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Vaias para Gal, Tenha Santa Paciência!

Gal Costa no Reveillon de Salvador

Por Elenilson Nascimento

“As vaias para Gal Costa são reflexos de uma população sem educação, pois a sociedade reflete o que recebe como alimento.”

Se 2014 chegou estiloso para quem esteve no bairro de Comércio, no Réveillon Salvador realizado na Praça Cairu – ainda estou achando que foi uma péssima escolha do local pela prefeitura, onde, segundo estimativas, mais  100 mil pessoas fizeram, juntas, a contagem regressiva para o novo ano e assistiram cerca de 15 minutos de queima de fogos, além de shows de alguns poucos artistas bacanas, mas, peloamordedeus, Anitta? Me bata um abacate!

Contudo, Gil, Caetano, Gal, Os Paralamas, Nando Reis La Mercury também subiram ao palco para animar a multidão, que intercalando-se na apresentação, relembraram sucessos de suas respectivas carreiras e parcerias. Mais cedo, Gil havia mandado sua mensagem ao povo baiano:

“Queria desejar um Feliz Ano Novo. Ano novo cheio de tudo. É difícil você esperar que o novo ano venha pleno só de coisas boas, porque a vida é um misto de coisas boas e ruins, elas dialogam o tempo todo. A formação do temperamento, da coragem, da capacidade de resistência, tudo isso não vem só em função das coisas boas, mas das coisas não tão boas também. Esse diálogo entre positivo e negativo é constante. Desejo as pessoas isso: atenção e muita conformidade com os tempos que virão, com as facilidades e dificuldades novas que virão”. Caetano preferiu não falar absolutamente nada com a imprensa.

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Gal Costa no Reveillon de Salvador

Mas foi no show de Gal que a coisa se degringolou. No terceiro dia do Réveillon, 31/12, aliás, o mais esperado, como segunda atração da noite, Gal cantou no palco montado próximo ao Mercado Modelo, trazendo canções do show “Recanto” (*músicas difíceis e nada conhecidas do público), além de clássicos que marcaram sua carreira. “O lugar é lindo, é inusitado e a minha expectativa era muito boa. Fiquei muito feliz”, disse Gal. Mas  a coisa não foi bem assim.

Eu também gosto da Gal e admiro muito o seu talento, adoro o disco “O sorriso do gato de Alice” e sua voz, mas eu vi um pouco do show pela TVE (* espero que o Pola Ribeiroreprise todos os shows na sua TV) e reparei a grande diferença de atitude dela, por exemplo: ela não ri mais, fica parada estaticamente no palco com um repertório que não ajuda para a ocasião e ainda vestida de preto no Revellion, ficou estranho.

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 Mas concordo totalmente com o Uarlen Becker sobre a atitude desrespeitosa do povo com relação aos seus ídolos: “É um reflexo de como o povo baiano trata seus artistas (em especial os mais velhos, que merecem respeito pelo seu tempo de estrada): pessoas vaiando a cantora Gal Costa, que ela fosse embora, chamando-a de velha (…) Como cobrar políticas públicas eficientes para a Cultura e Arte se o povo age dessa maneira? Parece que o povo daqui entende a música apenas para dançar, “levantar as mãos”, “tirar os pés do chão” e ralar a genitália no asfalto. Isso na “terra primeira”, no berço do Brasil! A mesma gente que baba os ovos de todo tipo de porcaria enlatada que aparece por aqui posando de diva”.

Pois bem, acho lamentável o comportamento do povo, mas o que esperar dessa população aculturada, alienada e dependente de bizarrices tipo Anittas, Leittes, pagodes e afins? É também fato que há muito tempo o mercado brasileiro, principalmente o ligado a entretenimento, deixou de se preocupar com a qualidade, empenhando-se em conquistar cada vez mais uma grande quantidade de $$$$. O deus dinheiro, venerado, desejado e transformador. Resultado: essa podridão cultura, uma geração de dementes idolatrando ídolos de cuspe!

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Réveillon 2014 – Foto de Valter Pontes – Agecom

Estamos vivendo uma ERA FEIRA. Mulher moranguinho, mulher melão, mulher samambaia, mulher jaca, mulher para todo tipo de mau gosto. Simmmmmmm, M A A A A U gosto, pois não me oponho ao fato de existirem mulheres que façam qualquer negócio para se transformarem em celebridades instantâneas num piscar de olhos. Apenas identifico uma pequena dislexia generalizada por parte do grande público consumidor, e em Salvador a coisa descamba para a total ignorância, que na verdade é quem escolhe no fim o produto que vai levar para o lar, nesse caso para o banheiro.

As vaias para Gal Costa são reflexos de uma população sem educação, pois a sociedade reflete o que recebe como alimento. O que está sendo oferecido para nossa população, tanto por nossos governantes quando por nossos canais de comunicação em massa? Pense. Espero, sinceramente, que a Gal se levante em meio ao coro dos ignorantes e grite, bata as pernas e reaja…

Como cobrar políticas públicas eficientes para a Cultura e Arte se o povo age dessa maneira?

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Cultural e possui o excelente blog Literatura Clandestina.


Uma resposta para “Vaias para Gal, Tenha Santa Paciência!”

  1. Eu estava bem na frente e nao escutei nenhuma vaia,somente gente mal-encarada resmungando provavelmente estava ali para roubar,fazer vitimas como em todo espetaculo aberto ao grande publico.

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