Da +1 Filmes: entrevista com o ator e comediante Pisit Mota | Cabine Cultural
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Entrevista com Pisit Mota

Pisit Mota – Divulgação

O teatro é uma arte, e a arte em sua essência nunca terá um dono, muito menos uma fórmula!” (P.M.)

Sucesso do humor baiano, o ator Pisit Mota vem mostrando que, ao longo de sua carreira, vem construindo personagens populares e criando identificação com o público local. Em seu stand up, ele apresenta histórias divertidas. “A ideia é sair do teatro feliz. Será um stand up com muito humor baiano e sem apelação”, afirmou. Psit “coleciona” prêmios e indicações de melhor ator (incluindo o Prêmio Braskem de Melhor Ator), e isso cultivado com muito humor. Em seu vasto currículo, há a elogiada e premiada atuação no espetáculo “Deus Danado”, reportagens cômicas para a TVE durante as festas de carnaval e São João, participações em diversos longa-metragens e na série de TV “A Diarista” (Globo – em dois episódios, num deles, como namorado da Marinete, vivida pela Claudia Rodrigues). Enfim, esse Miudin de Canavieiras (BA) e filho de dona Romilda e seu Edvaldo é um grande ator que sabe muito bem representar o teatro e a TV baiana. O comediante ficou conhecido no cenário local através do canal de humor +1 Filmes, que possui mais de 5 milhões de visualizações no Youtube.

Elenilson – O que a comédia significa na sua vida?

Pisit Mota – Uma descoberta maravilhosa, pois o riso é o espelho da alma e o reflexo direto do meu trabalho. A arte de fazer rir não tem fórmula ou uma determinada técnica, é espontaneidade da mente, do raciocínio, dos questionamentos sociais. Com meu espetáculo não fico preso a políticas culturais, tenho inúmeras possibilidades, me tornei independente, posso negociar diretamente o valor da pauta e qual o teatro posso trabalhar. Só não permito acreditar que muitos dos meus companheiros de trabalho tenha, uma certa resistência em reconhecer o stand up como teatro, aliás nenhuma comédia que não esteja ligada, ao estilo clássico, nunca terá importância para uma determinada classe acadêmica como é o caso do Prêmio Braskem. Não sou um ator de um gênero só.

Elenilson – A sua participação no filme de Sérgio Machado, “Quincas Berro d’Água”, baseado na obra de Jorge Amado, foi rápida e muito engraçada. De quem foi a ideia para que você aparecesse fantasiado de coelhinho?

Pisit Mota – A vida tem dessas, foi um personagem que tem uma importância na transição de uma cena para outra. O próprio Sérgio Machado percebeu que precisaria de um novo personagem para essa função. Foi divertido, sem falar na delícia do elenco, Luiz Miranda que o diga!

Elenilson – Na sua opinião, qual a importância do humor na vida das pessoas que moram numa cidade tão desigual como Salvador?

Pisit Mota – Perceba que quando nascemos aprendemos a chorar e depois de alguns meses, ou dias, vamos começar a aprender a rir, digo isso, por uma questão muito simples: somos educados com o “não! Que significa choro, e o sim nem sempre é um riso espontâneo”. E, por mais que esses sistemas sociais políticos queiram insistir nesse sofrimento, haverá sempre um humorista pensando na alegria do povo. Não faço humor para classes, faço humor, o problema é da classe que gosta! Adoro quando ando por outras capitais e sou parado, seja dentro do metrô de São Paulo ou no ponto de ônibus carioca, para ser agradecido pelo meu humor baiano ou “regionalista”.

Pisit Mota – Divulgação

Elenilson – O stand up comedy trouxe abertura para expressar de forma cômica e/ou dramática sem que o outro se ofenda? Qual é o limite?

Pisit Mota – Se você me disser qual é o limite da escrita e eu tento te revelar o limite de um palco. O teatro é uma arte, e a arte em sua essência nunca terá um dono, muito menos uma fórmula!

Elenilson – Sua atração maior é pelo cinema, televisão, teatro ou internet?

Pisit Mota – Sou um ator e como um artista sou apaixonado pela liberdade e as contradições artísticas!

Elenilson – O que mudou em sua vida profissional a partir do teatro? A popularidade ajudou?

Pisit Mota – Tudo! Se sou um profissional oriundo do teatro, graduado em Licenciatura em Artes Cênicas, na Escola de Teatro da UFBA! Existe político sem povo, mas não existe artista sem seu público. Sou grato a cada um que acessa a +1 Filmes na internet ou que sai de suas casas, mesmo morando em outro Estado ou cidade, só para ver meu stand up.

Elenilson – Como está a sua relação com a TV Globo?

Pisit Mota – Tranquila, sou um artista e na vida de um artista nem sempre o dinheiro vem em primeiro lugar. Temos outros desejos também.

Elenilson – Como você encara o cinema que está sendo produzido hoje no Brasil?

Pisit Mota – Lá vem você com essas perguntas clichês!!! O cinema de hoje é um reflexo do cinema de ontem, que um dia foi o reflexo de uma lente. A grande diferença são as inúmeras possibilidades de criações e de exibições, que em outros tempos não existiam. Um exemplo Roberto Pires com seus maravilhosos filmes.

