Bons candidatos salvam edição do The Voice Brasil
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Bons candidatos salvam edição do The Voice Brasil

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The Voice Brasil

Por um lado, temos a alegria de dizer que nossos cantores são muito talentosos, e por outro fica a triste constatação de que todo o resto é mediano

A segunda temporada da versão brasileira do programa The Voice está prestes a acabar e por conta disto podemos afirmar que o reality da Rede Globo já forneceu elementos suficientes para uma avaliação mais ampla e crítica de tudo que aconteceu até aqui.

O resultado desta análise traz na bagagem aquele embate de sentimentos: por um lado, temos a alegria de dizer que nossos cantores são muito talentosos, e por outro fica a triste constatação de que todo o resto é mediano, para não dizer ruim de doer.

E o principal elemento que faz de nossa versão um exemplar mal acabado é justamente a escolha dos chamados técnicos. Vejamos: o The Voice americano (versão mais famosa) possui como coaches Christina Aguilera, Cee Lo Green, Blake Shelton e Adam Levine, todos, além de famosos, bem respeitados – tanto pela crítica quanto pelo publico – em seus gêneros. E todos, ao longo das temporadas, fazem jus à função, oferecendo sempre feedbacks aos cantores e, sobretudo, ensinamentos sobre postura, presença de palco, técnicas vocais e mercado musical.

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No Brasil, os treinadores Lulu Santos, Carlinhos Brown, Daniel e Claudia Leite não conseguiram – passadas duas temporadas – fornecer sequer uma opinião de grande utilidade. Soa até absurdo ver candidatos que não foram escolhidos por nenhum dos treinadores (nas chamadas audições às cegas) sendo depois chamados de geniais, super talentosos, estrelas. Se eles são isso, por que não apertaram?

Além desta questão, há também aquelas irritantes peculiaridades de cada um deles. Carlinhos Brown, para começar, possivelmente é o mais chato integrante de todas as versões existentes do The Voice no mundo. Sua incapacidade de ficar contido e de ser conciso em seus comentários transforma por vezes o programa em uma Casa da Mãe Joana, com o cantor a todo o momento querendo chamar mais atenção que tudo.

Com Claudia Leite a questão é outra. Ela deve ter sido a única que realmente estudou as características que marcam o programa mundo afora. Sua participação é, num primeiro momento, elogiável. O problema dela é a falta de talento como cantora, numa acepção mais técnica da palavra. Claro que ela tem muito a compartilhar sobre a indústria musical, sobre como move o mercado fonográfico no Brasil, mas é bem fácil de perceber que suas opiniões (de tão rasas e inúteis) não são levadas a sério pelos candidatos do programa.

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Daniel não compromete nem abrilhanta o programa e justamente ai se encontra o grande problema de sua participação: ele é extremamente descartável; pouco fala, não possui aquele timming de televisão e suas abordagens aos candidatos são bastante simplistas. Nunca o vi tecendo um comentário relevante. Tudo bem, nós sabemos que ele é uma boa pessoa e que sua carreira é bem sucedida, mas vamos lá, isso não pode ser argumento para sustentá-lo no programa.

E por fim, Lulu Santos, que, numa olhada mais desatenta, poderia ser considerado a salvação do programa. Lulu é quem fala melhor, quem se arrisca mais nos comentários e quem busca de alguma forma oferecer bons feedbacks aos candidatos. Mas observando mais atentamente percebe-se que suas opiniões são tão artificiais quanto às de seus colegas, só que embaladas num pacote pseudo-inteligente, soando muitas vezes arrogante. E essa ‘arrogância’ talvez seja a sua marca no programa, vide o caso que envolveu o candidato Dom Paulinho.

Outro grande problema de nossa versão reside na própria dinâmica do programa. Nos Estados Unidos o processo de edição tenta ao máximo passar a atmosfera de competição – entre os candidatos – mas, sobretudo entre os técnicos. E eles mesmos entram no clima, oferecendo cenas das mais engraçadas e exóticas, inclusive momentos de discussões e alfinetadas entre eles. No Brasil o programa virou um jogo de compadres, onde todos se comportam como se fossem grandes irmãos. Isso é até bonito, mas totalmente dispensável e prejudicial para um programa de competição.

The Voice Brasil é exibido pela Rede Globo

A apresentação de Tiago Leifert torna-se o menor dos problemas do reality, mas ainda assim é questionável. Ele se tornou conhecido no jornalismo esportivo e demorará até que alguém o desassocie desta editoria. Seria muito mais coerente e interessante a Globo ter chamado alguém que realmente entendesse de música, e a própria emissora possuía bons nomes, como por exemplo, Zeca Camargo.

E por fim, temos a direção do programa, que tranquilamente merecia estar no topo dos grandes erros. Além das más escolhas na composição do elenco, a direção ainda peca por não conseguir – ainda – criar uma dinâmica que represente bem este tipo de formato. A edição é preguiçosa, as filmagens com os candidatos e seus familiares são quase amadoras e a trilha sonora é totalmente vazia e aleatória, sem preocupação alguma em construir um roteiro consistente para os episódios, como se estivesse contando uma história, ao menos para os episódios que são pré-gravados.

Após enumerar aqui todos os incômodos vistos nestas duas edições do programas, fica por fim a conclusão que, mesmo com estes muitos problemas, o The Voice Brasil é a melhor opção televisiva para as noites de quintas-feiras no Brasil. Os talentos que o reality conseguiu agregar nestes dois anos fazem de todo o resto detalhes.

Grandes detalhes, e que não devem ser de forma alguma ignorados. Mas ainda assim, detalhes.


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