U2: o que esperar do novo álbum da banda? | Cabine Cultural
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U2: o que esperar do novo álbum da banda?

U2 – Divulgação

Em entrevistas recentes, o líder do U2, Bono Vox acabou revelando o nome de duas potenciais canções do novo álbum da banda, ainda sem data de lançamento: Song For Someone e The Troubles.Também em entrevista recente, o vocalista soltou a seguinte afirmação sobre outra potencial canção do novo trabalho: “Há uma música que eu acho que estará no álbum que se chama This Is Where You Can Reach Me, onde lembramos quando fomos ver o The Clash em 1977, e isso acabou mudando nossa vida. Fui para casa naquela noite, e uma parte de mim não chegou. The Clash foi algo extraordinário, o som mais extraordinário. Foi um assalto audiovisual e tínhamos 16, 17 anos”.

Certamente não dá para conjecturar nada sobre o que vem pela frente baseando-se tão somente em títulos de possíveis canções do álbum. Talvez o elemento mais concreto para vislumbrarmos o que vem por ai no setlist dos irlandeses seja a música Ordinary Love, que faz parte da trilha sonora do documentário Mandela: Long Walk to Freedom. A canção, que foi apresentada no Oscar (não saiu vencedora) traz elementos bastante comuns na trajetória musical do grupo. Há referências da música gospel, um uso marcante dos teclados e vocais que crescem com o desenvolvimento da música.

Ordinary Love se encaixaria tranquilamente no último álbum da banda, o maduro, mas pouco marcante No Line in The Horizon. Isso seria motivo suficiente para os fãs acreditarem que não haverá nenhum tipo de mudança brusca na sonoridade da banda. A questão é que o U2 é uma tremenda incógnita quando diz respeito ao que esperar dos álbuns seguintes. Outra canção recém-lançada, Invisible também pode ser um bom parâmetro do que pode vir no décimo terceiro álbum do U2. Ela, lançada em fevereiro deste ano, teve uma função bem estratégica para a banda: lembrar ao público que o álbum estar por vir. Sobre a música, há uma atmosfera rock eletrônica, que traz elementos tanto de Vertigo quanto de I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight, do mais recente CD da banda. Uma espécie de oposição ao clima de Ordinary Love.

U2 – Bono

No final da década de 1980, a banda já era uma das mais famosas do mundo, havia acabado de conquistar os Estados Unidos com The Joshua Tree, trabalho envolto a referências de música americana, muito blues e uma pegada gospel bem forte, como no hino I Still Haven’t Found What I’m Looking For. Ainda assim, no álbum seguinte, Achtung Baby, o grupo transgrediu tudo que era esperado e apresentou uma sonoridade totalmente nova, com referências ao eletrônico, à cultura pop e para uma pós-modernidade que estava surgindo com a queda do mundo de Berlim.

Depois, após elevar ao máximo a pegada eletrônica, com o emblemático álbum POP, o U2 simplesmente trouxe All That You Can’t leaving Behind, trazendo uma sonoridade crua, limpa e bem mais rock and roll que os trabalhos anteriores. O álbum soou como uma espécie de nova mudança paradigmática na banda e levou o U2 para uma nova fase de fama e sucesso, fazendo a banda se renovar e renovar novamente sua base de fãs.

Assim, com este histórico, não dá parar cravar certeza alguma sobre o novo álbum. Será uma continuação de No Line The Horizon? É uma possibilidade grande, até mesmo pelo fato de, na época do lançamento deste trabalho, a banda ter afirmado que já possuía material suficiente para lançar um novo disco imediatamente, o que acabou não se confirmando com o tempo.

Mas pode simplesmente soar como nada que ouvimos até agora. Bono, Adam Clayton, The Edge e Larry Mullen Jr. são inteligentes e talentosos suficientes para desconstruir tudo que já vimos da banda e trazer algo essencialmente novo. E esse novo irá se encaixar na atmosfera do grupo. Isso é o que eles fazem. E podem continuar fazendo.

Resta-nos somente esperar e torcer para que ao menos a demora não seja tão grande.


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