Entrevista exclusiva: Banda Panos e Mangas
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Entrevista: Banda Panos e Mangas

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Panos e Mangas – Divulgação

Um dos mais interessantes grupos da atual cena musical de Salvador, a Panos e Mangas volta a se apresentar na capital baiana no próximo dia 11 de março, terça-feira, no Largo Quincas Berro D’Água, no Pelourinho. A apresentação, que tem entrada gratuita, faz parte do programa de incentivo cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Centro de Culturas Populares e Identitárias.

Mas antes disso, Filipe Lorenzo (vocal e violão), Ítalo Marques (percussão) e Olivier Lamorthe (piano elétrico) reservaram um tempo na agenda e conversaram um pouco conosco sobre a história da banda – que acaba de completar 5 anos – e também sobre os planos para o futuro. Fiquem agora com a íntegra deste interessante bate papo, e caso queiram ficar por dentro da agenda completa do grupo, é só visitar a página dos rapazes. Boa leitura.

Fernando Pereira – Vocês acabaram de completar 5 anos com o grupo Panos e Mangas. Além da saída do Daniel Reuter, o que mais mudou na estrutura/sonorida de do grupo neste tempo?

Panos e Mangas – A saída de Daniel se deu num momento em que o grupo estava já com pouco mais de 1 ano de existência e reestruturou a formação de forma significativa, já que ele era responsável pelos vocais principais e pelas composições. Filipe então assumiu a voz e a Panos e Mangas voltou a se configurar enquanto trio, num momento do grupo em que as releituras de músicas eram o carro-chefe do trabalho.

Panos e Mangas no Pelourinho

Este cenário permaneceu até o início de 2011, quando alguns músicos jovens da cidade convidaram Ítalo e Filipe para fazerem parte do projeto chamado Manotropo, que era uma espécie de laboratório criativo e que fez apresentações na cidade entre 2011 e 2012. O trabalho realizado no projeto e os laços e parcerias que foram feitos trouxeram de volta à Panos e Mangas o desejo em relançar o trabalho autoral. Músicas próprias e de Ian Lasserre, Thiago Lobão, Davi Correia, Gabriel Rosário, dentre outros, começaram a fazer parte da maioria do repertório da banda, e a resposta do público foi muito positiva com a novidade.

Esta retomada foi fundamental pra fortalecer a sonoridade do grupo. Outro fator que ampliou a possibilidade criativa foi a substituição do cajon pela percuteria eletrônica. Ítalo começou a usar uma variedade maior de sons, possibilitando a utilização de efeitos diferentes, mas sem perder a natureza acústica do trio.

Fernando Pereira – Queria voltar lá pro ano de 2008. Lembro da banda Caracol no Festival SESI de Música. Foi da dissolução da Caracol que nasceu a Panos e Mangas, não? Como é que isto aconteceu?

Panos e Mangas – Foi sim de uma dissolução da Caracol que surgiu a Panos e Mangas, exatamente nos finais de 2008 e início de 2009. O antigo projeto durou 2 anos e tocou pelas casas de shows, festivais e universidades de Salvador, levando as músicas autorais de Daniel como o centro do trabalho, tanto é que a Caracol foi a vencedora do Festival SESI de Música de 2008 com a canção “Samba do Herói”, de sua autoria. No entanto, a divisão do grupo surgiu pelo acúmulo de alguns desgastes internos, principalmente no que tangia a questão da concepção musical.

Foi daí que Daniel, Filipe Lorenzo e Ítalo Marques reformularam as composições e ajustaram para um formato acústico, com violões e cajon. Além das canções de autoria própria, havia uma intenção clara em garimpar canções “cristalizadas” na bagagem musical do baiano, fossem famosas ou pouco conhecidas, para se fazer releituras descontraídas e inovadoras. A Panos e Mangas nasceu num apartamento pequeno no Solar Boa Vista em Brotas, a partir dessa vontade de “simplificar” o trabalho, trazer uma leveza que era demandada por cada um tanto no nível musical quanto pessoal e daí entrou a figura de Olivier com seu piano elétrico, suas referências e sua experiência. O grupo é resultante desse amalgama.

Fernando Pereira – Vocês normalmente convidam cantoras, instrumentistas… para as apresentações. Como é que isso acontece? São todos amigos de vocês ou não há este critério para acontecer o convite?

