Retrospectiva Coldplay: o que esperar de Ghost Stories? | Cabine Cultural
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Coldplay: o que esperar de Ghost Stories?

Coldplay – Divulgação

Faltando pouco mais de um mês para o lançamento do tão aguardado Ghost Stories, sexto álbum do grupo, e que sucede Mylo Xyloto, lançado em 2011 (8 milhões de cópias vendidas), os fãs do grupo liderado pelo vocalista Chris Martin já estão na expectativa pelo que poderá vir de bom neste novo trabalho dos ingleses.

Fazendo um exercício (enorme) de memória e trazendo à tona elementos de todos os álbuns do Coldplay, podemos construir uma possível visão do que poderá vir a ser Ghost Stories.

Retrospectiva
Quando o Coldplay lançou lá em 1999 o álbum de estreia, Parachutes, o grupo, que tem Chris Martin nos vocais e piano, Guy Berryman no baixo, Jon Buckland na guitarra e Will Champion na bateria, fazia parte da cena alternativa londrina. Os shows já chamavam a atenção da mídia especializada, mas ainda não havia rebuliço algum com os rapazes. Foi à medida que os singles do álbum foram sendo lançados que o Reino Unido percebeu que estava diante de uma futura grande banda.

Shiver, Trouble e principalmente Yellow tomaram conta das rádios europeias no início dos anos 2000. O álbum era icônico sem ser grandioso. Não era perceptível nas canções um grande potencial para serem cantadas em estádios, mas em contrapartida eram trabalhadas de um modo bem mais criativo que as canções dos álbuns posteriores.

Coldplay – Divulgação

O trabalho seguinte, A Rush of Blood to the Head, de 2001-2002, ainda trazia muito desta atmosfera indie alternativa, mas ao mesmo tempo o grupo já começava a implementar novos elementos às músicas. As canções começaram a ficar grandiosas, característica que permaneceu nos álbuns que vieram a seguir, mas que diminuiu sobremaneira no último trabalho deles. O álbum despejou petardos radiofônicos como In My Place, The Scientist e Clocks, músicas que conduziram todas as turnês da banda. As baladas de amor passaram a ser trabalhadas, o que distanciou o Coldplay da cena mais alternativa e levou a banda para o mainstream do pop rock mundial.

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Mas o topo do mundo só foi conquistado com o lançamento de X&Y (em 2005), um álbum questionado pela crítica, mas adorado pelos fãs. Foi com este trabalho que o Coldplay passou a ser oficialmente uma banda de arena. Algumas canções, feitas especialmente para funcionar em estádios, fez nascer em Chris Martin um quê de Bono Vox, tanto na qualidade das letras quanto na postura expressa nos shows. Claro que as diferenças eram – e ainda são – bem grandes, mas não dá para negar que os dois músicos possuem similaridades bem visíveis.

Foi de X&Y que nasceu o que podemos considerar o maior hino da banda atualmente e que representa muito bem este processo de mudança que eles passaram desde o lançamento do CD de estreia. Fix You, uma poderosa e gigante balada, traz um clima de amor, de tristeza e de rock and roll (na parte final). Quem acompanha a banda sabe que a canção é indiscutivelmente a mais marcante dos shows e dificilmente será alcançada por outra música. O resto do álbum trazia um Coldplay menos indie e mais pop: Speed of Sound, Talk, The Hardest Part, What If… uma enxurrada de hits em potencial.

O disco seguinte tinha uma importante função na discografia da banda: mostrar se o Coldplay podia realmente conquistar o mundo, tal como um grupo global (Beatles, U2, Pearl Jam, Green Day). Viva la Vida or Death and All His Friends veio então em 2007 para sepultar qualquer dúvida que pairava na cabeça dos estudiosos. O álbum, com uma pegada muito mais rock e até mesmo soturna, equilibrava canções mais cruas, como Violet Hill com músicas comercialmente – e estrategicamente – bem trabalhadas, como o hino Viva La Vida, que alcançou facilmente o título de música indispensável em qualquer show. O Coldplay neste momento da carreira não precisava provar mais nada e por isso a banda a partir daqui passou a experimentar com mais intensidade.

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Coldplay – Divulgação

Estas experimentações podem ser melhores sentidas em Mylo Xyloto, álbum de 2011. A primeira canção, Every Teardrop Is a Waterfall, não soava como música alguma do Coldplay. Não dava para arriscar se seria ou não agraciada pelos fãs. O risco, ao menos nesta música, foi bem sucedido, já que ela conseguiu se transformar rapidamente em hit essencial em qualquer setlist da banda. Outras já não tiveram esta mesma sorte e, tirando os singles Paradise e Princess of China (por conta da participação da popstar Rihanna) as outras canções dificilmente serão lembradas pelo público (não considerando os fãs, obviamente).

E deste processo de crescimento e amadurecimento que chegamos em 2014, contando os dias para o lançamento de Ghost Stories. Dá para perceber que as chances do álbum possuir canções mais simples e cruas são grandes. Acredito que Chris e banda devam continuar o trabalho de arriscar novos instrumentos, referências, influências e perspectivas musicais. Isto levará certamente o Coldplay a lançar um trabalho de alto nível, mas que corre o risco de deixá-lo longe dos primeiros lugares das paradas de sucesso. Para uma banda como o Coldplay isto não deve ser nada, afinal, como já foi dito, o que eles tinham para provar, provaram, há uns dez anos passados.




2 respostas para “Coldplay: o que esperar de Ghost Stories?”

  1. Olá, estou viciado na banda nesses ultimos dias, muito bom saber que eles irão lançar mais um album, estou ansioso (assim como muitas outras pessoas, certeza) para poder conferir as novas musicas.
    Por acaso vc poderia me informar sobre os proximos shows da banda aqui no brasil? Ou aqui por perto?
    Aguardo a sua resposta

    • As datas da nova turnê da banda ainda não foram divulgadas, mas provavelmente não teremos apresentações do Coldplay em 2014 no Brasil. Mas assim que tivermos notícias, postaremos,

      Abraços!

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