Crítica: Walt nos bastidores de Mary Poppins presenteia fãs da personagem | Cabine Cultural
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Crítica: Walt nos bastidores de Mary Poppins presenteia fãs da personagem

Walt nos bastidores de Mary Poppins

Walt nos bastidores de Mary Poppins

Prestes a completar 50 anos de seu lançamento nos cinemas americanos, o clássico Mary Poppins ganha uma interessante homenagem do diretor John Lee Hancock (Um Sonho Possível). Walt nos Bastidores de Mary Poppins mostra como foi o processo de produção do filme que se transformou em um dos maiores clássicos do cinema.

Walt Disney (Tom Hanks) tentou por anos convencer a escritora australiana Pamela Lyndon Travers (Emma Thompson) a vender os direitos da adaptação para os cinemas de Mary Poppins, mas o filme foca o derradeiro momento, quando PL Travers viaja para Los Angeles e acompanha o desenvolvimento do roteiro para, depois disso, assinar ou não o contrato liberando os direitos da história.

O ponto forte da narrativa reside indiscutivelmente na relação de Walt e Travers. Tom Hanks, diferente da maioria de seus filmes, serve aqui mais de escada para o crescimento da personagem de Emma Thompson. Seu Walt Disney, mesmo possuindo um carisma considerável, passa longe de ser um personagem inesquecível. No entanto, sua função aqui é fazer de PL Travers uma personagem memorável, e neste quesito podemos dizer que seu trabalho foi bem sucedido.

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Sua personagem é amarga, áspera e rude, porém numa olhada mais profunda conseguimos, por conta do maravilhoso trabalho de Emma, perceber resquícios de doçura e alegria. Isso acontece à medida que a sua relação com Walt se intensifica, chegando ao ápice num dos diálogos finais, ótimo por sinal. Emma Thompson poderia muito bem ter sido indicada ao Oscar, não seria injustiça alguma. Claro que o troféu já estava nas mãos de Cate Blanchett, mas ao menos ela merecia ter seu nome incluído entre as indicadas.

Walt nos bastidores de Mary Poppins

Walt nos bastidores de Mary Poppins

Se a dupla principal cumpre seu papel, o mesmo não se pode dizer do resto do elenco, composto por grandes nomes como Colin Farrell (pai de PL Travers), Paul Giamatti (o simpático motorista) e Ruth Wilson (mãe de Pamela). Colin, numa atuação preguiçosa, dá vida ao bêbado pai da garotinha Helen (ou PL Travers), um personagem que, ao fim do filme descobrimos ser a peça chave para se entender a criação literária Mary Poppins. Por conta deste importante detalhe, merecia um trabalho mais esforçado. Paul Giamatti até busca construir – através de seu personagem – uma relação intimista com a criadora de Mary Poppins, mas o roteiro volta e meia sabota esta tentativa.

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Não que o roteiro seja o grande problema do filme. Não o é, definitivamente. A questão é que a série de flashbacks usados para intercalar as ações de PL Travers em Los Angeles com os acontecimentos de sua infância, na Austrália, é por vezes confusa, atrapalhando a fluidez da narrativa. O objetivo final é válido, de buscar entender a personalidade áspera e rude da escritora. Neste sentido, é interessante ver o desenvolvimento dos acontecimentos na infância de Pamela, sua relação com o pai, conturbada, mas apaixonante, e, sobretudo o desfecho desta parte da sua vida.

Interessante também ver como a entrada da personagem de sua tia na história (ela chega para ajudar a mãe, já na parte final) é muito importante para tudo que veio acontecer nas décadas futuras com seu trabalho de escritora. Porém, mesmo com esta compreensão de que os objetivos foram válidos, fica o sentimento final de que faltou algum elemento que fizesse o resultado ser mais agradável, ágil e interessante do ponto de vista narrativo.

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Mesmo assim, Walt nos bastidores de Mary Poppins cumpre sua função de não ser tão memorável quanto o filme homenageado. Porque no fim das contas o objetivo do filme acaba sendo mais de nos fazer lembrar que este grandioso clássico da Disney está prestes a completar meio século de vida, e que foi um trabalho mais que árduo fazer com que as palavras saídas do livro de PL Travers ganhassem vida nas telonas.

Tão árduo que mereceu ser transformado num outro filme. Não tão bom quanto, mas ainda assim interessante, para quem gosta de cinema, e, principalmente, para os fãs de Mary Poppins, a governanta britânica mais genial da história.




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