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Lovelace e a garganta profunda

Lovelace

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Lovelace, filme sobre a ascensão e a queda de Linda Lovelace (estrela do emblemático pornô Garganta profunda) retrata uma época bem peculiar na indústria cinematográfica: o período pré Buttman, produtora famosa por produzir filmes pornôs, onde os filmes são filmados já a partir das cenas de sexo, e que são cada vez mais escatológicas. Hoje este gênero busca mulheres siliconadas que não possuem nenhum tipo de problema com as centenas de nuances que uma relação sexual pode permitir.

Linda Lovelace, no entanto, ainda vive a época da inocência, onde as estrelas – só tirá-la como exemplo – se parecem bem mais com nossas amigas, com nossos familiares, enfim, as atrizes eram pessoas comuns, sem nenhum atributo físico extraordinário.

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Foi neste contexto que nasceu Linda Lovelace (Amanda Seyfried), antes Linda Boreman, que teve sua vida destruída pelo marido Chuck Traynor. Seu marido, por sinal, possui uma função ambígua no filme e em sua vida: ele, ao mesmo tempo em que expurgou toda a inocência que possuía a personagem, também ajudou a criar um dos maiores ícones do cinema (não somente pornô) americano.

O filme, por uma questão estratégica, resolveu, no entanto não trabalhar esta questão e polarizou totalmente a situação: estávamos diante do diabo, representado pelo seu marido, e do anjo, uma linda e inocente anja representada pela figura de Lovelace.

E a primeira parte do filme, dirigido por Rob Epstein e Jeffrey Friedman, é justamente sobre a construção deste mito, do extermínio da inocência de mais uma linda jovem americana e do nascimento de um verdadeiro ícone da indústria de filmes adultos.

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Tudo isso foi consequência de um único filme gravado por Linda, um filme que de tão poderoso ajudou a remodelar o cinema erótico e que teve sequelas também no cinema tradicional. Linda, como expõe bem o filme, se transformou em uma das maiores celebridades americanas da época, uma espécie de libertária da sexualidade feminina. Sua função foi abraçada por ela com unhas e dentes naquele instante.

Mas logo depois, muito por conta da relação extremamente destrutiva que ela nutria com o marido, Linda decidiu não somente largar a indústria, como também combatê-la.

Lovelace

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Amanda Seyfried nunca havia feito nada que realmente prestasse, e talvez por conta disto se esforça demais no filme. Sua atuação convence, mesmo que em muitos momentos as cenas mais parecessem sair de um daqueles filmes feito para televisão, com qualidade duvidosa.

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A história de Linda merece ser vista e neste sentido Lovelace pode ser um bom caminho para que o espectador conheça – de um modo meio fragmentado – um grande e importante capítulo da história da sexualidade feminina ocidental.







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