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Crítica de Her: a primeira obra-prima do cinema em 2014

Her - Divulgação

Her – Divulgação

“Her esbanja sensibilidade, genialidade, belos diálogos e consistentes atuações. Merece bem mais que estes prêmios, o filme merece é ser aplaudido de pé”

Por Luis Fernando Pereira

Em uma temporada recheada de filmes baseados em histórias reais ou adaptações (literárias, de games, peças, histórias em quadrinhos) assistir algo que não somente é original como também beira o genial é de uma gratificação tamanha que chega a ser indescritível. E é justamente essa a primeira impressão que o novo projeto do cineasta Spike Jonze, Her (Ela), provoca no espectador.

O roteiro original de Spike Jonze apresenta logo de início Theodore, um escritor deprimido, interpretado pelo multifacetado Joaquin Phoenix, que ainda se encontra em depressão pelo término de uma relação com a pessoa que achava ser a mulher de sua vida (Rooney Mara, com visual bem diferente). Sozinho, ele busca companhia em um novo sistema operacional lançado, que fornece uma experiência quase que humana para o usuário e o computador. Este sistema operacional ao ser ligado surge com a rouca, sexy e inesquecível voz de Scarlett Johansson, que logo se autodenomina Samantha.

A partir daí, os dois acabam desenvolvendo uma relação única de parceria, depois de amizade e por fim de amor. Com direito a tudo que qualquer namoro real possui, exceto claro, a relação corpórea. Samantha, com sua inteligência sempre em expansão, proporciona a Theodore uma vida a dois que beira a perfeição: ela o escuta, o incentiva, organiza sua rotina e acima de tudo, tem um grandioso amor pela vida, ou melhor, por tudo que a vida pode oferecer.

E é desta forma, com esta reflexão sobre relacionamentos e sobre solidão que Spike Jonze consegue produzir a primeira obra-prima do cinema em 2014 (o filme estreou no Brasil agora em fevereiro). Seus principais trunfos são, em ordem, seu engenhoso roteiro e a capacidade de recrutar um elenco tão interessante para a trama.

Rooney Mara e Amy Adams, as duas personagens ‘reais’ mais importantes da história possuem funções distintas, mas igualmente relevantes. Enquanto Catherine (Rooney) é o elemento que consegue deixar Theodore triste e solitário, a personagem de Amy (Amy) é a voz da compreensão, da cumplicidade quase que fraternal. Uma o repreende, a outra o compreende, numa polarização que engrandece muito o resultado final.

Mas o grande destaque fica para a dupla central: Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson. Ele por conseguir construir um personagem tão denso de emoções, que através de expressões faciais, de olhares, consegue passar um sentimento de solidão ou de felicidade tão genuíno e íntegro. Já Scarlett consegue a proeza de ser apaixonante e inesquecível sem mostrar sequer uma parte de seu corpo. Somente sua voz e suas inflexões são necessárias para que desperte interesse, no Theodore e no espectador.

Her - Divulgação

Her – Divulgação

Já o roteiro de Jonze, seu primeiro, consegue ser tão genial que o de alguns filmes que ele somente dirigiu, como Quero Ser John Malkovich. Toda a construção narrativa, do fim de um relacionamento, nas peculiaridades da nova relação criada com um sistema operacional, nos questionamentos que se busca fazer sobre um assunto cada vez mais recorrente na sociedade (a solidão, a relação homem x máquina), tudo isto elevam o trabalho de Jonze e o coloca de vez no hall de grandes cineastas do mundo.

Her recebeu cinco indicações ao Oscar 2014: Melhor Filme, Roteiro Original, Trilha Sonora, Melhor Canção Original (a linda The Moon Song, de Karen O) e Melhor Design de Produção.

Também já foi eleito o melhor filme de 2013, pelo National Board of Review e dividiu o primeiro lugar de Melhor Filme com Gravity no Los Angeles Film Critics Association, além de ter vencido o Globo de Ouro de Melhor Roteiro.

Méritos para isso não faltam. Her esbanja sensibilidade, genialidade, belos diálogos e consistentes atuações. Merece bem mais que estes prêmios, o filme merece é ser aplaudido de pé, com ovações, pois, como já foi dito anteriormente, trata-se da primeira obra-prima do cinema em 2014.

Para finalizar: participação mais que especial de Olivia Wilde e trilha sonora da banda Arcade Fire.  Sem mais.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


11 respostas para “Crítica de Her: a primeira obra-prima do cinema em 2014”

  1. É uma obra que nos faz pensar sobre relacionamentos homem/máquina e o mundo virtual que nos envolve…tudo lindo e muito bem desenvolvido…emocionante

  2. Uma de suas melhores histórias como diretor, e vai fazer uma participação especial em Girls 4 onde julgamos que tal se desdobra como um ator

  3. Talvez a crítica mais a altura do filme que já li, por chamá-lo do merece, Um OBRA PRIMA! Fiquei tão arrebatado por esse filme que não consigo parar de pensar sobre ele, e ela.
    xr.pro.br/ENSAIOS/ELA.html

  4. Minha ressalva é para Spike Jonze eu que vi o cara fazendo vídeos de skt a vida inteira, assistir o filme e ver que a ideia total foi dele, foi maravilhoso, sem mais!

  5. impactante,poético,intimista,enfim realmente uma obra-prima do cinema atual..eis que num mar de lixo,uma pérola se destaca!!

  6. So um detalhe.. Samantha nao eh um OS. OS é o que a carrega no inicio (a telinha laranja). Ela eh uma interface. se ela fosse o OS, ele nem veria a telinha laranja quando ela some perto do fim do filme…

    • Bem colocado.

      É que para a construção do texto é muito mais simples associá-la ao OS, até porque o diferencial do sistema operacional é justamente a presença de Samantha. Por isso não há tanto problema com esta parte.

      Abraços e obrigado por comentar!

  7. Puxa, que texto bacana!!! acabei de assistir Her (Ela),cheia de ideias na cabeça para escrever no blog, e eis que me deparo com algo escrito do jeito que penso. Adorei, valeu, Cabine cultural!!!Parabens!!!

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