cabeças? Pés no chão… roupa rasgada… Guitarras desafinadas. Este papo de, criem algo mas criem é um papo… furado. A gente precisa acordar para a realidade. A MTV Brasil fechou as portas quando começou a voltar sua programação a esta cena pobre de espírito, esquisitinha, bregueira paraense-pernambucana-são paulina-carioca, cult, folk, style. A qualidade começou a ir pro espaço e esta modinha de filhinhos-de-papai fumando maconha com chinelos nos pés, remetendo e aclamando por uma “nova tropicália” nacional nos levou ao fundo do poço ou bem pertinho disso. Acordem para gente, pessoas que todos os dias batalham com suas bandas, poemas, danças, peças sérias, sem anarquismo. Estou cansado de ver bandinhas musicais falando lixo, cantando merdas e serem aclamadas pelos 4 cantos do País. A CULPA É NOSSA! Acordemos!

    • Olha, concordo demais contigo! A parte sobre a MTV ter fechado ou não, nem tanto, até porque nunca vi nada de interessante nela. Mas é isso aí, acorrrrrrrrrrda povo!!!

    • Oi Felipe,

      Mas qualquer análise crítica (ampla ou não) não deixa de ser, no fim das contas, uma opinião (altamente ou não) pessoal.

      Essa caracteristica que torna a crítica cultural tão relevante.

      Essa é nossa opinião, ao menos.

      Mas entendemos a sua,

      Abraços e obrigado por comentar,

  13. Rogério Skylab comentou… e é verdade, porque vim nessa notícia pelo facebook dele!!!Rogério Skylab Rocks!

  14. Não curti o texto não, porém como nunca fui em um show da Clarisse não posso formar uma opinião sólida sobre isso, mas mesmo sem conhecer de perto o trabalho da artista, o TOM dessa crítica é exageradamente negativo, eu trabalho com música ( no caso eletrônica) e sinceramente acho que tem muito crítico que detona coisa de qualidade, como se realmente tivessem gabarito pra isso !! sendo que não tem !! sinceramente prefiro escutar as músicas “bobinhas” como vocês mesmo disseram da clarisse, mesmo que com toda a sua falta de pegada musical (segundo a autora) do que ouvir parangolé e derivados, oriundos da Bahia e que tem grande presença de palco e enormes públicos !!

  15. Que sutileza ao escrever. Gostei da forma de criticar um trabalho, sem aquela velha frase final na tentativa de causar um maior efeito e/ou polemizar a reportagem acabando o artista. Parabéns!

