Entrevista exclusiva - Gigi Furtado fala de show em homenagem a Caetano | Cabine Cultural
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Entrevista exclusiva – Gigi Furtado fala de show em homenagem a Caetano

Gigi Furtado – Foto de AgisJunior

Normalmente apreciamos um artista pelo seu talento artístico, seja como cantor – possuindo uma bela voz – seja como compositor, escrevendo letras admiráveis, ou então pela interpretação, feita de modo marcante. Mas há um grupo bem mais restrito de artistas que, além destes atributos, conseguem se destacar por oferecer algo mais aos fãs: eles se diferenciam por levantar alguma bandeira ou por simplesmente externar seus valores, seus princípios de forma clara e prática. Gigi Furtado, cantora paraense que faz show dia 21 de fevereiro no Sesc Boulevard de Belém, pode ser colocada tranquilamente nesta segunda perspectiva. Gigi, além de cantora e compositora, é também educadora, e sabe muito bem a importância que a educação, a musical e a geral, possui ou deveria possuir no Brasil. Gigi chega a citar Nietzsche, para reafirmar seu amor à arte: “A arte existe, para que a realidade não nos destrua”

Essa citação aconteceu na ótima conversa que tivemos com ela esta semana. Na pauta, Caetano Veloso e como surgiu seu interesse em criar um espetáculo homenageando o cantor baiano. Também falamos de outros projetos que passaram pela vida de Gigi, além de, é claro, seu trabalho como educadora.

A entrevista está bem bacana, e para relembrar, o show Eu sou neguinha? acontece novamente no Sesc Boulevard, com entrada gratuita, neste dia 21, às 19 horas.

Boa leitura.

Cabine Cultural – Oi Gigi. Seu mais recente show chama-se “Eu sou neguinha?” e é uma homenagem ao Caetano Veloso. Como foi que surgiu este projeto?

Gigi Furtado – Bom, este projeto é uma justa homenagem a um ser tão sensível que consegue falar por muitos e um presente a todos os meus queridos que acordam caetaneando. Eu escutava algumas músicas de Caetano e não conseguia ir adiante. Me apaixonava por uma e ficava namorando e assim conheci algumas e outras tantas interpretadas por outros. Em janeiro sonhei com a Bahia e acordei cantarolando Milagres do Povo “Ojuobahia…” foi quando senti Caetano brotar e então o deixei falar!

Gigi Furtado – Foto de AgisJunior

CC – Além deste show, você já se apresentou também homenageando Clara Nunes e fazendo apresentações voltadas para o jazz, blues e bossa nova. Como é que você escolhe os temas de seus shows? Alguma homenagem ainda por vir?

GF – Hoje, acredito mais na minha intuição e aprendi a dar um valor maior aos meus sonhos. Clara me veio em um instante de devaneio há dois anos e mesmo não a tendo como influência musical direta, acreditei que aquele era o momento pra mergulhar em um universo tão rico como o dela e estou imersa até então e sou grata a tudo isto, ademais, boa parte do público que conquistei foi por seu intermédio. Foram 22 shows em sua homenagem e ainda tenho sede e fome de Clara.

Quanto ao jazz, o blues e a bossa sempre foram presentes. Ouvia e ouço até hoje muito instrumental e cantando samba o sotaque também é jazzístico por conta destes. Ella, Billie, Jobim, Sarah, Dinah, Leny Andrade e tantos outros, estão em minhas manhãs e fazer um show com este tema já fazia parte de meus planos. Ah… Leny! Que sonho bom, o de poder dividir o palco com esta grande dama de nossa música.

No momento, ando flertando com Caetano e pretendo estreitar os laços. Não consigo pensar em outra pessoa para homenagear (risos).

CC – O cenário musical de Belém vem crescendo bastante. Recentemente tivemos show em Salvador da Luê, a Gaby Amarantos também, tem também o seu trabalho… Qual sua opinião sobre esta atual cena belenense?

GF – Bom… a música paraense já existe há muito tempo, suas raízes caribenhas, etc.. no mais, só agora atingiu o gosto nacional.

Gigi Furtado – Arlen Keuffer

Eu fico muito feliz com este salto que os nossos estão dando… Luê, Gaby e tantos outros lutaram demais pra conseguir chegar até aqui e este é só o começo. O Pará é muito rico artisticamente e isto envolve todas as linguagens. Na música somos bem representados por grandes compositores, instrumentistas e intérpretes. Estou há mais de dez anos buscando e tenho certeza que tudo ocorrerá no tempo certo!

CC – Você possui formação erudita num país sem tanta tradição no gênero. Acha que hoje já existe um bom mercado para a área ou ainda estamos atrasados?  

GF – No Brasil há espaços, grandes talentos e público para o clássico, no mais é um gênero que ainda é visto como evento, o que leva esses profissionais a sair em busca de trabalho em outras partes do mundo, com mais tradição de mercado, mas lhe digo que o Brasil sem Villa Lobos e sem o nosso querido maestro Waldemar Henrique, não seria o mesmo em linguagem musical, tanto no erudito quanto no popular.

CC – Além de cantora e compositora, você também é educadora, chegou a ministrar aulas de canto em escolas de Belém. Qual a importância da educação (especificamente a musical) para o futuro das crianças e jovens de hoje?

GF – A arte consegue nos revelar, nos desvendar e assim vamos nos descobrindo. Eu comecei a estudar música aos 16 anos e sinto que posso levitar. Na década de 40 à 60 eu acho, as escolas ofereciam o canto orfeônico (canto coral) com o intuito de promover a convivência em grupo… socializar e disciplinar e não podemos deixar de enfatizar que a música tem o poder de elevar o espírito.  Quão bom seria se todos pudesssem ter essa experiência!

Gigi Furtado – Arlen Keuffer

Infelizmente a reforma de 70, retirou de nosso currículo escolar, a música e o teatro do calendário oficial. O canto orfeônico era a base das cirandas e do folclore brasileiro.

CC – Para terminar, queríamos saber como será a agenda para 2014. Previsão de se apresentar em Salvador, a terra de Caetano?

GF – Bom, graças a Deus iniciamos (eu e minha equipe) o ano com o pé direito. Um projeto incrível, homenageando um compositor fabuloso, com músicos fantásticos em um espaço maravilhoso que é o Sesc Boulevard que agrega profissionais competentes e que engradecem o trabalho da gente. Como Caetano tem muitos seguidores em Belém também, minha plateia se transformou em um lindo coral e isso lisonjeia qualquer artista! No decorrer tenho alguns eventos fechados aqui e uma viagem a Paris como premiação de um festival de música francesa que ganhei no ano passado “Fete de la musique”. Não tenho data certa para a Bahia, mas se pudesse estar aí amanhã, iria. Meu coração deu até uma disparadinha agora (risos).


2 respostas para “Entrevista exclusiva – Gigi Furtado fala de show em homenagem a Caetano”

  1. Ô querido ficou linda a entrevista. Espero que possamos conversar bem mais, pessoalmente! Muito obrigada… Beijos em vossa bochecha!

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