The Voice Brasil: Sam Alves é a vitória do complexo de vira-latas | Cabine Cultural
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Sam Alves é a vitória do complexo de vira-latas

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Sam Alves e Claudia Leitte

The Voice Brasil: Sam Alves é a vitória do complexo de vira-latas 

Por Elenilson Nascimento

Adoro filmes e programas com competições musicais, mas esse The Voice Brasil foi lamentável. Mas isso, no entanto, não me impede de ter uma opinião enfática e totalmente esclarecida de que esse programa da Globo é mais uma farsa. Para piorar, uma farsa insuportável de se assistir. Na edição 2013, assim que o candidato Sam Alves apareceu, pensei comigo: “Esse cara vai ganhar, pois é tudo o que a Globo gosta de explorar: é bonitinho, cara de bobinho e, provavelmente, vai ser o próximo macaquinho de circo da tosca novela Malhação!” Dito e feito!

No dia 26/12, na final do programa, o ar teatral foi de dar ânsia de vômito. Nenhum ser humano decente, que pague suas contas em dia, consegue assistir uma Cláudia Leittedemente, travestida de Lady Cat, gritando feito uma louca, interrompendo seus colegas jurados para falar bobagens e apertando o botão dos escolhidos apenas com o pé. Mas, Claudinha para os íntimos, nem é a pior de todas as coisas do programa. Nem o Daniel, que é uma figura inútil. O que pode ser pior do que o Lulu Santos interpretando o papel de bicha emotiva e espantada? O que pode ser pior do que suas caras e bocas na hora em que alguém canta bem ou mal? Carlinhos Brown. Ele é esse mal.

The Voice Brasil

E com esses jurados muito performáticos, sem técnica avaliativa alguma, padecendo de critérios, TODOS os candidatos que eu gostei foram eliminados um por um. Não restando ninguém para eu torcer. Os técnicos deixaram de lado o discurso “que vença o melhor” e pediram descaradamente votos para seus finalistas, mas apenas um deles levaria o prêmio de R$ 500 mil reais em dinheiro, além de um carro novo e o contrato com uma gravadora (*pra que mesmo?).  Gostei muito das apresentações de Ana Carolina, Jota Quest, Daniel e seu pupilo Rubens Daniel, contrário da sandice que a ex-gorda Gabi Amarantos fez, na semana passada, com a música “Sereia” (*vestida como tal e tudo) do Lulu Santos. Mas achei muito desnecessário o apelo da Leitte em relação ao seu candidato, com evocando questões religiosas e uma demagogia de tirar qualquer um do sério. Penso que ele não precisava disso.

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Desde a polêmica decisão de Lulu Santos, semanas atrás, que provocou polêmica na plateia do programa e também nas redes sociais, por ter eliminou o candidato Dom Paulinho Lima, um dos meus favoritos ao título, por ter errado (*ninguém percebeu!) a letra da música “BR 3”, famosa na voz de Tony Tornado, eu deixei de acreditar nessa edição. Igual a outros programas tipo “Big Brother”, onde tudo é armação, vejo essas questões sempre como apelativas, pois a competição passou a ser sobre quem fica mais lindo na tela e não pela voz. Fora que ontem parecia concurso gospel, com a Leitte berrando: “O Sam tá prontíssimo para fazer uma carreira. O primeiro palco que ele pisa é o ‘The Voice’. Ele saiu da igreja pra cá. E além de todo o profissionalismo dele, a gente consegue enxergar uma luz especial”, disse. Na sequência, o seu candidato cantou uma versão de “Hallellujah”, de Leonard Cohen, mas que a versão de Jeff Buckley é a melhor. No final, teve até uma performance de um tiozinho no palco (acho que era o pai do Sam Alves) com um braço levantado, não sei se agradecendo a Deus ou ao Boni.

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The Voice Brasil

Nessa edição, tive o desprazer de ver o inventor da Caxirola, anunciando o seu voto de quem não seria degolado no programa, seguido de discursos tortos e moralistas: filosofando, tocando berimbau (*ontem teve até um grupo imenso de capoeiristas no palco), improvisando um campeonato de repente, plantando bananeira, passeando pelo público incentivando o grito da galera. Fiquei até com vontade de fazer o mesmo que o público que atirou garrafas de água nele durante o Rock in Rio de 2001. Queria estar eu, ali, naquele momento, armado com garrafas, quiçá garrafões de água. E para mediar tudo isso, Tiago Leifert, seguindo a linha do Faustão e o responsável pela idiotização do jornalismo esportivo, pela “joãosorrização da sociedade”. Sua função era clara: chamar os comerciais e tentar encaixar uma piadinha ou outra, nos poucos minutos de atenção que lhe restavam. Mas, se há a farsa da teatralização, há ainda a farsa dos concorrentes. O “The Voice” não premia necessariamente o melhor cantor, mas aquele que tiver mais capacidade de mobilizar as pessoas na internet, uma vez que o voto popular define o ganhador. E como quem anda usando muito a internet não passa de um bando de retardados, então f…

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Também ainda há a farsa sobre a vida dos ganhadores. O vencedor do “The Voice” irá ser esquecido em um prazo de três meses, assim como o vencedor do “Fama”, do “Ídolos”, de sei lá mais qual programa. E nesse mundo do download fácil, quem irá comprar um disco ou ir em um show de uma pessoa que apenas interpreta canções de outros? Para que pagar para um negócio que você escuta de graça (em alguns casos, pagando para não escutar) em praças de alimentação de shopping? Não há resposta, tudo é uma farsa.

Sam Alves

Sam Alves é a vitória do “complexo de vira-latas”, cravou um tuite que pipocou instantes depois do resultado de The Voice Brasil. A cantora Zélia Duncan fez troça: “A real Brazilian Singer sings in English, right? Rs good luck, Sam.” Também no Twitter, o publicitário Michel Lent, da agência Pereira & O’Dell Brasil, criticou: “Rejeitado nos The Voice EUA, recauchutado no TheVoice Brasil”. O jornalista Artur Xexéo foi mais longe: “Na minha humilde opinião, Sam Alves era o pior dos quatro”. Agora, vamos ter que acompanhar o cara em todos os programas da emissora e no trio da Claudia Leitte e camarotes dos Carnavais pelo Brasil. Até a próxima palhaçada!

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Cultural e possui o excelente blog Literatura Clandestina.



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Uma resposta para “Sam Alves é a vitória do complexo de vira-latas”

  1. Concordo plenamente, esse programa foi rídiculo eliminando os verdadeiros cantores. Essa vitória pela internt foi rídicula.

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