  16. Particularmente falando, quando você conclui seu artigo dizendo “O produto Clarice Falcão não é pra tanto.” entendi como uma visão superficial demais, uma vez que, mesmo que ela se utilize da linguagem teatral e cômica para se expressar musicalmente, o conteúdo de suas músicas é muito bom e ainda consegue atrair o público jovem formando assim uma geração mais culta, afinal o estilo com que suas letras são escritas dá a entender pura poesia, e um jovem que goste de poesia não é uma coisa qualquer ou descartável, creio eu.
    Até o presente momento não tive a oportunidade de vê-la pessoalmente, porém já assisti a vários vídeos de seus shows e ela foi muito bem vista por mim, tanto na intenção, quando no trabalho.
    Quando você diz que “… as músicas ainda assim são bobinhas e curtinhas, e daí é fácil concluir que a moça nem tem repertório para um show. Mas pra fazer pelo menos uma hora de som, canta um par de “novas músicas” e faz uma gracinha com o namorado, o ator Gregório Duvivier, cantando um tema de “A Bela e a Fera”, depois uma versão “abrasileirada” insossa de “Let’s Call The Whole Thing Off”, tão banal como todas as suas canções soam ao vivo..” dá a entender que você, se assim me permite referir, não tem conhecimento do que seria realmente um “repertório para show”, afinal “show” é sinônimo de apresentação e se o repertório original da Clarice não for um bom repertório para a apresentação da mesma, o que será? Vale ressaltar que a cantora não é a primeira e nem será a última artista que fará versões de músicas que a agradam. Não consigo enxergar banalidade em uma homenagem romântica, que mal há em expressar seu amor por quem ama? Até parece que só ela canta músicas de amor para o marido. Não entendo como alguém consegue ver banalidade nas canções de Clarice, uma vez que apesar de tratar os assuntos com boas doses de comicidade, ela sabe muito bem se expressar de acordo com cada tema, e não falo isso só como fã, falo isso como amante da língua portuguesa e futura professora/poetisa que só tem a agradecer a Clarice por ter tanto conteúdo gramatical em suas letras! Ela é apaixonante, com sua voz doce e suas figuras de linguagem que, mesmo que ela esteja se fazendo de “dramática” – dizendo que se jogaria do oitavo andar por amor – ela dá a entender que isso seria um bom sacrifício, e o melhor, se utilizando muito bem da poesia para se expressar.
    O fato da “brincadeirinha do Youtube” ter ido longe demais, não é só pela personagem, pelos arranjos simples ou pela pegada irônica e sarcástica, é mais pela essência e o objetivo de Clarice em ver o “outro lado”, amenizar situações um tanto quanto desconfortáveis, como um casal que esquece momentos importantes, uma pessoa que acredita que “se não desse errado” não seria ela, uma namorada dramática que se joga do 8º andar ou até uma apaixonada neurótica que imprime seu mapa astral e decora seu RG só pra se precisar.
    Para concluir, não acredito que uma mulher de 24 anos, muito bem vividos, que usa o MPB e o Folk como meio de transmissão de suas mensagens para melhorar a sociedade – afinal não existe alguém que não se prenda a um bom MPB (nem que seja só uma música) – seja uma pessoa cujo produto “não é para tanto”. Não me canso e nunca vou me cansar de afirmar que Clarice Franco de Abreu Falcão me fez uma pessoa melhor, me fez sentir uma pessoa melhor e acreditar que ainda há espaço para o bom, e velho MPB na geração tão alienada que nos encontramos. Tenho 17 anos e mesmo não sendo muito, acredito que minha formação tem sido cada vez melhor, uma vez que as pessoas que me influenciam me fazer acreditar que valorizando o que há de bom onde você está, não lhe faltará nada. Meu objetivo não é te ofender, mas acreditar que banalizar uma pessoa cujo público-alvo é o futuro, não é uma boa opção. Me espanta o fato de essa opinião ter vindo de uma jornalista e mestre de cinema, pois seus diplomas deixam a entender que você é uma pessoa que valoriza a cultura e a boa informação.

    • Também tenho 17 anos, e assino embaixo de tudo que você falou. Teriam que agradecer de ainda existirem jovens como nós, que sabem valorizar à boa música e à poesia, ao invés de fazer quadradinho de oito e descer, rebolar e afrontar as fogosa. E sinceramente, não sou como certas pessoas que estão comentando aqui, que só compraram a ideia pelo fato de a autora ter um diploma, nada contara a carreira dela ou à ela, se ela fosse gostosa e se encaixasse nos padrões de beleza, seria melhor? Vivemos em um mundo de aparências e admiro muito uma pessoa que trabalhe com cultura, que seja jornalista cultural, assessora de comunicação, produtora cultural e mestre em Cinema pela Universidade Federal da Bahia escrever um texto tão ofensivo e preconceituoso.

  17. Li o texto e não concordo. Será que o trabalho dela é frágil ou é direcionado a um público no qual a jornalista não se encaixa? Como ela bem disse os produtos devem encontrar seus veículos e agradar o público ao qual se direcionam. Quando a Clarice faz seu show assiste quem quer, quem curte, quem reconhece e admira seu trabalho. Achei a visão elitista e excludente – “que os produtos encontrem seus veículos e por lá fiquem” – isso me cheira a segregação cultural. Então quem produz na internet que por lá fique e se eu, admirador do trabalho do cara, quiser assistí-lo ao vivo não posso, pq o ao vivo não é o veículo adequado? Se a moça é esquisitinha, desengonçada e despretensiosa é justamente isso que os fãs admiram nela… se fosse pra ver mega show e mega produção a galera ia ver Cláudia Leite, Ivete Sangalo e similares, que têm desenvoltura, domínio e palco e todas as outras qualidades que a autora cita. E na boa? Pra mim toda a experiência e desenvoltura dessa galera não os livra de produzir o que produzem: música escrota. Penso que quando a autora fala dos “mais atentos” ela quer dizer quem não curte o trabalho da moça, pq eu conheço várias pessoas que assistiram o show e adoraram. A jornalista não foi atenta, ela foi assistir um espetáculo que não curte e metralhou.

    • Opiniões assim não são respondidas pela “Cabine Cultural” por quê? Os argumentos aqui encontrados são extremamente válidos, gostaria de saber a opinião dos anteriormente citados.

      • Oi Caroline, tudo bem?

