Imagine Dragons faz grandioso show no Lolla, mas peca por excesso de firulas
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Imagine Dragons faz grandioso show no Lolla, mas peca por excesso de enfeite

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Imagine Dragons no Lollapalooza

Quando a programação detalhada da edição de 2014 do Festival Lollapalooza saiu, a banda de Las Vegas Imagine Dragons já havia estourado nos Estados Unidos, e no resto do mundo também. Porém, ninguém ainda sabia a exata noção do quão grande eles chegariam ao Brasil para a apresentação no festival. Tanto é que eles foram jogados para o fim da tarde do sábado, horário normalmente destinado aos grupos e artistas que ainda não possuem cacife para protagonizar um festival grandioso como o Lolla.

Assim, para quem não acompanhou o showbiz nos últimos meses, foi surpreendente ver a banda americana fazer o que claramente foi o mais esperado dos shows (ou ao menos um dos três mais). Já quem acompanhou as premiações musicais da temporada, sobretudo o último Grammy, sabia que os rapazes de Las Vegas chegariam ao Brasil para serem protagonistas. Motivos não faltavam: eles levaram um Grammy, fizeram uma das apresentações (em parceria com o rapper Kendrick Lamar) mais comentadas e ainda entraram para a história por causa do single de Radioactive, que ficou o maior tempo na parada da Billboard (77 semanas na época).

Lollapalooza
A apresentação do Imagine Dragons no Autódromo de Interlagos começou já no final da tarde, fazendo a transição da tarde com a noite. O espaço estava tomado, principalmente de adolescentes, público alvo da banda. O som, uma mistura bem produzida de indie com rock e boa dose de pop dançante, era perfeito para este público. Muitos comparam a banda com o The Killers, provavelmente por serem da mesma cidade. O fato é – levando em consideração o show do Lollapalooza – que o Imagine, a depender dos próximos álbuns, pode tranquilamente ser o novo fenômeno indie mundo afora.

Há uma característica que os dois grupos já possuem em comum: são boas ao vivo. Este foi o grande trunfo do show da banda em São Paulo. Há, também, um elemento que separa bastante um grupo do outro: enquanto que o The Killers possui músicas suficientes para fazer um show de três horas, o Imagine Dragons ainda não possui acervo suficiente para se apresentar por mais de uma hora. E daí vem o grande problema do show que a banda fez no último sábado em São Paulo: eles são levados a prolongar o início e o final das canções, dando erroneamente uma ideia de grandeza que as mesmas não possuem (exceto talvez Radioactive). O excesso de firulas certamente incomodou o mais atento que estava em Interlagos. Os fãs certamente nem chegaram a notar, ou vêem como escolha criativa da banda (o que obviamente também é uma possibilidade).

Mas tirando este incômodo, a apresentação da banda fez jus ao novo status que carregam: dinâmico, muito bem produzido, ensaiado e bem executado. Desde as primeiras músicas do show eles mostraram uma sinergia com o público que pouco se viu nesta edição do festival. Em It’s Time – um dos seus maiores sucessos – aconteceu a primeira demonstração de que a banda já estava com o jogo ganho, não precisando de muito esforço para fazer do show algo memorável para os fãs.

Para melhorar ainda mais a relação com os fãs, Dan Reynolds, vocalista e líder, contou ao público que seu pai havia morado no Brasil por dois anos e que ele não vivia sem o nosso famoso guaraná. Ao discurso, seguiram-se mais canções do álbum de estreia – o multi premiado Night Visions: Tiptoe, Demons, Bleeding Out e On top Of the World.

E para fechar com chave de ouro, a banda apresentou uma versão grandiosa e bem planejada do maior hit do ano passado, Radioactive. Por mais que a banda ganhe o mundo nos próximos álbuns, dificilmente alguma canção terá o mesmo poder, em estúdio e principalmente ao vivo, de Radioactive. A música, o grande achado da banda, já nasceu com uma atmosfera épica que o Imagine Dragons sabe muito bem aproveitar. O ponto forte de um show marcado por grandes momentos e uma calorosa receptividade do público.

O que será da banda daqui pra frente só o tempo dirá. Pelas palavras de seu líder, eles farão uma pausa para programar o próximo e absurdamente importante segundo álbum. Será com este novo trabalho que teremos uma maior noção do quão grandes serão o Imagine Dragons. Potencial eles possuem.


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