Panos e Mangas – Não há um critério estabelecido para isso, mas existe uma proximidade natural com eles por se tratarem de jovens músicos da cidade que têm buscado agregar e enriquecer uma nova rede que vem se formando no cenário local. É preciso que as pessoas vejam o que de novo tem surgido por aqui. Temos preferido convidar artistas que estão em ascenssão, tanto instrumentistas quanto compositores, cantores, poetas… Muitos deles acabam de fato criando um forte laço de amizade e parceria com a gente, e este laço vai se estendendo por outras pessoas, amigos desses amigos, outros músicos que se interessam pela proposta e pelo trabalho.

Panos e Mangas na Varanda do SESI – Foto de Daniele Rodrigues Labfoto

É importante que haja para a gente um nível de identificação já que buscamos fazer com que o convidado se sinta à vontade, possa exercer sua musicalidade de forma experimental e livre. Quando convidamos cantoras, por exemplo, damos a elas a autonomia de trazer suas referências musicais, as canções que desejam cantar fora dos seus projetos originais, além de propormos que cantem alguma música do nosso repertório autoral. Desta forma, estamos enriquecendo nosso setlist, já que muitas das músicas trazidas por nossos convidados acabam sendo agregadas e podemos ter nossas canções interpretadas por outras vozes. No final das contas é enriquecedor pra todo mundo.

Fernando Pereira – Nestes 5 anos vocês já fizeram algumas temporadas de shows, participaram de projetos, chegaram até a filmar algumas apresentações, mas não chegaram a gravar um álbum. Queria saber se há previsão para um CD autoral de vocês? Vocês pensam nisso?

Panos e Mangas – A gente pensa nisso e o público cobra! (rs). Gravar um álbum de estúdio é um projeto que vem sendo maturado há algum tempo, mas acreditamos que podemos fazer um disco gravado ao vivo… Já temos algum material e pensamos em produzir um álbum que retrate o que foi a Panos e Mangas nestes 5 anos. Temos uma identificação muito grande com o palco, com a sintonia que sentimos quando tocamos ao vivo, com a presença dos convidados… Acreditamos ser mais interessante investir neste formato agora. Em breve vai sair coisa boa disso!

Fernando Pereira – A proposta de vocês é uma das mais interessantes da cena baiana. O acústico, o trabalho autoral junto com as releituras, as referências de Roberto Mendes, Alceu Valença, Gonzaguinha… o vocal de vocês alternado com os vocais dos convidados. Vocês acham que alcançaram o formato ideal para a banda, ou estão sempre abertos a mudanças?

Panos e Mangas – Como diria Raul: “Eu tenho uma porção de coisas pra conquistar / eu não posso ficar aí parado”. Nenhum projeto musical que busque ser verdadeiro está acabado, pronto. O prazer de fazer música pra a gente está no poder de criação que a música nos traz e isso acompanha nossas releituras e nosso desejo de compor. Não há como não estarmos abertos a mudanças, queremos fazer coisas novas sempre, ter experiências diferentes e inovadoras na estrutura da formação, nas parcerias estabelecidas e nas referências que utilizamos, mas acreditamos fortemente no trabalho criativo. É nisso que está depositada a nossa certeza, o que queremos levar através da arte é o que há de novo e nosso.

Panos e Mangas no Pelourinho

Fernando Pereira – Para terminar, queria que falasse de 2014. Vocês voltam a fazer shows agora no mês de março. Como será o ano do grupo?

Panos e Mangas – Em março iremos tocar no Largo Quincas Berro D’Água no dia 11, dando continuidade ao projeto de cadastramento artístico feito pela Secretaria de Cultura, através do órgão Centro de Culturas Populares e Identitárias – CCPI. Ao longo do ano devemos voltar aos palcos do Pelourinho, já que essa será nossa sexta apresentação no Largo desde 2013. Sentimos uma necessidade grande de tocar fora de Salvador também, levar esse trabalho dos compositores locais pra outros públicos, pra que as pessoas de outras cidades vejam que tem coisa diferente e verdadeira sendo feita por aqui. Além dos shows e do processo de composição constante tem todo o trabalho de produção, como disse anteriormente, da gravação de um álbum ao vivo… estamos reunindo esforços pra fazer acontecer! É um ano que promete outras novidades… mas vou deixar por enquanto na surpresa! (risos).


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