        Os editores buscaram num primeiro momento somente esclarecer questões ou opinar sobre pontos mais amplos, sem ter que entrar no cerne do texto. Os textos de nossos colunistas são pessoais e publicados para que vocês leitores dialoguem. Mas claro que com o passar do tempo nós também comentaremos.

        Grande abraço,

  18. Esse argumento do “achou ruim, vai lá e faz melhor” é tão frágil, que quem o formula esquece que ele próprio é um “zé ninguém”, que nunca atuou em jornalismo na vida e acha que pode ser ombudsman de todos os veículos de comunicação, redatores, críticos e etc.

    Pior do que isso é a falta de senso quanto à reflexão que a discordância, o contraditório, o dicotômico, o dialético, o paradoxal e afins geram. Antes de simplesmente virarem-se para a autora e indagarem o que ela já fez na vida para criticar Clarice Falcão, por que não tentar apreender o que ela está dizendo, refletir e chegar a uma conclusão?

    Não é preciso concordar com o que está aqui escrito. Basta apreender, depreender e compreender, para a partir disso concordar ou discordar, mas de uma forma construtiva e agregadora.

    Quanto ao tema proposto pelo texto, acredito que seja de total pertinência, e vou mais além: o imo desta questão está nos rumos da espetacularização via internet.

    Nos anos 80 e 90, ídolos eram produzidos na TV e só eram sustentados pela grande máquina centralizada da própria mídia e da indústria cultural (quer maior exemplo que a Xuxa, que nunca foi cantora e nem atriz de verdade, mas tem mais filmes e discos do que 99% dos artistas deste mundo?).

    Com a internet, pessoas “comuns”, como Clarice Falcão, têm seu espaço para poder aparecer por si mesmas, mas outras, como a autora deste texto, também encontram espaço infinito para contestar a qualidade de seu trabalho.

    Para mim, isso é extremamente positivo, para ambos os lados.

    • Oi Claudionor,

      Também acreditamos nesta função de um texto crítico, de reflexão e diálogo, mesmo que entre opiniões contraditórias. Este embate de ideias e de opiniões foi um dos alicerces para o desenvolvimento das artes no Brasil e no mundo.

      Não podemos falar em nome da autora do texto, nossa colunista Ana Camila, mas respeitamos demais a opinião dela, e também a dos comentários feitos pelos leitores (mesmo a dos mais exaltados).

      Isso é saudável.

      Abraços,

  19. Clap Clap Clap, Ana Camila! Não exatamente por concordar (ou não) com o texto, mas pela abordagem dura (que visa explorar, o que, na sua opinião, funciona ou não) e respeitosa (eu achei). Uma pulga que sempre fico atrás da orelha é: crítica cultural (ainda mais quando é local, falar do filme coreano é fácil) interessa a quem? O fã (normalmente) quer encontrar o seu mesmo pensamento, “curtir”, “compartilhar”, mas não trocar ideias.. Quem odeia vai lá pra despejar sua raiva prévia no artista (e a Clarice desperta isso nas pessoas). E o artista? Será que aceita bem a crítica? Muitos (sem generalizar, claro) partem pro caminho “achou ruim, faça melhor. Você nem mesmo é músico (ator, cineasta etc)!” Ou você tem uma postura “odeio todos vocês” e vira o crítico ranzinza ou vira o bróder que fala bem dos amigos e não comenta (e eventualmente fala mal) daqueles que você gosta. Acho um ato de “amor”, ou no mínimo, de muita consideração, alguém dedicar seu tempo (suponho que no seu caso você não recebeu dinheiro pelo texto) para uma análise de uma obra.

  20. Agradou quem estava lá. E os fãs. Achei a crítica meio sem sentido, quem vai nos shows dela sabe que ela sempre agrada e muito.

  21. Não entendo estes argumentos do tipo “falar mal é fácil, difícil é fazer” ou “no dia que você fizer melhor, pode falar”… Como assim?! As pessoas não sabem qual o sentido de um texto crítico? Será que eu preciso me tornar de médica à artista de circo, só pra ter respaldo pra criticar as coisas? Que lógica escrota é essa? Dizer que uma jornalista que fez uma crítica a fez por “inveja” me parece conversa de fã adolescente e bem sem noção. No mais, gostei muito do texto.

  22. Nem sou fã de Clarice. Mas sou da filosofia que falar mal é sempre mais fácil que fazer bem feito. E Clarice, despretenciosamente, e com todas as suas falhas, tem feito. E tem se destacado. Acho que a autora do texto deveria investir sua energia pra criar sua própria obra, ao invés de ficar julgando a dos outros.