Elenilson – Já passou algum constrangimento por conta de preconceito racial, sexual ou profissional (*do tipo: não trabalho com ator de teatro)?

Pisit Mota – Depois que descobri que o discurso do idiota só tem efeito quando damos certa importância indevida, deixei de dar ousadia emocional e passei a questionar muitos cultos a cerca das relações dos seus comportamentos. A grande diferença é que no palco essas ações não são resumidas a uma nomenclatura, ou a um crime. Alí tem causas, efeitos e reações, e todas essas ações podem influenciar diretamente no resultado do espetáculo, e te falo mais… uma cena depende muito mais do companheiro da cena do que dá plateia.

Pisit Mota – Divulgação

Elenilson – A comédia nas TVs é uma coisa vergonhosa. Na Band, o pior do lixo, além de não ter nada para informar, a não ser o que já estava nas entrelinhas, Rafinha “purgante” Bastos perdoado e apresentando um programa de entrevista mais do mesmo deixado por Danilo Gentili no “Agora é Tarde”, o “Pânico” é o que eles têm de pior: mostrando piadas de mau gosto e ridicularizando todo mundo. E as outras não ficam atrás. Como você se encaixa nesses formatos?

Pisit Mota – Suas generalizações não influenciam a minha resposta! Existe a subestimação de uma certa classe social, admito que sim, mas o programa só está no ar porquê a quem consuma e para quem investe está recebendo um retorno satisfatório do produto. Temos várias opções de entretenimento na internet, na TV, no teatro, em todas as artes, e assim é necessário para uma democratização da cultura. Restringir ao o que você, por exemplo, acredita ser bom ou ruim, não permite que aquele que vê um desses produtos, por exemplo, como importante para seu repertório possa o consumir. O que é necessário é democratizar o acesso da população a também outros produtos, outras possibilidades. Acredito que a minha forma de fazer humor é muito baiana e própria de como vivenciei o mundo, não acho melhor ou pior do que de qualquer outro.

Elenilson – O SuperOutro, interpretado por Bertrand Duarte, é um homem comum sofrendo de esquizofrenia, desesperado com a perda de referências e cada vez mais empurrado para o precipício das misérias social e econômica. Você acha que seria capaz de representar um personagem tão forte como esse (*tirando aquela cena do cocô na Barra!)?

Pisit Mota – Cada artista tem suas essências, e umas das essências de ator é traduzir sentimentos alheios como se fossem dele e os sentimentos dele como se fossem de vocês. Essa é minha profissão, logicamente vou me adaptando aos personagens e eles a mim.

Elenilson – Hoje, na Bahia, os artistas não têm opinião sobre nada, ou preferem não se manifestar. Como você encara essa fase da falta de opinião e babação de ovo que infesta a cena cultural no nosso Estado?

Pisit Mota – Não penso assim. Têm artistas que exigem e criticam sim! Mas a verdade é que existe muito forte um movimento político partidário, a diferença é: quem grita mais é que está sem dinheiro, ou fora do poder político. Agora se você me perguntar se existe uma união em prol da defesa dos direitos da classe teatral? Eu te respondo que não! Exemplo um sindicato sem poder e o pior desacreditado, por mais que eu respeite e compreenda as dificuldades do trabalho feito dentro do mesmo, pra mim é este o real reflexo do cenário teatral baiano.

Elenilson – A sua temporada com a comédia “Por Umas e Outras” foi satisfatória?

Pisit Mota – Foi não, está sendo! São mais de 13 mil espectadores em menos de seis meses de espetáculo em Salvador e no interior do Estado! E se prestar um pouco de atenção no título perceberá que este show nunca será igual ao outro, sempre tem causos e piadas diferente. Assim como o cotidiano do baiano. Estamos voltando em curta temporada, em maio no Teatro Módulo do dia 24 de maio a 8 de junho, sempre aos sábados e domingos, às 20 horas. E com agenda de maio, julho e agosto lotada, serão mais de 20 cidades em três meses, fora os eventos fechados. Tô mais feliz que pinto no lixo!

Elenilson – Como é o processo de criação da +1 Filmes? E a escolha do elenco?

Pisit Mota – É um processo livre, assim como a internet, não temos roteirista, continuísta, nem figurinista. Somos livres, da escolha da maquiagem e até ao modo de improviso na cena. O que temos é um diretor brilhante com atores fantásticos e uma cumplicidade entre diretor e atores. Não tem uma classificação acadêmica. E o elenco depende muito da ideia do vídeo e da disponibilidade do ator. A +1 Filmes é um canal de humor para Internet compreendam, é outra forma de organização e produção da TV e o Cinema.

Elenilson – comeu muita gente depois que ficou famoso?

Pisit Mota – Se saia Elenilson!! Vá dá comida a sua Pomba Gira em outra encruzilhada!

Confira o canal +1 Filmes: www.youtube.com/user/maisumfilmes

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Cultural e possui o excelente blog Literatura Clandestina.




3 respostas para “Entrevista com Pisit Mota”

  1. Esse entrevistador é muito ruim!! Fica querendo induzir o cara a falar certas coisas. Psit, vc é foda, mas esse entrevistador é péssimo!!

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