Especial Chaplin: o dia que Robert Downey Jr interpretou Charles Chaplin | Cabine Cultural
Cinema

O dia que Robert Downey Jr virou Chaplin

Chaplin – Movie 1992

Uma cena em especial adquire conotação quase mágica em sua realização. Trata-se do momento em que Chaplin inventa o vagabundo a partir da construção de seu figurino

Por Josival Nunes

Chaplin é um drama biográfico produzido em 1992 e que percorre a trajetória do cineasta britânico desde a sua infância sofrida nas ruas de Londres até a consagração nos seus anos finais na Suíça. Dirigido por Richard Attenborough, o mesmo de “Gandhi” de 1982 e estrelado por Robert Downey Jr que acabou concorrendo ao Oscar pela interpretação do personagem título, o filme atravessa o período em que Chaplin iniciou sua carreira artística, viajou para os Estados Unidos, começou seu trabalho em filmes, tornou-se um ator de relativo sucesso, adquiriu seu próprio estúdio e foi a partir disto produzindo marcantes obras cinematográficas.

O filme também foca na atribulada e polêmica vida amorosa de Chaplin e de seus problemas políticos que resultaram em sua expulsão dos Estados Unidos. Com interpretação primorosa, produção de época sofisticada e história riquíssima do protagonista, Chaplin tornou-se um filme de grande sucesso arrebatando diversos prêmios de cinema. O filme em seu primeiro momento busca resgatar a infância de Chaplin mostrando o problema de saúde de sua mãe, que precisou deixar os filhos e foi internada e o consequente período de dor e sofrimento que passou em seguida.

No segundo momento Chaplin é contratado por uma companhia e vai a América onde fica fascinado pelo cinema, passando pouco depois a trabalhar com o lendário produtor Mack Sennett. Começa a adquirir notoriedade, prestigio e dinheiro vindo a comprar seu próprio estúdio. Devido às suas posições políticas humanistas e de cunho progressista que ganham forma em contundentes críticas a partir de seus filmes Chaplin vira figura perseguida de muitos poderosos do governo até ser expulso da América. Também são mostrados os bastidores dos filmes da época com as festas e modos de vida das celebridades cinematográficas. Chaplin é um retrato de um artista considerado não apenas um gênio em sua área, mas também uma referência marcante e influente em relação à cultura na sociedade, em qualquer parte.

Uma cena em especial adquire conotação quase mágica em sua realização. Trata-se do momento em que Chaplin inventa o vagabundo a partir da construção de seu figurino. O diretor constrói com uma significativa dose de reverência e respeito o momento em que o artista vai montando o personagem intuitivamente até aparecer como o vagabundo para a filmagem de uma cena provocando desde o início a estranheza dos demais para depois, quase imediatamente, provocar o riso e a admiração.

Chaplin (1992)
Elenco principal

Robert Downey Jr. …. Charles Chaplin
Geraldine Chaplin …. Hannah Chaplin
Paul Rhys …. Sydney Chaplin
John Thaw …. Fred Karno
Moira Kelly …. Hetty Kelly / Oona O’Neill
Anthony Hopkins …. George Hayden
Dan Aykroyd …. Mack Sennett
Marisa Tomei …. Mabel Normand
Penelope Ann Miller …. Edna Purviance
Kevin Kline …. Douglas Fairbanks
Maria Pitillo …. Mary Pickford
Milla Jovovich …. Mildred Harris
Kevin Dunn …. J. Edgar Hoover
Deborah Moore …. Lita Grey
Diane Lane …. Paulette Goddard
James Woods …. Joseph Scott
Nancy Travis …. Joan Barry

Josival Nunes é escritor, cineasta e colunista do Cabine Cultural.

2 respostas para “O dia que Robert Downey Jr virou Chaplin”

  1. Texto excelente. Apenas uma retificação: Downey Jr não ganhou o Oscar. Apenas concorreu a ele. Inacreditávelmente Robert faz parte do time de grandes atores de Hollywood sem uma estatueta do Oscar. Acrescentaria um grande destaque que é a participação de Geraldine Chaplin – filha dele – interpretando sua mãe e o momento em que o real e o cinematográfico se encontra em um longo abraço dela em Robert Downey Jr durante a trama. Segundo uma biografia não oficial do ator, foi um dos momentos mais emocionantes da carreira da atriz.

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