  23. Texto pertinente e, particularmente, não o achei tendencioso. Com todo respeito ao Wander Wildner, não acho que criar “qualquer coisa” seja mais importante do que uma boa crítica. Uma critica bem construida, tem a função, no meu entender, não só expor o ponto de vista do crítico, mas abrir espaço para discussões o que pode ser enrriquecedor em termos de conhecimento.

  24. Ela não tem a pretensão de ser uma pop star. A falta de rima e descompromisso com o mainstream, é que a faz interessante. Ela é multimidia e nunca vai fazer nada diferente disso.

    • Exatamente. Esse jeito “desastrado” “sem desenvoltura” e “esquisito” a deixa mais interesse. Ainda mais a falta de desespero por atenção. Ela não pretende ser uma lady gaga e fazer do show um circo.

  25. Dentro do contexto que vem predominando no jornalismo cultural brasileiro nos últimos anos, com a filosofia-vaselina, tapinha nas costas, toma lá dá cá, e o pano de fundo dos editais de cultura, é uma benção o texto da Ana Camila sobre Clarice Falcão. O erro não é só importante na arte, no jornalismo também, mesmo com o risco de ser tachado de direita, tipo Paulo Francis. Quando desaparecem as grandes polêmicas na imprensa, é mau sinal – sensação de torpor cultural, bolor. Enfim, artista que não gosta de levar porrada, devia ficar em casa.

  26. Vocês deveriam perceber que ela é desajustava por vida. É um jeito dela e isso que atrai os fãs.
    Sinceramente, discordo de muita coisa do texto, com todo respeito, claro. E deixando claro que eu não sou fã da fofa menina.

  27. Esse ano fui num show dela e achei meio estranho, parecia que a todo momento ela estava se segurando, ou que estava com vergonha… Ela realmente cria um personagem

  28. Eu já pensei que textos de crítica cultural eram inúteis, mas aprendi que não – muitas vezes não temos acesso a certas coisas e uma boa crítica pode nos alertar de algo.

    Talvez este informe um pouco sobre a tentativa de Clarisse em trazer o universo cômico para o show dela, e talvez sobre a inexperiência – algo bastante natural – em apresentações de palco. Mas o texto soa como que olhando de cima pro artista. Não sou o dono da razão mas creio que uma boa crítica levanta, ainda que difícil, pontos positivos alertando de forma pessoal e humilde sobre aquilo que o observador não gostou.

  29. Dentro do contexto de jornalismo cultural que tem predominado no Brasil nos últimos anos, com a filosofia vaselina, tapinha nas costas, toma lá dá cá, e o pano de fundo dos editais de cultura, é uma benção esse texto da Ana Camila. O erro não é importante só na arte, no jornalismo também. Um jornalismo que não tenha medo de errar, mesmo correndo o risco de ser tachado de “direita”, tipo Paulo Francis. Quando as grandes polêmicas na imprensa desaparecem, é mau sinal – dá a sensação de torpor cultural, pra não dizer bolor. Enfim, artista que tem medo de levar porrada, devia ficar em casa.

  30. A Clarice não lançou um disco físico em CD como foi dito no texto, mas sim virtual, pelo iTunes. Ficando inclusive no primeiro lugar em vendas por um tempo.

    • Oi Fabricio,

      Ainda assim é um álbum, de estúdio, que se diferencia das canções produzidas especialmente para o formato Youtube, com vídeo. Acredito que tenha sido esse o foco desta passagem do texto.

      Mas fica registrado sua opinião

      Abraços e obrigado por comentar

      • as pessoas sim associam ela com os videos mais, muitas pessoas como eu gostam também de ouvir musicas sem ver imagens

  31. Clarice não deve ser relacionada a Porta dos Fundos quando sobe aos palcos. Ela já era ela antes disto tudo. Volte um pouco no tempo, e você verá a mesma Clarice que viu neste dia do Show.

    Não tem nada a ver com o PF. Clarice não esta aproveitando e os fãs não são fãs do porta, são fãs dela. Eu achei muito estranho este texto crítico… quase consigo sentir uma inveja ou dor de cotovelo. Não sei bem o que dizer. Só sei que foi estranho tudo isto que tu diz, e não corresponde a ela. Por favor, volte 2 anos e veja Clarice novamente. Clarice não precisa de PF, ela sempre foi ela e sempre continuará sendo ela. É por isso que a PF a contratou, por ela ser ela.

