Especial Chaplin: A Vida e a Arte de Charles Chaplin
Cinema

Especial Chaplin: A Vida e a Arte de Charles Chaplin

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Charles Chaplin Especial

O personagem Carlitos de Charles Chaplin tornou-se um marco do cinema com a união de altruísmo, pureza e ingenuidade

Por Josival Nunes

Trata-se de um documentário sobre Charles Chaplin, sua trajetória e aspectos biográficos. Rico em depoimentos e imagens da época, o filme apresenta os diversos aspectos de sua vida profissional e pessoal. Desde a sua infância pobre em Londres até a consagração como um dos maiores realizadores do cinema do século XX.

Há depoimentos de importantes personalidades do cinema que vão construindo a imagem do Chaplin artista criativo e genial que geralmente cuidava pessoalmente de praticamente todas as etapas da realização de suas obras. Inicialmente o filme reconstrói a vida de Chaplin em Londres, o fato de sua mãe ser também uma artista, a ausência do pai e a presença do irmão. Quando a mãe de Chaplin adoece e precisa ser internada ele e o irmão passam por grandes dificuldades tendo que sobreviver a duras penas. Mais tarde essas experiências serão devidamente processadas e ressignificadas a partir de alguns de seus filmes.

Chaplin torna-se um jovem artista de talento e grande potencial vindo a integrar o grupo de um produtor americano. Com isso Chaplin vai a América e inicia a sua atividade de ator de cinema. Em pouco tempo passa a produzir seus próprios filmes e em breve adquire um estúdio onde passará a realizar as suas obras de forma mais autoral e livre de qualquer pressão externa limitadora de sua criação. Aos poucos vai estruturando uma obra que vai adquirindo além de popularidade o respeito da crítica especializada. Seus filmes não são apenas películas cômicas para diversão e consumo rápido das plateias, mas buscam também passar de certa forma uma mensagem que traga uma reflexão mais profunda em quem está assistindo. Devido a isso ele é taxado de comunista, quando na verdade trata-se de um humanista. Foi duramente perseguido por políticos conservadores devido a essa postura mais progressista e invariavelmente não reagia, mas sim agia a partir da maneira mais adequada a sua força artística: os seus filmes.

Contemporâneo de figuras como o líder indiano Mahatma Gandhi, com ele se encontrou assim como buscou diálogo com diversas personalidades da sociedade buscando estabelecer uma conexão e interação que se faria simbolicamente representada nos seus filmes. Charles Chaplin juntou tragédia e comédia, o riso e o drama, o pessoal e o coletivo chamando a atenção pela forma de trabalhar esses temas, com um talento que unia inventividade, precisão técnica e domínio da linguagem cinematográfica.

Apresentou o drama de uma criança abandonada não deixando dúvidas que fazia também uma leitura de sua própria infância no seu primeiro longa metragem: O Garoto, uniu comédia e sentimentalismo em doses precisas no emocionante e hilário Luzes da Cidade, trouxe a corrida ao ouro e consequentemente à riqueza de forma impagável com Em Busca do Ouro, criticou de forma dura, sagaz e engenhosa o capitalismo selvagem em Tempos Modernos, ridicularizou o nazismo em O Grande Ditador e expôs as contradições éticas da nossa sociedade em Monsier Verdoux. Em todas esses filmes, que tornaram-se clássicos da cinematografia mundial, brilha não apenas a Direção e atuação de Chaplin mas também chama a atenção à multifacetada maneira do cineasta em conduzir suas obras, desde a música até o perfeccionismo em repetir algumas tomadas centenas de vezes até chegar o que ele considerava ideal.

Algumas das cenas dos filmes de Chaplin foram tão bem realizadas que praticamente ganharam vida própria adquirindo uma dimensão e espaço particular no panteão do cinema como pequenas mostras da genialidade do autor. São recortes fílmicos que por serem carregadas de forte simbolismo permaneceram além de usa época como perenes imagens que remetem a sentimentos universais. Neste painel pode-se inscrever a cena da dança dos pãezinhos em a Busca do Ouro, assim com também ficaram marcadas a cena do surto em plena oficina de trabalho que o personagem Caritós apresenta em Tempos Modernos e o discurso final em O Grande Ditador.

O personagem Carlitos de Charles Chaplin tornou-se um marco do cinema com a união de altruísmo, pureza e ingenuidade. Ao mesmo tempo carrega um tom desafiador das autoridades e uma postura sonhadora e afetiva. Durante toda a sua trajetória Charles Chaplin ganhou apenas um Oscar, justamente um prêmio especial pelo conjunto de sua carreira e muito provavelmente representando um pedido de desculpas pela América o ter perseguido anos antes. Sem mágoas ou tampouco revolta o já idoso Chaplin agradeceu comovido o prêmio e voltou para o seu refúgio na Suíça onde faleceria cerca de cinco anos depois no Natal de 1977, consagrado como um dos maiores artistas da história da humanidade.

Josival Nunes é escritor, cineasta e colunista do Cabine Cultural.


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