A beleza de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
Cinema

A beleza de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

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Hoje eu quero voltar sozinho – Divulgação

Com uma boa fotografia, um drama sem maiores pretensões, mas que alcança o que deseja, contar uma história simples e real de forma leve e divertida

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Brasil) marca a estreia do diretor Daniel Ribeiro em longa metragem, realizando um filme leve e inspirador, baseado no curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, lançado por ele há quatro anos atrás, com o mesmo elenco e o mesmo tema. Este drama fala sobre a adolescência, a descoberta do primeiro amor e da sexualidade, com um contra ponto a mais, o personagem central tem uma deficiência visual.

Sem pretensão de levantar bandeiras, com um roteiro simples, mas eficaz, conhecemos Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego de nascença que estuda em colégio normal e que tem em Giovana (Tess Amorim) uma amiga inseparável, que o ajuda nas suas tarefas diárias e na sala de aula, o acompanha diariamente até sua casa, é sua confidente e ainda o defende do bullying que ele sofre de alguns colegas, pelo fato de ser cego e extremamente tímido.

Com a chegada de Gabriel (Fabio Audi) como novo aluno da turma, há uma identificação imediata de Leonardo, criando ciúmes em Giovana. A partir deste triângulo moderno, observamos Leonardo descobrindo a sua sexualidade, a descoberta do amor, a querer aprender por si mesmo a alçar novos vôos. Mas com pais super protetores fica difícil para Leonardo conseguir seu intento, inclusive sua mãe também tem dificuldades em aceitar que seu filho está crescendo e querendo se auto afirmar, “sair de baixo de suas asas”.

O trio de atores Guilherme Lobo, Tess Amorim e Fabio Audi fazem um bom trabalho de interpretação, que flui de forma bem natural e divertida. É agradável sentir novos atores chegando e aprendendo a arte de interpretar, saindo da mesmice de rostos já conhecidos da televisão.

Com uma trilha sonora agradável, um roteiro certinho apesar dos diálogos meio inconsistentes, um filme delicado que fala de preconceitos sem querer se aprofundar, mas destacar os personagens com sensibilidade, de forma intimista, e com um final muito legal. Este drama marca um destaque na esfera do cinema nacional, que de uns tempos para cá só investe em comédias banais.

Com uma boa fotografia, um drama sem maiores pretensões, mas que alcança o que deseja, contar uma história simples e real de forma leve e divertida. Ganhador do Festival de Berlim 2014 no quesito tema gay.

Marcia Amado Bessa é enfermeira e escreve para o ótimo blog parceiro CineAmado


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