    • Muito bem colocada essa afirmação Allan.
      Li o texto e a única parte que concordo é que Não era necessário ela fazer o show no Concha. E que realmente, ela melhor fazer no teatro. Até porque faz mais o estilo de Clarice.
      Toda pessoa que começa a cantar tem o desejo de gravar um cd e não vejo porque falar que Clarice não tem repertório pra gravar um cd, sendo que tem as composições dela.
      (Também vi uma certa dor de cotovelo da autora, ou “recalque”).
      Mas enfim, cada um tem sua opinião e seus gostos, a autora não deve gostar de Clarice e por isso fez um texto desse. Bom, era só isso mesmo.

  32. Não concordo em uma unica palavra do que foi escrito, mas acho valido que se analise esse ponto, onde “deve-se ficar no seu meio”,a autora deveria por exemplo ficar em seu meio (cinema) e deixar música para quem entende dela.

    • Oi Uillen,

      A autora é jornalista cultural – das mais capacitadas – que engloba não somente o cinema mas outras formas de arte.

      Obrigado pelo comentário,

      Abraços

      • E o que isso quer dizer Cabine Cultural? Que a autora do texto não pode ter falado besteira? Concordo com o Ullien e não concordo com uma palavra do texto, com todo respeito à autora e sua carreira.

        Abraços

        • Oi Antonio, tudo bem?

          Não foquei nesta questão do comentário do Uillen, mas sim quando ele diz que a autora não deveria escrever sobre música, mas sim sobre cinema. Disse que a autora é jornalista cultural e por conta disto seu leque de opções para a atividade crítica é bem mais abrangente.

          Espero ter esclarecido,

          Grande abraço e obrigado pelo comentário

    • Ola Machado

      sou professora de música, instrumentista de sopro e cantora lirica

      Nunca vi um show da Clarice, mais gosto muito do trabalho dela, porém quando ouvi o seu EP me decepcionei muito. Os arranjos são de qualidade porém não condizem com a proposta estética anterior da cantora, é sem nexo. Acredito que em muito a critica de Ana camila é coerente, notícia infeliz para quem é fã de Clarice Falcão.

  33. Lendo essa resenha, percebo que nossa querida jornalista Ana Camila se posiciona, ao meu visto, parcialmente.
    tenho uma pergunta que direciono a todos e não apenas a jornalista.
    será que esta resenha foi mesmo imparcial. os gostos musicas da jornalista e as amizades da mesma não foram levado em conta?
    quem te conhece que te compre Ana Camila.
    :)

    • Olá,

      Mas nem resenha, nem artigo, nem crítica, nem qualquer texto escrito sobre manifestações artísticas podem ser objetivas e imparciais. Essa é a beleza deste trabalho, ter diversas opiniões sobre um filme, música, show, espetáculo… O importante em qualquer texto, por mais crítico que seja, é você argumentar, é você explicar o porque dos adjetivos (brilhante, lindo, horrível, sensacional, ect).

      Abraços,

  34. acho melhor criar qualquer coisa, que alguns não vão gostar, ou entender, do que falar sobre o que alguem fez. criar é melhor, mesmo com “erros”.

    • Oi Wander,

      Acredito que um texto crítico como o produzido acima é também um trabalho criativo, e que pode ser tão relevante quanto a própria obra “que alguém fez”. Acho um equívoco este pensamento que tenta por vezes desmerecer – não que seja seu caso – os que buscam de alguma forma dialogar com as diversas formas de se fazer arte.

      Mas compreendo sua opinião,

      Abraços

      Luis Fernando Pereira

    • Certamente é mais valioso o artista guiar-se pelo processo criativo é único que ele experimenta do que pautar-se somente pelo espetáculo, pela aceitação automática do ‘esperável’.

      E qual o valor de uma crítica tão ácida? A que crítico, por mais que entenda de arte, é dado o pressuposto de dizer o que tem ou não valor como arte?

    • Muitos sites fazem matérias sensacionalistas apenas para ganharem views. Não é o caso desse site, na minha opinião. Clarice é realmente desafinada e o show dela realmente é fraco. Mas, para quem é fã, até funk pode ser considerado música.

      • Realmente não é o caso desse site, o caso desse site é ser totalmente ácido sem deixar espaço pra que as pessoa tirem suas próprias conclusões. Acho que você confunde sensacionalismo com reconhecimento merecido pois Clarice merece afinal ela tem um trabalho bacana e de bom gosto, simples, divertido. E querer comparar a música dela com funk é sacanagem. Aprenda a fazer uma crítica de verdade.

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