Especial Chaplin: O Grande Ditador
Cinema

Especial Chaplin: O Grande Ditador

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Chaplin, Charlie (Great Dictator, The)

Sem dúvida trata-se de um dos melhores filmes realizados por Charles Chaplin, onde une-se mais uma vez a grandeza de sua mensagem ao apuro técnico e brilho criativo de sua arte

Por Josival Nunes

Produzido em 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, o filme O Grande Ditador continua com sua temática bastante atual graças à forma com que denuncia o horror do conflito através de um viés humanista. Charles Chaplin constrói uma contundente crítica ao poder totalitário representado na época pelo avanço do nazismo e faz com que um de seus personagens principais seja uma referência direta a Hitler com seus trejeitos exagerados apontando para o farsesco e o caricatural. O outro personagem, também interpretado por Chaplin é um pacato barbeiro judeu que por ser sósia do ensandecido ditador acaba se envolvendo em uma inusitada troca de identidades o que vai gerar uma das cenas mais marcantes do filme.

Trata-se do famoso discurso final onde Chaplin utiliza de seu protagonista para expor a sua visão de mundo em que as pessoas possam conviver de forma mais solidária e pacífica. A atualidade da mensagem de Chaplin está justamente ao percebermos que ainda persistem as guerras advindas das lutas pelo poder e fruto de intransigência e falta de respeito ao outro. Aqueles valores caros ao barbeiro são fundamentalmente o desejo de que as pessoas possam conviver de forma mais harmônica, livre de preconceitos e mais conectadas pela fraternidade e amorosidade.

Charles Chaplin nesse período continua sendo um artista incompreendido por boa parte de seus contemporâneos, cada vez mais perseguido, é acusado de ser comunista quando é na verdade um humanista e sua mensagem acaba não sensibilizando aqueles que teriam poder político suficiente para modificar a estrutura econômica e social da época.

Seu filme no entanto passou para a posteridade como um libelo a favor da paz entre os homens, tornando-se um clássico cinematográfico e uma obra cultural de grande relevância para a humanidade. Um filme tecnicamente apurado com um roteiro repleto de diálogos inesquecíveis, com mais uma atuação impecável de Charles Chaplin, dessa vez em papel duplo onde consegue construir duas personalidades totalmente diferentes e uma primorosa direção que nunca perde o ritmo da história narrada. Além do discurso final, outra cena antológica do filme é o famoso bailado com o globo em que o ditador delirantemente dança com o “planeta” que deseja dominar. Pelo lado do barbeiro há também uma cena que tornou-se clássica quando sincronizado ao som de uma música é feita uma barba com precisão e velocidade ditados pelo ritmo dos acordes emitidos.

Sem dúvida trata-se de um dos melhores filmes realizados por Charles Chaplin, onde une-se mais uma vez a grandeza de sua mensagem ao apuro técnico e brilho criativo de sua arte. Ainda hoje, a mensagem final do filme ecoa, não apenas como um constante alerta mas sobretudo trazendo a necessidade de permanecermos vigilantes contra todo tipo de postura totalitária e violenta contra a sociedade e qualquer de seus integrantes.

O Grande Ditador (1940)
Elenco

Charles Chaplin – Adenoid Hynkel / Barbeiro judeu
Paulette Goddard – Hannah
Jack Oakie – Benzino Napaloni
Reginald Gardiner – Comandante Schultz
Henry Daniell – Garbitsch
Billy Gilbert – Marechal Herring
Grace Hayle – Madame Napaloni
Carter DeHaven – Spook (embaixador bacteriano)
Maurice Moscovitch – Sr. Jaeckel
Emma Dunn – Sra. Jaeckel
Bernard Gorcey – Sr. Mann
Paul Weigel – Sr. Agar

Josival Nunes é escritor, cineasta e colunista do Cabine Cultural.


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