Crítica Gravidade: épica aventura espacial merece o Oscar | Cabine Cultural
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Crítica Gravidade: épica aventura espacial merece o Oscar

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Gravidade

Gravidade

A relação do homem com o espaço teve seu ápice cinematográfico com Stanley Kubrick, no seu cultuado 2001, uma odisséia do Espaço. Kubrick, entretanto, impôs ao seu filme muito mais uma discussão filosófica sobre a gênese e o progresso humano do que uma simples aventura espacial. Anos depois o cineasta Ridley Scott, com o genial Alien – O oitavo passageiro, trouxe ao tema novos elementos, como o medo do desconhecido e a sensação terrível de claustrofobia sentida no interior de uma nave espacial.

Após mais um salto temporal, chegamos em 2013, e nos deparamos com Gravidade, novo filme do cineasta Alfonso Cuarón, trazendo à tona alguns elementos que nos fazem lembrar estas duas obras-primas citadas e, de bônus, adicionando um apuro técnico e tecnológico que certamente marcará época em Hollywood.

Na história de Gravidade, temos a Dra. Ryan Stone (interpretada por Sandra Bullock), uma engenheira em sua primeira missão em um ônibus espacial. Ela é acompanhada pelo já veterano astronauta Matt Kowalsky (George Clooney), que está no comando do ônibus espacial, no que seria sua última missão. Durante uma caminhada espacial, eles vêem o ônibus espacial sendo todo destruído após colidir com detritos do espaço, deixando ambos presos – ou soltos – no espaço sideral, com oxigênio limitado, e nenhuma comunicação com a Terra.

O roteiro do filme, responsabilidade de Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón e Rodrigo García, é magistral desde o início, ao não desenvolver profundamente as personalidades dos dois personagens principais. Isso porque o que mais importa em Gravidade é a aventura, que beira o surreal, de uma astronauta jogada no espaço, com mínimos recursos, pouco oxigênio e com o desespero cada vez mais crescente. Só o trabalho que o espectador faz de imaginar algo assim acontecendo consigo é condição suficiente para dar ares de drama épico e suspense ao filme.

Gravidade - Divulgação

Gravidade – Divulgação

No entanto, para que esta sensação no espectador seja sempre crescente, é necessário que toda a parte técnica consiga se sobressair, já que ela acaba sendo elemento essencial no processo de contemplação da história. E de fato se sobressai. Gravidade neste sentido consegue nos fazer lembrar de 2001, uma odisséia no espaço, clássico filme de Kubrick. Todo o trabalho visual, toda a edição e a montagem empregada possuem um quê kubrickiano. Mas acima de tudo, é o modo como somos afetados pelos efeitos especiais que faz estas duas obras dialogarem. Evidente que a tecnologia progrediu imensamente nas últimas décadas, por isso é na reação do espectador que se encontra a maior prova de que Gravidade e 2001 serão eternos companheiros no quesito apuro técnico.

Mas o fato de Alfonso Cuarón escolher contar a história do ponto de vista da aventura, do suspense e da ação faz de Gravidade um grande companheiro de outra obra-prima do cinema: Alien – O oitavo passageiro, de Ridley Scott. Isso acontece principalmente pelas sequências envolvendo a Dra. Ryan e seu problema com o oxigênio a beira do fim. Aquela sensação de claustrofobia e de sufocamento é bastante similar ao sofrido pela Subtenente Ripley (Sigourney Weaver,) na nave espacial invadida pelo alien. O medo do desconhecido, o desespero crescente, a perda dos companheiros, a inevitável solidão, tudo isto eleva o clima de tensão em Gravidade e nos fazem lembrar de Alien.

Por fim, é importante falar da grandiosa atuação de Sandra Bullock. Sem uma atuação realmente convincente o filme corria o risco de se transformar num ótimo esqueleto, mas sem alma alguma. E é graças às variadas nuances que ela injeta na sua personagem que Gravidade ganha emoção. Somente sua respiração já é capaz de afligir imensamente quem assiste o filme.

Seus esforços físicos, seus diálogos com Matt, suas alucinações e o desespero crescente que abarca a personagem fazem o seu trabalho merecedor de muitas palmas. A força de vontade e o instinto de sobrevivência que nascem de sua angustia são os verdadeiros responsáveis pelo desfecho dado à Dra. Ryan.

No fim das contas, Gravidade pode ser descrito como uma épica aventura espacial com ares de suspense e superação pessoal. Com um apuro técnico invejável e – podemos esperar – muitos prêmios na bagagem. Somente no Oscar o filme concorre em 10 categorias, incluindo as principais, filme, direção e atriz.


Uma resposta para “Crítica Gravidade: épica aventura espacial merece o Oscar”

  1. É… eu sou um ignorante mesmo!!!! Tirando os efeitos especiais, não vi no filme algo tão novo ou extraordinário que me empolgasse!!! Capitão Phillips, mesmo sendo baseado em fatos reais, foi muito mais original!!! Barkhad Abdi não precisou da beleza ou de 30 anos de experiência para mostrar o seu talento natural!!!

    Enfim… É Holiwood!!!

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