Homens e Deuses e uma reflexão sobre escolhas
Cinema

Homens e Deuses e uma reflexão sobre escolhas

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Homens e Deuses – Divulgação

Estamos o tempo todo escolhendo. Mesmo que evitemos o máximo nos definirmos em uma determinada situação, ficar em cima do muro também é uma opção passível de escolha. O grande problema é que as escolhas excluem. E por inserirem a possibilidade do erro, das consequências indesejadas, do desacerto de prognósticos, dificilmente são assumidas como elaboração interna e lúcida. Quando as escolhas descambam para o que não se esperava há sempre uma série de desculpas prontas para serem apresentadas vinculadas em sua grande maioria a influências externas.

E mais ainda, há escolhas que são claramente equivocadas, no entanto são amarradas a problemas que as pessoas muitas vezes se habituaram, são terrenos ásperos mas conhecidos, a queda vai ser inevitável mas tudo bem já se sabe mesmo que isso vai acontecer, dos males o menor. Escolher arriscar um pouco mais requer uma energia extra de vontade e coragem. Pode significar ir de encontro ao que se estabeleceu como aceitável e normal, mas o pior enfrentamento sem dúvida vai ser o de si próprio. Homens e Deuses (Des Hommes Et des Dieux, 2010, França) de Xavier Beauvois é um filme que leva quase ao limite a possibilidade de escolher. Um grupo de monges franceses estabelecidos na Argélia é ameaçado e tem que definir se vão embora da região ou permanecem e continuam a trabalhar em sintonia com seus princípios, mesmo sabendo que isto pode significar o sacrifício das próprias vidas.

Integrados com a comunidade, buscam estabelecer laços amigáveis, amparando e acolhendo as pessoas com espírito de fraternidade. No entanto as inquietações e ebulições políticas vão criando um clima cada vez mais pesado que os torna um alvo vulnerável. Afinal eles são instados a fazer a aparentemente definitiva escolha: sair, fugindo e quebrando o trabalho desenvolvido ou ficar, seguindo no labor comunitário mas com sérias ameaças de sofrerem um atentado?

Em uma cena chave do filme eles fazem a votação e as escolhas são apresentadas com alta carga de questionamentos existenciais e explanações emocionais. O filme foi baseado em fatos verídicos e recorre a uma narrativa visual mais minimalista, contemplativa, sem firulas ou cortes bruscos. Há tempo para conhecermos os monges , um pouco da comunidade e a interação entre eles. Um filme para se ver, rever e pensar, também, sobre escolhas ou de como é inevitável conviver com elas.

Josival Nunes é escritor, cineasta e colunista do Cabine Cultural.


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