Filmes não muito conhecidos que merecem ser sempre lembrados
Cinema

Filmes não muito conhecidos que merecem ser sempre lembrados II

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Nothing Personal

Pequenas obras-primas desconhecidas do grande público

Por Luis Fernando Pereira

Segunda parte de nosso especial sobre filmes que são verdadeiras jóias, mas que não são, por uma série de razões, muito conhecidos do grande público (Veja aqui a primeira parte do especial). Agora falaremos de mais três super produções, incluindo ai um belíssimo representante do cinema nacional.

Confira.

Nothing Personal
Nesta bela história vemos Anne, uma jovem mulher que decide abandonar seu país (Holanda), indo numa viagem sozinha pela Irlanda. No meio desta viagem ela encontra uma casa, onde vive Martin, uma espécie de versão masculina dela, bastante solitário. Anne acaba trabalhando para Martin, em troca de comida, com a única exigência de não desenvolverem nenhum tipo de relação.

Nothing Personal possui uma divisão narrativa bastante poética, em cinco partes: Solidão, O fim de uma relação, Casamento, Início de uma relação e Sozinha. Essa divisão, resultado de um roteiro quase que primoroso, possibilita um entendimento não linear do espectador. A história visa muito mais despertar sentimentos de quem assiste do que fazê-lo entender os acontecimentos de modo didático.

Toda a parte técnica do filme – fotografia, ambientação e figurino – ajudam ainda mais a construir uma atmosfera de solidão e certa nostalgia, pontos centrais da narrativa. Os closes que a câmera consegue captar dos dois protagonistas, Lotte Verbeek e Stephen Rea, são tão eficientes que dificilmente você não criará um sentimento de empatia pelos dois. Um lindo e poético filme.

O Porco Espinho

O Porco Espinho
A base da história de O Porco Espinho é o livro L’élégance du Hérisson (A Elegância do Ouriço), de Muriel Barbery. O filme conta a história de Paloma (Garance Le Guillermic), uma introvertida e inteligente pré-adolescente que mora num prédio de classe média na cidade de Paris. Ela vive constantemente utilizando sua câmera filmadora e é através desta relação que a premissa da história é apresentada.

Ela, logo nos primeiros momentos da história, decide que no dia em que completará 12 anos cometerá suicídio. Neste meio tempo, todo o desenvolvimento de sua história acontece, a relação familiar, vista e refletida por ela de modo peculiar, o início da amizade com Renée (Josiane Balasko), a zeladora de seu prédio e também com o novo morador, o senhor Kakuro (Togo Igawa).

O roteiro de O Porco Espinho acaba sendo um dos grandes destaques do projeto. Todo o desenvolvimento da narrativa acontece sem que o filme entre em um melodrama forçado, o que poderia acontecer, haja vista a temática pesada que a história carrega. No entanto, o suposto suicídio de Paloma acaba sendo somente o pontapé inicial para uma série de reflexões da jovem garota sobre o mundo. Sarcástica, ela consegue externar reflexões das mais ácidas sobre família e sociedade, que a diferencia de quase que a totalidade das garotas de sua idade.

Por detrás desta sensação que o filme proporciona ao espectador está a bela e surpreendente atuação de Garance Le Guillermic, uma jovem e promissora atriz, que mesmo tão nova, mostrou-se muito talentosa e capaz de interpretar uma personagem composta por elementos mais densos e profundos. O filme é uma interessante obra que dialoga bastante com a filosofia e incita conversas sobre as nuances da existência humana.

Riscado

Riscado
Riscado
, filme nacional roteirizado e dirigido pelo cineasta Gustavo Pizzi, se configura como um dos melhores exemplos de como uma ideia simples, um roteiro bem cuidado e uma atuação digna de muitos prêmios pode produzir uma quase obra-prima do cinema brasileiro.

O filme, protagonizado e também roteirizado pela talentosa Karine Telles, conta a história de Bianca (Karine), atriz que consegue se sustentar graças a trabalhos pouco importantes, mas que ela faz com um empenho que chega a impressionar: telegramas animados, animação de festas, distribuição de panfletos, tudo que faz parte de um submundo da carreira artística, ela faz. O teatro é a sua paixão, e é para manter essa paixão viva que ela precisa se prestar aos trabalhos já citados.

O mais engenhoso no filme é o constante trabalho de metalinguagem que ele proporciona ao espectador. É o filme que é pensado, produzido e desenvolvido dentro do filme. Toda esta parte, que narra a preparação de Bianca para um novo papel no cinema, sua grande oportunidade de mudança de vida, é de um primor, sobretudo pela atuação sensível e absurdamente convincente de Karine, a grande jóia de Riscado.

Um filme imperdível. Sensível e inteligente. E acima de tudo, uma produção orgulhosamente nacional.


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