Anitta: poderosa, mas nem tanto
Música

Anitta: poderosa, mas nem tanto

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Anitta – Divulgação

De promessa da cena pop brasileira a artista com status de estrela, a cantora carioca Anitta tem muito que comemorar: sua música O Show das Poderosas se transformou no grande hit nacional do ano passado e suas apresentações, que já eram concorridas, passou a ser evento grandioso em toda cidade brasileira. Anitta virou febre, passou a ter sua imagem associada aos diversos programas de rádio e televisão e hoje, com pouca bagagem nas costas, já vivencia um primeiro processo de desgaste de imagem, principalmente pelo boom de notícias e debates sobre a recente mudança na cor de seus cabelos, adicionado a uma plástica no nariz que a cantora decidiu fazer.

O certo é que, independente do uso que a mídia – ajudada pelas suas assessorias, certamente – faz de sua imagem, seus trabalhos (o CD e o DVD recém-lançado) expõem uma artista com visível talento criativo e uma bem planejada carreira, que joga pra escanteio a grande maioria dos cantores e cantoras no Brasil. Suas referências aparentemente são as melhores possíveis: estrelas mundiais como Beyoncé ou Rihanna, que projetam cada passo dado detalhadamente. Este cuidado é o que falta para o showbiz brasileiro conseguir entrar com força em outros mercados que não o próprio. O México é um bom exemplo, com artistas como RDB, Thalia e muitos outros que fazem ou fizeram sucessos em outros mercados.

Anitta tem tudo para fazer parte de um seleto clube que hoje é composto por pouquíssimas artistas e tem em Ivete Sangalo e Cláudia Leitte suas maiores expoentes. Suas músicas são interessantes dentro desta perspectiva mercadológica, com letras que não ofendem nem subestimam a capacidade do ouvinte e que possuem um atento trabalho nos arranjos das canções. E para quem acreditava que seu único sucesso seria O Show das Poderosas, é interessante que voltem atrás e escutem músicas como Não Para, Menina Má e Meiga e Abusada, que foi inclusive acompanhado por um clipe bem interessante gravado em Las Vegas e dirigido pelo nova iorquino Blake Farber, que também trabalhou com artistas internacionais como a própria Beyoncé.

Anitta – Divulgação

Os vídeos da cantora são outro ponte forte, que a coloca em outro nível dentro da cena pop nacional. As escolhas, que vão desde a escolha do diretor ao trabalho de fotografia é muito bem cuidado, mostram que o projeto Anitta é produzido e desenvolvido da melhor forma possível. Claro que há excessos, e os exageros já foram facilmente percebidos no final do ano passado, quando o rosto da cantora era visto quase que todos os dias em alguma emissora brasileira. Notícias também se espalhavam diariamente pelas redes sociais. A música, que ainda é seu ponto forte, foi deixada de lado e foi substituída pelo balaio de fofocas sobre as mais diversas baboseiras: quem ela estaria namorando, o que ela come, se ela xinga…

Sobre o rótulo que é dado pela mídia – novamente ajudado por assessorias – de poderosa, é interessante perceber o quão real esta publicidade pode ser. Seu trabalho como um todo é bem elaborado, não resta dúvidas: as canções, as letras, a estrutura fornecida à sua carreira. Mas ainda lhe faltam bagagem musical e um apuro técnico para que ela obtenha tal status. Seu alcance vocal e seu poder de entreter plateias ainda estão em fase inicial, com grande potencial de crescimento, mas ainda bem verdes. Com escolhas certas, alguns álbuns nas costas e uma exposição menos ofensiva, Anitta certamente se consolidará como uma popstar poderosa do showbiz brasileiro.


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